Aliados de Arruda oram depois de receber propina; veja vídeos
No vídeo, o deputado Rubens César Brunelli (PSC), o atual presidente da Câmara, Leonardo Prudente (DEM) e Durval Barbosa oram
ANDREZA MATAIS
da Folha de S. Paulo, em Brasília
Deputados distritais e aliados políticos do governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda (DEM), alvos da Operação Caixa de Pandora, da Polícia Federal, foram filmados recebendo dinheiro e guardando maços de notas em bolsas, bolsos e até dentro de meias.
A Folha teve acesso ontem a mais três DVDs com imagens de distribuição de dinheiro gravadas por Durval Barbosa, ex-assessor de Arruda e colaborador da PF que entregou o suposto esquema de desvio de verbas públicas e arrecadação de propina de empresas para pagar despesas de campanha e distribuir recursos à base aliada do governador. Arruda também foi filmado recebendo dinheiro de Barbosa. Os vídeos, parte deles feita sem autorização judicial, foram entregues à PF, que faz a perícia, e integram o inquérito.
No vídeo abaixo, o deputado Rubens César Brunelli (PSC), de camisa roxa, o atual presidente da Câmara, Leonardo Prudente (DEM), de camisa branca --ele também aparece em outra gravação guardando dinheiro na meia--, e Durval Barbosa oram.
Outro lado
Em nota divulgada ontem, o governador do DF, José Roberto Arruda (DEM), e seu vice, Paulo Octávio (DEM), também citado como beneficiário do esquema, negaram as acusações. Os dois se disseram "perplexos" com as denúncias e afirmaram que Barbosa agiu de forma "capciosa e premeditada", apresentando uma "versão mentirosa" dos fatos para prejudicar a administração.
No texto, Arruda e Paulo Octávio afirmam que foram vítimas de um "ato de torpe vilania" e se declararam "indignados". Disseram confiar que a Justiça vá inocentá-los e condenam "açodados juízos que, muito mais que atingir o princípio constitucional da presunção de inocência, colocam em risco a soberania da verdade democrática".
O secretário de Ordem Pública do Distrito Federal, Roberto Giffoni, disse que Arruda determinou a abertura de processo administrativo para investigar as denúncias feitas pelo ex-secretário Durval Barbosa.
Os processos terão como alvo, entre outros, o ex-assessor de imprensa de Arruda, Omézio Pontes, seu ex-chefe de gabinete Fábio Simão, o ex-chefe da Casa Civil José Geraldo Maciel e o ex-secretário da Educação do DF José Luiz Valente.
Uma segunda medida emergencial, disse Giffoni, seria submeter quaisquer pagamentos do governo do DF e empresas do segmento de tecnologia e informática ao crivo da Procuradoria e da auditoria.
Ele apresentou números para demonstrar que os gastos com os R$ 480 milhões em 2005, ainda no governo de Joaquim Roriz, quando Barbosa presidia a Codeplan e já estaria à frente do suposto esquema montado em benefício de Arruda, caíram para R$ 214 milhões no ano passado.
Roberto Freire, presidente nacional do PPS, afirmou que não tem qualquer participação no esquema e defendeu a saída do partido do governo.
O secretário da Saúde, Augusto Carvalho, rechaçou as citações. Disse que instaurou uma auditoria para apurar denúncias de contratos superfaturados e suspendeu repasses para empresas suspeitas.
O presidente da Câmara Legislativa, Leonardo Prudente (DEM), disse, por meio da assessoria, que, por desconhecer as imagens, não vai comentá-las. O diretor da agência de comunicação do governo, Paulo Pestana, afirmou que o dinheiro recebido foi por seu trabalho durante a campanha de Arruda.
O deputado Júnior Brunelli (PSC) disse, por meio da assessoria, que se manifestará após ter acesso aos vídeos. A deputada Eurides Brito (PMDB) informou, por meio da assessoria, que ainda está analisando o inquérito com seus advogados. O ex-deputado Odilon Aires, o presidente do Na Hora, Luiz França, o deputado Rogério Ulysses, o ex-administrador regional José Naves e Durval Barbosa não foram encontrados.