Campanhas milionárias
Valdemir Caldas
A eleição para prefeito de Porto Velho está saindo uma caixa de surpresa. Tudo nela está acontecendo, principalmente, brigas de cúpulas partidárias. Cada qual preocupado em defender seu quinhão político. Viva democracia! Ou, melhor, viva a demagogia!
Depois de quatro anos, esperava-se que alguma coisa houvesse mudado na cabeça de certos políticos. Ledo engano. A tática continua a mesma. Os farsantes persistem na orquestração e divulgação de propostas mirabolantes, buscando, assim, engabelar desavisados eleitores.
Paralelo a isso, há um derrame acintoso de dinheiro, que serve tanto para pagar mercenários eleitorais quanto para comprar consciências. A cada eleição, Porto Velho tem-se notabilizado como a cidade onde mais a influência do poder econômico se faz sentir.
Quem pode arcar com uma eleição assim? Só mesmo as fortunas misteriosas dos endinheirados, que usam o poder da grana para alimentar o processo espúrio da compra de votos.
Na ânsia tresloucada de colher os votos dos incautos, várias são as estratégias postas em prática pelos candidatos. É óbvio que práticas costumeiras, que, antes serviam mais para iludir que para justificar candidaturas, hoje, já não operam a mesma força.
Fossem os autores das lorotas ditas no programa eleitoral políticos neófitos, poder-se-ia até perdoá-los. Mas, não! Um deles carrega na bagagem quatro anos de mandato como prefeito e um curto período como deputado federal. Mesmo assim, parece não haver aprendido coisa nenhuma.
É, no mínimo, perturbador, que uma pessoa se disponha a torrar dois, três, quatro ou até cinco milhões de reais, em menos de três meses, numa campanha eleitoral. Uma vez eleito, é de perguntar-se o que esse cidadão faria para reaver toda essa dinheirama? São questão como essas que devem pesar no julgamento do eleitor, antes de votar no candidato de sua preferência.
O que se tem assistido no programa eleitoral – com raríssimas exceções – é um verdadeiro festival de vaidades, de tapeação e de busca de vantagens pessoais, quando se esperava dos candidatos, especialmente daqueles que concorrem a uma cadeira de vereador, uma tomada de consciência da brutal realidade municipal.
Eleição é escolha, decisão sobre princípio de vida e engloba tudo que se liga ao futuro da população no contexto de seus princípios básicos. Votar é um ato de consciência que precisa representar não a vontade de grupos dominantes, mas os legítimos interesses da coletividade.
Não é por demais repisar, contudo, que quadros políticos ruins acarretam efeitos deletérios para toda a sociedade. Em política, como se sabe, o que não falta é farsante, dos mais variados matizes.