Dayan Saldanha: Ele atraiu olhares do mundo para Guajará-Mirim
Estamos falando de Dayan Saldanha, o secretário municipal de Turismo e Cultura, que, nessa entrevista, fala de conquistas e desafios para 2012, quando o festival chegará à sua maioridade.

Dayan Saldanha, o secretário municipal de Turismo e Cultura. Foto: Cleilson Sales.
Antes dele, o Duelo da Fronteira era realizado num espaço improvisado ao lado do Clube da PM, com poucos recursos, menor público, e repercussão limitada. Depois dele, o evento passou a ocorrer num bumbódromo, conquistou importantes parceiros, ganhou até destaque internacional, e se consolidou como um dos maiores festivais folclóricos da região Norte do Brasil, atraindo anualmente milhares de pessoas para a cidade fronteiriça Guajará-Mirim. Estamos falando de Dayan Saldanha, o secretário municipal de Turismo e Cultura, que, nessa entrevista, fala de conquistas e desafios para 2012, quando o festival chegará à sua maioridade: 18ª edição.

O Duelo da Fronteira teve divulgação internacional pela Agência de Notícias BBC, da editoria Latin America e Caribbean, com o título: “In pictures: Spectacular Amazon festival in Brazil” (“Em imagens: espetacular festival na Amazônia no Brasil”). Os registros foram feitos pela fotógrafa inglesa Louise Sherwood.
Lucas Tatuí - Há estimativa de que o Festival Folclórico Duelo da Fronteira de 2011 tenha sido prestigiado por cerca de 20 mil pessoas nos três dias de sua realização - metade da população de Guajará-Mirim! À que você atribui esse sucesso de público na 17ª edição?
Dayan Saldanha - Essa estimativa não é oficial, mas acredito que o público de 2011 foi bem perto disso. Sem dúvida, foi a edição de maior sucesso até aqui. Atribuo há vários fatores: ao amadurecimento das duas associações folclóricas, que, pela primeira vez, uniram esforços e foram atrás dos parceiros certos, deixando a rivalidade para dentro da arena; ao planejamento com antecedência e à sensibilidade do Governo de Rondônia, através do Governador Confúcio Moura e o titular da Secel, Chicão Leilson, para que toda a logística para as apresentações e estrutura física do evento estivesse disponível a tempo. Nesse ano trabalhou-se com o melhor em termos de sonorização, iluminação e estrutura física. E a Prefeitura de Guajará-Mirim também exerceu seu papel a contento, mesmo que não dispunha de muitos recursos, mas estávamos em todas as comissões possíveis que o regulamento previa, além dos serviços públicos providos pela Semosp.
Lucas Tatuí - Como você avalia o papel da Imprensa na divulgação do evento?
Dayan Saldanha - Declarei numa outra entrevista que a Imprensa adotou o Duelo da Fronteira. A Imprensa tem cumprido um papel fundamental na divulgação do Festival. Neste ano, contamos com uma excelente cobertura de toda a mídia: escrita, televisiva, on line, radiofônica..., cabendo destacar o trabalho da Redetv/RO, que divulgou o evento para todo o Estado, dando oportunidade para que pessoas que não tiveram condições de se deslocar para Guajará pudessem assistir ao evento de suas próprias casas. Também ocorreu a cobertura feita por uma equipe de Rio Banco, para transmissão num programa de grande audiência naquele Estado. E creio que neste próximo ano teremos mais profissionais do Acre na cobertura. Outro fator importante foi a parceria com o Governo do Estado, através da qual a divulgação foi amplamente reforçada.
Lucas Tatuí - Neste ano o Festival de Guajará já foi comparado ao Festival de Parintins. Não seria cedo para colocá-lo nesse patamar?
Dayan Saldanha - Sim, com certeza. Ainda temos muito a fazer para chegarmos a tal nível. Este ano, inclusive, estive em Parintins a convite da Secretária de Cultura do Amazonas, quando busquei saber detalhes sobre a organização daquele mega evento.
Lucas Tatuí - Quais lições trouxe do festival amazonense?
Dayan Saldanha - Para o sucesso do Festival de Parintins, três fatores são fundamentais: a participação ativa do Governo do Amazonas; um forte patrocinador (em Parintins, depois da entrada de uma grande fábrica de refrigerantes o evento deu um salto significativo); e, por último, mas não menos importante, a participação da comunidade durante o ano todo. Lá no Amazonas eles chegam até a pintar suas casas. Entram no clima da rivalidade saudável entre as agremiações, alimentando essa espécie de magia que há na disputada entre os Bois.
Lucas Tatuí - E o que pôde aplicar no Duelo da Fronteira?
Dayan Saldanha - Em 2011, pela primeira vez, o Governo de Rondônia abraçou o Duelo da Fronteira como realmente deveria, não somente financeiramente, como institucionalmente. E, a exemplo do que acontece no Amazonas, buscamos um maior envolvimento da população. Propusemos um concurso cultural onde cada torcedor manifestou sua preferência com o seu Boi de coração, enfeitando suas casas como forma de dar um "empurrãozinho" nesse clima. Mas ainda temos que buscar pelo menos um grande investidor da iniciativa privada.
Lucas Tatuí - Você vem sendo elogiado pela implantação de uma política de parceria com as associações de Bois, que envolve a organização de eventos além do Festival. Como tem sido essa parceria?
Dayan Saldanha - Considerando o potencial que essas associações têm, e intencionando fazer com que elas tivessem uma rotina de gestão e organização de eventos não apenas no período do Festival Folclórico, firmamos essa parceria na organização de outros eventos importantes do nosso Calendário Municipal. Uma parceria que já vem dando bons resultados, como o sucesso do 9º Encontro dos Filhos e Amigos de Guajará, e o Carnaval Popular deste ano, que teve uma arrecadação recorde de alimentos não perecíveis, que foram distribuídos à população carente do Município.
Lucas Tatuí - Neste próximo ano o Festival chega à sua maioridade (18ª edição), e será o quarto evento na sua gestão. Considerando a experiência até aqui, quais as expectativas para o Duelo 2012?
Dayan Saldanha - Desde 2009, quando organizamos o Festival pela primeira vez no Bumbódromo, apanhamos muito e aprendemos com os erros. Creio que chegaremos à décima oitava edição do Festival em 2012 com uma considerável bagagem e com mais condições de atingirmos um nível de estrutura compatível com a qualidade técnica que os Bois apresentam na arena. Já que o evento cresce a cada ano, nossa expectativa é que em 2012 o sucesso seja ainda maior do que foi em 2011. Para tanto, teremos que pensar numa estrutura de arquibancadas que comportem com segurança até mais do que neste ano.
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Por Lucas Tatuí