Ano novo, contas novas?
Dê preferência a quitar as contas nas quais os juros por atraso são mais altos, como o cartão de crédito e o cheque especial.
Chegou o final do ano. Período de férias, festas e viagens. Parece tudo uma maravilha, mas nem sempre é, pois nessa época os brasileiros mais se endividam.
Apesar do décimo terceiro salário “encorpar” a receita no fim de ano, há uma infinidade de despesas extras.
Não perdendo muito tempo pensando, teremos em breve gastos com o IPVA dos veículos, matrículas e materiais escolares dos nossos filhos, o IPTU de nossas casas etc.
Viagens, passeios, presentes e confraternizações são sempre muito importantes e especiais, mas suas conseqüências, aliadas aos citados gastos necessários anuais, são geralmente desastrosas, pois gerará um superendividamento, caso as despesas sejam maiores do que as receitas – e geralmente o são!
Quando gastamos em demasia nesse período “festivo” acabamos por vivenciar apenas o momento, sem grandes preocupações com o futuro próximo. Acontece que inexoravelmente o ano novo se inicia e com ele as obrigações financeiras.
A atual facilidade de crédito tem incentivado os consumidores a gastarem mais do que podem. As instituições financeiras, cartões de créditos e lojas que atuam com o chamado “crediário” querem que isso aconteça, pois quanto mais parcelarmos as nossas compras ou as deixarmos pendentes, maiores juros pagaremos.
Sem um planejamento adequado é muito difícil entrar o ano com as contas em dia e sem dívida pendente.
O ideal seria criar uma poupança durante o ano para curtir o seu final com tranquilidade, evitando postergar dívidas para o ano seguinte.
Caso o ano tenha se iniciado e as contas das “festas” sejam maiores do que o salário que entrará, priorize os seus acertos.
Dê preferência a quitar as contas nas quais os juros por atraso são mais altos, como o cartão de crédito e o cheque especial. As contas de consumo também são importantes e muitas vezes garantem serviços essenciais (água, luz, telefone fixo).
Quando não for possível pagar o valor total de determinado débito, negocie a dívida, evitando assim a chamada “bola de neve” por um atraso atrás do outro.
O importante é não querer “tapar o sol com a peneira”. Se o dinheiro ficar pouco, você e sua família terão que fazer um sacrifício momentâneo, cortando gastos supérfluos e reduzindo outros habituais.
Além de evitar estresses e dissabores, manter as contas em dia é importante para criar o hábito de gerenciar os seus recursos e gerar exemplos positivos aos filhos.
Autor: Gabriel Tomasete
Advogado, Pós-graduando em Direito do Consumidor, Colunista do Diário da Amazônia (Coluna Direito & Consumo) e Membro da Comissão de Defesa do Consumidor da OAB-RO.
Atuou no Procon de Presidente Prudente-SP. Advoga para ONG de defesa de consumidores desde 2004, em Porto Velho-RO.
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