25/12/2011 - 20h31min - Atualizado em 25/12/2011 - 20h31min
Peluso, em nota em que só faltou dizer “vocês não sabem com quem estão mexendo”, ateou fogo em algo que deveria ser comemorado e aplaudido no meio jurídico...
O ano termina com o deplorável corporativismo dos ministros do Supremo Tribunal Federal Marco Aurélio Mello, Ricardo Lewandowski e Cezar Peluso, presidente, que esvaziaram poderes do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e jogaram a magistratura contra a corregedora da entidade, juíza Eliana Calmon.
Numa atuação que a imprensa batiza de “operação liminares”, os dois primeiros foram responsáveis por paralisar a investigação que a corregedoria vinha fazendo no cruzamento da vida financeira de juízes de 22 estados com as folhas de pagamento. Varredura que teve como base dados do Conselho de Controle de Atividades Financeiras, Coaf.
Peluso, em nota em que só faltou dizer “vocês não sabem com quem estão mexendo”, ateou fogo em algo que deveria ser comemorado e aplaudido no meio jurídico: o relevante trabalho da corregedoria do CNJ. Foram encontradas algumas movimentações financeiras suspeitas, no total pouco mais de 1% do universo de mais de 200 mil pessoas (servidores, juízes e parentes) que passaram pelo crivo do Coaf.
Pensam igual a Peluso a AMB (Associação dos Magistrados Brasileiros), a Anamatra (Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho) e a Ajufe (Associação dos Juízes Federais do Brasil). Para as entidades, o CNJ extrapolou atribuições e a conduta de Eliana Calmon foi posta em xeque.
O problema, mostrou o jornal “Folha de São Paulo”, reside na justiça paulista, de onde saíram Peluso e Lewandowski. Parte do estado mais reacionário do país (segundo o jornalista Mino Carta) a revolta contra as providências de uma juíza que declarou haver nas corregedorias do Poder Judiciário “corporativismo ideológico perigosíssimo” que favorece “a infiltração de bandidos de toga”.
Calmon mexeu com peixe graúdo. Se fosse peixe do Amapá, não haveria barulho algum.
Privataria O livro “A Privataria Tucana”, do jornalista Amaury Ribeiro Junior, vai de vento e polpa. A Geração Editorial comemora o sucesso de vendas com novas impressões. Passados mais de 10 anos das privatizações criminosas feitas pelo governo FHC, muita gente nunca soube o tamanho do estrago feito ao Brasil, e agora vai saber.
CPI O duro é que ninguém foi nem nunca será punido. Duvido que, depois de tanto tempo, a CPI do ex-delegado Protogenes prospere. Tem assinaturas suficientes, mas será instalada? E, se instalada, vai funcionar? Em ano eleitoral, mais do que qualquer outro, acordos e arranjos são o que interessam. Foi assim na campanha de 2002, de Lula Paz e Amor, quando a herança maldita do tucanato – incluída a nebulosa privatização – não mereceu registro algum nos programas de TV do candidato petista, totalmente alienantes, apolíticos. E olhem que foi o PT um dos que mais bradaram contra os leilões da Vale, da CSN, da Telebrás etc.
Apagão da juventude Querem enquadrar a juíza Eliana Calmon, mas nada fazem para enquadrar o Estado brasileiro que nenhuma importância dá para a dimensão da violência. Em 30 anos, ela matou 1, 1 milhão de brasileiros. É muito superior a várias guerras somadas, ou ao conflito entre israelenses e palestinos, que já dura 53 anos. Só em 2010 foram mortas 50 mil pessoas, média de 137 por dia. O quadro estarrecedor foi divulgado em meados do mês pelo Instituto Sagari, responsável pela pesquisa Mapa da Violência. O apagão da juventude envelhece o país.
Email: maraparaguassu@amazoniadagente.com.br

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