21/05/2012 - 23h14min
Policiais militares e servidores da Casa de Leis que integram o Departamento de Polícia Legislativa (Depol) deverão permitir a entrada de 150 pessoas. É o que cabe nas galerias.
Da reportagem do Tudorondonia
Porto Velho, Rondônia – As ruas em torno da Assembleia Legislativa permanecerão fechadas nesta terça-feira (22), enquanto durar a reunião da Comissão Parlamentar Processante (CPP), que será realizada no plenário a partir das 9 horas. Um forte esquema de segurança foi montado para evitar que o público agrida deputados.
Policiais militares e servidores da Casa de Leis que integram o Departamento de Polícia Legislativa (Depol) deverão permitir a entrada de 150 pessoas. É o que cabe nas galerias. Acontece que estão sendo esperadas até mesmo caravanas do interior. Por isso foi instalado um telão, para que de fora o público possa acompanhar a reunião.
Logo no início da reunião será lido o relatório elaborado pelo deputado Edson Martins (PMDB-Urupá). Ele não especificou nele seu voto, mas explica detalhadamente as acusações que pesam contra oito parlamentares. Cita gravações telefonicas feitas pela Polícia Federal com autorização judicial e relata a confissão das deputadas Ana da Oito (PT do B-Nova Mamoré) e Epifânia Barbosa (PT-Porto Velho).
O deputado Valter Araújo (PTB-Porto Velho) é apontado como o chefe do bando que desviava recursos públicos. Epifania, Ana da Oito, Zequinha Araújo (PMDB-Porto Velho), Euclides Maciel (PSDB-Ji-Paraná), Fávio Lemos (PR-Porto Velho), Saulo Moreira (PDT-Ariquemes) e Jean Oliveira (PSDB-Porto Velho teriam dado suporte à quadrilha, segundo mostra o relatório.
O que está sendo apurado é se houve um não quebra de decoro parlamentar. Pelo teor do relatório de Edson Martins é possível constatar que o decoro foi quebrado pelos oito deputados. A diferença teria sido apenas na quantidade de dinheiro que cada um deles recebeu. O documento é forte o suficiente para a cassação dos oito mandatos.
Representantes da sociedade organizada estariam indignados. Um homem chegou a tentar entrar na Assembleia Legislativa levando uma mochila onde carregava diversos saquinhos com fezes, provavelmente para atirar nos deputados. Por conta disso foi montado o esquema de segurança.
De acordo com o que foi apurado, o deputado Valter Araújo pagava deputados para que votassem em projetos do governo. Se o dinheiro de contratos de empresas que pertenceriam a Valter estivesse em dia, os deputados deveriam aprovar os projetos. Se o governo atrasava o pagamento dos contratos, os parlamentares deveriam votar contra os projetos.
Alguns fatores teriam deixado os representantes da sociedade organizada mais irritados. Entre eles estaria o posicionamento do deputado Valdivino Turuca (PR-Cacoal), o único que tem se posicionado publicamente em favor dos acusados. Ele teria dito que não há provas suficientes para cassar mandatos.
Outro ponto seria discursos da deputada Ana da Oito. A Polícia Federal interceptou mensagens telefonicas dela ao deputado Valter Araújo cobrando propina, ou “dim dim”, como ela disse. Em depoimento ela confessou que dinheiro do deputado foi parar na conta do marido dela.
Apesar de tudo isso, depois de instalada a CPP, em discurso proferido em plenário ela atacou violentamente a Secretaria de Estado da Saúde (Sesau), dizendo que faltava gerenciamento no setor e que os recursos estavam sendo mal aplicados.
Representantes da sociedade organizada disseram que Ana da Oito está correta. O dinheiro da Saúde foi mal aplicado, porque em vez de ter sido utilizado para salvar vidas foi parar na conta do marido da parlamentar. Por isso o discurso dela teria causado revolta revolta.