09/06/2012 - 11h04min
A maioria dos vereadores foi contra o aumento de cadeiras, o que motivou a decisão dos nanicos de não coligar com partidos que tem vereador em seus quadros.
Vitor Paniágua
Vilhena, Rondônia - Reunido na semana passada os partidos “nanicos” e os que não tem vereador eleito tomaram uma decisão: não vão se coligar com partidos que tem vereador com mandato. Pelo menos cinco representantes de partidos que não tem representação na Câmara estão acordados que só se coligam entre eles.
A decisão é uma resposta aos vereadores que decidiram não aumentar o número de vagas na Câmara Municipal de Vilhena. Cerca de duas semanas atrás alguns presidentes de partidos se reuniram com os vereadores na residência da vereadora Eliane da Emater (PV). Os partidos queriam que os vereadores votassem a elevação de cadeiras na Câmara Municipal para 13 ou 15 vagas. O parlamento vilhenense atualmente tem dez vagas para vereador. A maioria dos vereadores foi contra o aumento de cadeiras, o que motivou a decisão dos nanicos de não coligar com partidos que tem vereador em seus quadros.
“Nós entendemos que com o aumento de vagas a coligação seria viável com estes partidos porque brigaríamos com maiores chances de eleger representantes, porém, com apenas dez cadeiras a coligação é inviável porque vamos concorrer com quem tem mandato, têm assessores e estão só fazendo política há pelo menos quatro anos”, disse o presidente do PTN, Paulo Damaceno, que lidera os partidos sem representatividade na Câmara.
A distribuição de vagas na Câmara hoje está da seguinte forma: o PV, o DEM, o PHS e o PSDC tem um vereador cada um; o PSC tem três e o PMDB dois. O vereador Pedro Panta está sem partido.
A manutenção de apenas dez cadeiras na Câmara de Vilhena vai criar uma situação no mínimo curiosa. Em Colorado a Câmara Municipal aumentou de nove para 11 vereadores. Ocorre que a cidade vizinha tem pouco mais de 16 mil eleitores, enquanto em Vilhena a Justiça Eleitoral cadastrou cerca de 52.600 eleitores, ou seja, o triplo de Colorado do Oeste.
Pensando apenas na verba de gabinete que pode chegar até a R$ 60 mil em Vilhena, a maioria dos vereadores ainda não atentou para a armadilha que estão armando para eles mesmos. Se aumentasse para 15 o número de vagas as chances de reeleger pelo menos oito dos atuais vereadores são reais, uma vez que dois deles, Jaci Alves e Pedro Panta não devem concorrer. Se não aumentarem as cadeiras eles terão que se coligar entre si ou concorrerem sozinhos em seus partidos. Se coligarem entre eles vão literalmente se “comerem” entre si.
Caso concorram sozinhos em seus partidos terão que conquistar algo em torno de 4.200 votos, quantia de votos que deverá ser a legenda.
Há denúncias que em anos anteriores alguns vereadores nessa situação acabaram “comprando” coligação com partidos nanicos. Ocorre que houve mudanças nas principais direções dos partidos em Vilhena justamente para evitar que eles sejam “vendidos” para vereadores desesperados para encontrar “cabos eleitorais” nos nanicos. “É justamente isso que seremos, caso nos coliguemos com partidos com mandato. Cabos eleitorais dos vereadores” finalizou Damaceno.