CASSOL, O COVEIRO, por Ernande Segismundo*

O primeiro mandato do Governador Ivo Cassol foi pródigo em confusões. Mesmo após enfrentamentos tumultuadíssimos, Cassol se recuperou e faturou espetacularmente um segundo mandato ainda no primeiro tu

Publicada em 00/00/0000 às 21:27:00

O primeiro mandato do Governador Ivo Cassol foi pródigo em confusões. Mesmo após enfrentamentos tumultuadíssimos, Cassol se recuperou e faturou espetacularmente um segundo mandato ainda no primeiro turno, fez a maioria quase absoluta da Assembléia Legislativa e, de quebra, fez ainda a Mesa Diretora. Um gênio da estratégia política.

Agora, há apenas sete meses no segundo mandato e praticamente sem qualquer oposição, Cassol cansou da bonança e começa decididamente a cavar a própria sepultura, em atitudes absolutamente autolesionistas.

Primeiro, resolveu atacar a pessoa do Procurador Eleitoral Reginaldo Pereira da Trindade, pelas denúncias e ações eleitorais que aforou contra ele no Tribunal Regional Eleitoral e por azar, um dia depois o Procurador Geral da República apresentou denúncia no Supremo Tribunal Federal por diversos crimes imputados a Ivo Cassol, Expedito Júnior e uma boa representação da Secretaria de Segurança Pública local. Pense numa trapalhada séria...

Mas Cassol achou pouco e resolveu convocar uma entrevista coletiva com a imprensa local exatamente no Gabinete do Presidente do Tribunal Regional Eleitoral, numa atitude deselegante, desrespeitosa e, pior, numa verdadeira afronta não só ao Presidente da Corte, mas a todo o Tribunal.

Isto sem falar que há uma ação eleitoral contra Cassol por alegada compra de votos na eleição passada pendente de julgamento no próprio TRE.

O Presidente do TRE, que não sabia da entrevista coletiva convocada por Cassol em seu próprio Gabinete, bem que poderia dizer aos jornalistas o seguinte: o que vocês estão fazendo aqui no Gabinete do Presidente do TRE se eu não convoquei nenhuma entrevista? Alguém então certamente diria: o senhor não convocou, mas o Governador convocou uma coletiva com a imprensa aqui no seu Gabinete. O Presidente do TRE poderia hipoteticamente retrucar da seguinte forma: Aqui não. Se o Governador quiser falar com a imprensa, que convoque a entrevista então no seu Gabinete e não no meu.

Inimaginável, o réu, utilizando-se do poder conferido pelo cargo que ocupa, convocar a imprensa para uma entrevista no Gabinete do Presidente do TRE para falar mal do Procurador Eleitoral que oficia na mesma Corte. Pense numa outra trapalhada séria...

Trabalhei com o Procurador Eleitoral Reginaldo Pereira da Trindade nas eleições passadas, onde atuei no TRE na defesa da Coligação da Senadora Fátima Cleide, então candidata a Governadora. A maioria das ações eleitorais que patrocinei contra Ivo Cassol e sua Coligação foram julgadas improcedentes pelo TRE e na larga maioria delas o Dr. Reginaldo Pereira da Trindade atuou nos julgamentos e emitiu diversos pareceres contrários às pretensões dos meus clientes. Nem por isso imaginei em nenhum momento que o Procurador Reginaldo agia em franca perseguição aos meus clientes ou tampouco fosse cassolista.

Pelo contrário. Se posso dizer alguma coisa a respeito do Procurador Reginaldo Pereira da Trindade é que se trata de um profissional primoroso, seríssimo e cuja conduta profissional só merece elogios.

Agora, onde já se viu suscitar suspeição de procurador ou de promotor? Suspeição levanta-se contra magistrado, até porque quando o Ministério Público apresenta denúncia criminal ou afora uma ação civil pública contra alguém ele é parte e como parte pretende e luta pela condenação do réu. Obvio e evidente.

Sucede que Cassol confundiu a fragilidade da Assembléia Legislativa passada, atolada até pescoço na delinqüência, cuja maioria dos deputados sepultou nas eleições com um sopro, com a independência e a seriedade do Ministério Público Federal, que deve estar se lixando para o contorcionismo pirotécnico de Cassol contra o Procurador Reginaldo Pereira da Trindade.

Desta vez Cassol errou feio o alvo. Chamou pro centro do ringue um adversário preparado, culto, valente, poderoso e rigorosamente fora do seu raio de pressão e que já enfrentou nos últimos anos no País dragões de bitolas bem mais avantajadas.

Por enquanto, a genialidade de Cassol não funcionou. Pelo contrário, Ivo mostrou que também é bom em matéria de trapalhadas. Provou também que é hábil no manuseio da pá, porque nessa velocidade alcançará logo a fundura adequada da sepultura que poderá enterrá-lo em pouco tempo e ainda poderá levar junto o fiel escudeiro Expedito Júnior. E aí adeus senatoria.

*Ernande Segismundo é advogado portovelhense.