18/01/2012 - 07h48min - Atualizado em 18/01/2012 - 07h48min
O povo é ignorante, mas não é bobo. Um dia começa a entender que, não importa o que se diga, a responsabilidade é do chefe.
A “governabilidade” é uma espécie de habeas corpus da política. Cheira a carta branca a todos os corruptos, maledicentes, maus na essência. É unir, num mesmo saco, gente de todos os tipos, dos que representam o bem – e são cada vez menos – e os que vivem suas vidas só para si mesmos e para o mal. Esse foi o dilema de Lula, para conseguir montar seu governo. E esse é o drama de dona Dilma, uma mulher proba, séria, cheia de planos para o Brasil, mas que corre o risco de perder o rumo em nome da “governabilidade”. Sete dos seus ministros já eram. De partidos diferentes, que compõem a amálgama de um governo que é tão misturado, tão cheio de complexidades, que não se sabe mais exatamente qual sua filosofia. Dilma ainda tem enorme popularidade. Conseguiu ao menos manter os programas sociais para os pobres, a grande de eleitores. Segurou bem as pontas para não deixar seu país entrar no rodo da recessão mundial. Ponto. O que mais? No primeiro ano de seu governo, mesmo com ampla maioria no Congresso, para fazer o que bem quisesse, graças apoio de quase 75% dos congressistas, aqueles que mantém a “governabilidade”, ela fez muito pouco mais.
No primeiro ano, não fossem esses pequenos avanços, sua administração seria marcada apenas pelos escândalos que arrastaram vários representantes da “governabilidade” para a lata de lixo da história. O PAC não andou; centenas de obras estão sob suspeita de superfaturamento; verbas gordas liberadas por seu governo nunca chegam aos pobres, miseráveis e atingidos por catástrofes naturais; as denúncias se multiplicam, mas mesmo assim o país anda. Se arrastando, mas anda. Dilma Rousseff, conseguirá ir longe? Se depender da competência, seriedade e amor ao Brasil dela mesmo, a resposta é sim. Mas se continuar cercada por malandros, safados e associados dos cofres públicos, pode estar cavando sua sepultura no cenário político nacional. O povo é ignorante, mas não é bobo. Um dia começa a entender que, não importa o que se diga, a responsabilidade é do chefe. No caso, da chefe. Daí...
RIO ACIMA
Ausente do primeiro interrogatório na Justiça, por estar foragido, o deputado Valter Araújo, é claro, foi “dedado” por empresários e outros ex-parceiros. A coluna escreveu, há várias semanas, que Valter vai acabar sendo o boi de piranha. Todos os demais vão denunciá-lo como chefe da gangue, como o cara que pressionava e ameaçava pelas ilegalidades e etecetera. Esse filme a gente já viu. Joga-se o boi para as piranhas e o resto do rebanho passa, com risco menor, rio acima.
DEIXA COMO ESTÁ!
Ouve-se que Valter Araújo está por perto; outros falam que está numa fazenda de um amigo (autoridade em Rondônia), no nordeste; alguém jura tê-lo visto jogando num cassino de Las Vegas. Na verdade, não há certeza de onde ele se escondeu. E nem as autoridades têm grande interesse em pegá-lo. Porque, julgado à revelia, pode levar toda a culpa nas costas. Seus parceiros no embroglio também querem isso: que ele fique bem longe, para não abrir a boca e contar o que sabe.
CASOS POLICIAIS
Os chamados movimentos sociais, principalmente os de sem terra em Rondônia, andam convivendo mais com as páginas policiais dos noticiários do que qualquer outra área. No ano passado, um dos grandes líder do Movimento Camponês Corumbiara, o MCC, Adelino Ramos, o Dinho, foi morto com vários tiros. Nesta semana, seu assassino, Ozias Vicente, também foi morto. Fala-se em “queima de arquivo”. Mas queimar o que, se o movimento fosse puramente social? Aí tem...
MENOS AMIGO
Vicente Cambiquira, amigo de Confúcio Moura, poderia ter tido uma trajetória de grande destaque no governo. Mas deixou-se engolir pelas luzes fosforescentes do poder, que sempre atraem e iludem os que não sabem conviver com ele. Sai de um posto chave cercado de críticos, internos e externos do Palácio Presidente Vargas e, ainda, menos próximo do seu amigão de anos. Esse foi um que só perdeu com o poder. E trouxe perdas para os que dele dependiam. Devia ter saído antes.
LÍNGUAS DIFERENTES
Ji-Paraná e a Caerd não falam a mesma língua. A empresa diz que a cidade comandada por José Bianco pode perder 38 milhões em investimentos federais, caso não renova a concessão a ela, Caerd. A Prefeitura e lideranças políticas, como o deputado Jesualdo Pires, querem a municipalização da água.
ÁGUA DE QUALIDADE
Ora, para abrir mão de tanto dinheiro, que não dá em árvore, os representantes de Ji-Paraná só podem estar muito bem embasados no que defendem, porque certamente querem o melhor para a cidade. Torce-se por um acordo e pelo bom senso dos dois lados. Quem não pode perder nada é a população, que precisa de água de qualidade, seja da Caerd, seja da Prefeitura.
O QUE ELES QUEREM...
Pesquisa da CNT/Sensus em 18 países (Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, México, EUA, Portugal, Espanha, França, Itália, Inglaterra, Alemanha, Rússia, China, Japão, Índia, Líbano e África do Sul), entrevistou 7.200 pessoas, sobre quem deveria cuidar da floresta amazônica. Adivinhem o resultado?
NÃO É PARANOIA
Na questão "A floresta deve ser internacionalizada" superou a combinação "Quem cuida da floresta é o Brasil" e "O Brasil deve preservar a floresta de acordo com as regras do país": na França (77% a 23%), na Alemanha (74% a 22%) e no Japão (77% a 19%). Os americanos, pasmem, empataram neste quesito. Mas, no geral, a ação das ONGs internacionais pressiona a opinião pública para que outros países mandem na floresta que é nossa. E não é paranoia!
PERGUNTINHA
Caso faça a reforma ministerial, Dilma Rousseff vai conseguir se livrar de todos os ministros envolvidos em rolos?
COMENTÁRIOS
Postado por MARCUS RAMALHO em 18/01/12 às 16:01
O BRASIL está no caminho certo, você parece que só tem um tipo de leitura(revista veja, istoe, folha, estadao e a grobo.) que aqueles do quanto pior melhor; e sao todos partidarios.
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