Desmonte de quadrilha pela PF abriu caminho para que grupo ligado a Confúcio passe a monopolizar o setor

OVO E MACARRÃO - Sem estrutura e servindo comida de péssima qualidade, Nutri Mais, do empresário George Saíta, agora é quem comanda a área.

Publicada em 01/02/2012 às 15:52:00

Da reportagem do TUDORONDONIA

O desmonte, pela Polícia Federal, de uma quadrilha que agia no setor de fornecimento de alimentação e serviços para hospitais e outros órgãos públicos de Rondônia não impediu a continuidade de negócios milionários, obscuros e suspeitos no âmbito do Governo de Rondônia.

Eliminada a quadrilha supostamente comandada pelo ex-deputado Valter Araújo (PTB), que está foragido, setores do Governo, que já vinham ensaiando assumir esses negócios, se mobilizaram rapidamente e montaram um novo esquema para deter o controle do fornecimento de alimentação para presídios e hospitais públicos em Rondônia.

As articulações foram feitas nos bastidores por integrantes do primeiro escalão do Governo e por pessoas bem próximas do governador Confúcio Moura (PMDB) para que o empresário George Saíta passasse a monopolizar o setor.

Dono, pelo menos no papel, da empresa Nutri Mais, Saíta, que é “amigo” do secretário-adjunto de Fazenda, Wagner Bocão, e do cunhado do governador Confúcio Moura, Francisco de Assis, passou a ser conhecido como o “Rei da Marmita”, dono de contratos milionários , mesmo tendo uma estrutura modesta em Porto Velho.

Entre os segredos da sucessão de George Saíta está a utilização da estrutura do hospital de Base Ary Pinheiro, que lhe cede a mega-cozinha construída pelo Estado, e suas ligações nada claras com Bocão e Assis. 

A empresa Nutri Mais, localizada na avenida Paulo Leal, no centro de Porto Velho, não tem estrutura suficiente para prestar os serviços. Os caminhões da firma, que tem um esgoto na frente, ficam estacionados na rua, atrapalhando o trânsito, enquanto os produtos alimentícios são embarcados e desembarcados, muitos permanecendo também na rua à espera de transporte.

George Saíta, que era garageiro, de repente se transformou num próspero empresário do setor de alimentação. Mas o sucesso repentino do empresário não veio por acaso: durante a campanha eleitoral, ele se aliou ao governador Confúcio Moura, e a aliança política está rendendo dividendos agora.

Saíta cresceu ainda mais com a prisão do notoriamente corrupto Júlio Bonache, outro potentado do ramo que, durante os oito anos do Governo Cassol, monopolizou o setor e ganhou rios de dinheiro fornecendo comida para hospitais e presídios.
Com a prisão de Júlio Bonache pela Polícia Federal durante a Operação Termópilas, Saíta viu o caminho aberto para suas empreitadas e, com o apoio de Francisco de Assis e Wagner Bocão, partiu com tudo para dominar o negócio.

OVO E MACARRÃO Mesmo tendo ganhado contratos de até R$ 3,6 milhões com o Governo, a empresa de George Saíta parece não estar nem aí para a qualidade dos produtos que fornece aos doentes e funcionários dos hospitais. Recentemente o Sindicato dos Servidores da Saúde denunciou que a Nutri Mais está servindo ovo, feijão, macarrão e arroz como única opção de seu cardápio.

Os preços, que anteriormente já eram considerados pelo Ministério Público como superfaturados, subiram com o novo fornecedor. O café da manhã era fornecido a R$ 1,87 e hoje sai por R$ 2,70 e o almoço e jantar de R$ 6,10 foi para R$ 6,37.
Mas o negócio mais obscuro está relacionado á forma como George Saíta ganhou de mão beijada e graciosamente alguns contratos com o Governo.

E aí surge uma empresa de pequeno porte chamada Maria da Silva Chaves EPP, que, sem nenhuma estrutura ou garantia, ganhou uma licitação de R$ 3,6 milhões e, após sagrar-se vitoriosa no certame, abriu mão para o segundo colocado, ninguém menos que o sortudo George Saíta, o Rei Midas das Quentinhas.

Das dez empresas que participaram desta licitação, a maioria é de pasta, ou seja, só existe no papel.