Brincadeira tem hora- Por Valdemir Caldas
Esse parecer da AGU (Advocacia Geral da União) é mais antigo do que o Código de Hamurabi. Os nossos representantes (senadores e deputados federais) sabiam de sua existência.
Sempre sustentei, neste espaço, que essa história de transposição não passava de isca eleitoreira, lançada por políticos demagógicos, para atrair incautos servidores. Os fatos falam por si sós.
Esse parecer da AGU (Advocacia Geral da União) é mais antigo do que o Código de Hamurabi. Os nossos representantes (senadores e deputados federais) sabiam de sua existência e conheciam seu conteúdo, de cor e salteado.
Mesmo assim, continuaram enganando os coitados dos servidores, insistindo na tese estapafúrdia de que seriam transpostos para o quadro da União, recebendo pela tabela salarial do governo federal.
Os sindicalistas, por sua vez, também têm sua parcela de culpa, porque se deixaram iludir pelo canto de sereia de fariseus, contribuindo, assim, para criar uma falsa expectativa no seio da categoria.
E de pensar que muitas pessoas morreram sonhando com essa malsinada transposição. Outras vêm adiando seu merecido ócio na esperança de se aposentarem com um salário, digamos, decente, superior às migalhas que recebem do governo do estado, por trinta e cinco, quarenta, cinquenta anos ou mais de serviços prestados à máquina burocrática.
Dia desses, uma caravana de servidores foi à Brasília pedir às autoridades mais celeridade no processo. Vinte e um ônibus teriam sido fretados para levá-los. Quem pagou a conta, hoje reconhece que jogou dinheiro do contribuinte pela janela, pois, mais uma vez, enganaram os funcionários.
Chega a ser até difícil encontrar adjetivo ou substantivo para qualificar o que estão fazendo com essas pessoas, pais e mães de família, que contribuíram e contribuem para o desenvolvimento desta terra, mas que são tratadas com uma brutal falta de respeito.
Não é sem motivo a progressiva perde de credibilidade da classe política, de instituições e de seus representantes, principalmente em momentos como esse, quando não se percebe nenhuma iniciativa mais vigorosa para contrapor-se à idéia do governo federal.
Se os servidores dos estados de Roraima e Amapá foram contemplados, por que não se aplica a mesma regra aos de Rondônia? Isso é discriminação, para não dizer esculhambação, patifaria, pilantragem, sacanagem.... O momento não é para brincadeira.