... vai pedir ajudar para outro bandido que se chama FHC?
Por Valdemir Caldas
Pelo amor de Deus, a frase acima não é minha. Também não foi dita pelo ex-presidente Lula, nem pelo prefeito Roberto Sobrinho, tampouco pela ex-senadora e pré-candidata do Partido dos Trabalhadores à sucessão municipal, Fátima Cleide, mas pelo ex-vereador e atual presidente em exercício da Assembléia Legislativa de Rondônia, José Hermínio Coelho (PSD).
No dia 5 de maio de 2001, o então vereador José Hermínio Coelho (PT) foi à tribuna da Câmara Municipal de Porto Velho e criticou o escândalo do governo FHC, envolvendo o banco Marka (controlado por Cacciola), e o fundo Fontecindam, acusados de se terem aproveitado da mudança do regime cambial, para comprarem dólares do Banco Central abaixo das cotações de mercado.
Lá pelas tantas, Coelho não segurou a língua (com é próprio do seu comportamento) e disse: “o governo Bianco é um desmando total, como o governo FHC é um desmando total. É difícil você pedir ajuda fora. Vai pedir de quem? Vai pedir para outro bandido que se chama FHC e a turma dele?”. FHC é uma espécie de talismã para os tucanos. Ele tem a mesma importância para o PSDB quanto Lula tem para o PT.
Hermínio é pré-candidato à sucessão de seu ex-companheiro de partido, Roberto Sobrinho. Dias atrás, ele foi ao programa do jornalista Arimá de Sá e afirmou que gostaria de ter a vereadora Mariana Carvalho como sua vice. Mariana, como se sabe, é pré-candidata dos tucanos à prefeitura da capital.
Antes de viajar ao Rio de Janeiro, para tratamento de saúde, o vereador Edemilson Lemos (PSDB) garantiu-me que, numa eventual coligação, o PSDB não abriria mão da cabeça de chapa. Ocorre que Edemilson não manda no PSDB. Ele é apenas um entre tantos filiados do partido, embora se destaque entre muitos pela agudeza de caráter, a capacidade criadora e a lucidez fulgurante.
Todo mundo sabe que, quem manda, hoje, no PSDB, chama-se Expedito Junior. Se ele entender que o partido deve unir-se ao PSB, acabou, ainda que entre ambos não haja qualquer simbiose ideológica ou doutrinária. Mas isso é de somenos importância. O que importa, mesmo, são os interesses das cúpulas partidárias. O fato de Hermínio ter chamado FHC de bandido não afeta os brios dos tucanos, mais que pega muito mal, pega.
PS: no artigo anterior, escrevi que o encarregado para intermediar a aquisição de novos móveis para o Ipam seria Manoel Neri. Ontem, um funcionário do órgão me ligou e pediu que fizesse uma correção. Na verdade, trata de Manoel comunista. Portanto, fica aí o reparo e às desculpadas da coluna ao Neri, que não tem nada ver com o caso.