A sociedade quer respostas, presidente Hermínio!
Os tempos são outros, mas a mentalidade em voga na ALE é a mesma de vinte anos atrás.
Diz o ditado que o uso do cachimbo faz a boca torta ou entorta a mentalidade de muitos. Quando se esperava que a chegada do senhor José Hermínio Coelho (PSD) à presidência da Assembléia Legislativa de Rondônia marcasse o início de uma nova fase na vida daquela casa, calcada no respeito ao erário e, principalmente, aos interesses da população, eis que os fatos se encarregaram de revelar exatamente o contrário.
Os tempos são outros, mas a mentalidade em voga na ALE é a mesma de vinte anos atrás. Nesse período, mudaram alguns personagens, mas o enredo é o mesmo: corrupção, fisiologismo, demagogia, mordomias e impunidade. E de pensar que Coelho assumiu prometendo mudar a face deformada daquela instituição e resgatar sua credibilidade junto à opinião pública.
Mas, à semelhança de muitos que por lá passaram, Coelho não resistiu à tentação do vil metal e as facilidades e mordomias proporcionadas pelo cargo. E sucumbiu...! Mandou às favas o respeito ao princípio da autoridade, relegou o coletivo a um plano secundário e acabou caindo em desgraça aos olhos do povo.
Agora não é só a credibilidade da ALE que se encontra em baixa, mas, também, a de seu presidente. São os reflexos de quem administra no desespero da causa própria.
Coelho tinha tudo para fazer a diferença, mas não soube aproveitar a oportunidade que lhe foi dada de mãos beijadas. Agora não adianta chorar o leite derramado.
Melhor seria vir a público, reconhecer que pisou na bola, pedir desculpas à população e passar o boné, uma vez que sua permanência no comando da ALE tornou-se insustentável.
Quem te viu quem te vê. O cidadão que há pouco batia no peito e arrostava seus adversários, vestindo o manto da moralidade pública, hoje, se bater, cai para trás.
Não por causa do tabagismo que lhe corrói as vísceras, mas por conta do pagamento de diárias a servidores, para acompanhá-lo em viagem de férias, o que acabou debilitando-lhe a estrutura moral. Por isso, a sociedade quer respostas, presidente Coelho, e não desculpadas esfarrapadas.
Valdemir Caldas