Ameaças se confirmam e Hermínio suspende mídia da Assembleia

O deputado Hermínio Coelho negou que tivesse autorizado a publicação da notícia no jornal, mas em sua nota oficial, repetiu a mesma coisa que estava escrita no “Alto Madeira”.

Publicada em 23/07/2012 às 08:23:00

As ameaças publicadas na edição de 13 de julho do jornal “Alto Madeira”, jornal quase centenário de Porto Velho, se confirmaram: toda a mídia da Assembleia Legislativa foi cancelada, em represália à liminar da Justiça suspendendo a licitação de publicidade por ilegalidades. Embora tenha negado em nota ser a fonte das afirmações publicadas no jornal, o presidente da Assembleia, deputado Herminio Coelho, suspendeu a distribuição da mídia para todos os veículos de comunicação do Estado de Rondônia.

Falando em nome do presidente da Assembleia e da própria Casa de Leis, a reportagem do jornal Alto Madeira ameaçou cancelar o pagamento e a distribuição da mídia do Poder Legislativo em represália à suspensão da licitação, com indícios de direcionamento denunciado por agências de propaganda. A expressão publicada pelo jornal, em nome da Assembleia, é que se a licitação atrasasse os veículos “ficarão à pão e água”.

O deputado Hermínio Coelho negou que tivesse autorizado a publicação da notícia no jornal, mas em sua nota oficial, repetiu a mesma coisa que estava escrita no “Alto Madeira”, que pretende “a democratização na mídia da Assembleia”. Em outras palavras, significa que a verba de propaganda será distribuída pela nova agência que ganhará a licitação para os amigos dos deputados, atendendo uma finalidade democrática e social, algo parecido com a reforma agrária, em desrespeito ao que manda a lei, que determina critérios técnicos, de acordo com a audiência de cada veículo de comunicação.

Demonstrando que a licitação de publicidade da Assembleia pode estar direcionada, na entrevista do jornal consta que Hermínio Coelho já sabe quem ganhará a licitação e não será vencida por agências que têm “patrimônio” e tradição no mercado e sim uma agência “que visa buscar padrões de criatividade e não quem tem apenas dinheiro, ou ostenta um prédio e capital no papel, porém, faz campanha sem nenhuma criatividade. E como se sabe, a criatividade é jovem, normalmente com pouco capital”.

TUDORONDONIA

O Tudorondonia defende que poderes ou instituições como a Assembleia Legislativa não precisariam fazer publicidade, pois, na maioria das vezes, os recursos públicos  são gastos mais para cooptar setores da imprensa com o objetivo de que não divulguem as mazelas e irregularidades que campeiam nestes órgãos. O certo seria parar de gastar com publicidade, muitas vezes enganosa, para investir em saúde. A Assembleia desperdiça anualmente mais de R$ 9 milhões com publicidade, dinheiro que só  serve mesmo para encher os bolsos de alguns donos de veículos de comunicação. Ministério Público e Tribunal de Contas não fazem publicidade, e hoje são os  órgãos mais bem divulgados - e mais bem vistos pela opinião pública - do que Assembleia e Governo do Estado, que gastam rios de dinheiro do contribuinte  com publicidade enganosa para ludibriar este mesmo contribuinte.

No caso da Assembleia Legislativa, a disputa em torno da verba publictária é tão intensa que o processo deve ser novamente suspenso pela justiça por novas irregularidades flagrantes, como a colocação de pessoas na comissão que analisará, por exemplo, a experiência das empresas habilitadas. Tais pessoas são ligadas a outras diretamente interessadas no processo e  estas, por sua vez, possuem ligações com o presidente, inclusive já tendo passado por sua assessoria.