Cassol, Sobrinho e CAERD: a parceria que não funcionou

Por Valdemir Caldas

Publicada em 17/07/2012 às 09:21:00

Em dezembro de 2007, o então governador de Rondônia Ivo Cassol e o atual prefeito de Porto Velho, Roberto Sobrinho (PT), assinaram um Termo de Compromisso Provisório para implantação dos serviços de abastecimento de água e rede de esgoto na capital. Por um momento, muitas pessoas chegaram a acreditar que isso mudaria as suas vidas.

O dinheiro, cerca de 420 milhões, sairia do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), sendo 350 milhões para coleta e tratamento de esgoto e 80 milhões para expansão de rede de abastecimento de água. Caberia à Caerd a tarefa de aplicar os recursos e operacionalizar as obras. O projeto previa cem por cento de água tratada e de coleta de esgoto.

No início, a Caerd andou cavando alguns buracos e enterrando algumas manilhas, mas não passou disso. Uma denúncia no Ministério Público Federal, por suspeita de superfaturamento, teria levado à suspensão das obras. Pesquisa do IBGE de 2010 revela que a maioria da população de Porto Velho respirar fezes e beber água contaminada.

O serviço de abastecimento de água na capital é precário. Isso não se discute. O mesmo pode-se dizer do esgotamento sanitário. E não é de hoje, embora esteja se apresentando com maior visibilidade ultimamente. Mas não se diga, porém, que a culpa é somente da Caerd. Pelo contrário, a empresa até que se tem esforçado para cumprir o seu papel, mas acaba esbarrando na falta de meios pecuniários e de vontade política, porque corpo técnico competente há em seus quadros.

Somem-se a isso as administrações desastrosas e descomprometidas com o histórico funcional da companhia que por lá passaram, transformando-a em cabide de emprego para acomodar cabos eleitorais e apaniguados políticos, prejudicando a qualidade do serviço e o pessoal efetivo.

A esperança da população é a de que o tema volte a ser tratado com a seriedade que merece e as medidas a serem adotadas tenham como base condições efetivas.

É hora de respeitar os interesses dos usuários e de esclarecer, tecnicamente, a situação nesse campo. Até agora, venceram os adeptos da demagogia e do atraso e os que se comportam de forma irresponsável na gestão de um dos principais bens da humanidade, que é a água.

Aos atuais gestores públicos cabe-lhes a tarefa de enfrentar a crise e identificar meios sensatos para superá-la, com a ampla participação de todos os segmentos políticos e, principalmente, da população.

Abastecimento de água tratada e esgotamento sanitário é uma questão de saúde pública. Por isso, soa covarde e cínico, em certa medida, que um problema de tamanha relevância continue sendo tratado dessa forma.