Disputa por hidrelétrica vira guerra entre ex-prefeito e empresários em Vilhena

Acusado de danificar equipamentos, Donadon nega ação.

Publicada em 19/06/2012 às 08:52:00


A sociedade do ex-prefeito Melki Donadon (PTB) com os empresários Fausto Moura e Moacir Crocetta, iniciada há seis anos, começou como um negócio promissor na área de energia elétrica, mas depois descambou para briga judicial e, na semana passada, virou caso de polícia.

Os três se uniram para construir uma usina hidrelétrica na área onde, no início da década de 90, o também ex-prefeito Ademar Marcol, que administrou a cidade entre 93 e 96, tentava erguer uma PCH.

Segundo apurou o site, sem recursos para tocar o empreendimento, Melki teria vendido metade do projeto para os novos parceiros. Depois, teria se defeito de outros 17% de suas cotas. Por último, acabou cedendo outros 13% para receber a obra pronta, ficando com apenas 20% do negócio, mas sem precisar arcar com novas despesas. O percentual está em nome de sua mulher, a ex primeira-dama Rosani Donadon

Na última sexta-feira, 15, o advogado da usina, que já estaria em funcionamento há oito meses, registrou queixa na polícia, acusando o ex-prefeito de ter invadido a PCH e danificado equipamentos da casa de máquinas. A notícia de que o suposto invasor teria ido ao local acompanhado por “capangas” foi dada em primeira mão pelo site Extra de Rondônia, que também ouviu o ex-prefeito, que por sua vez negou as acusações.

O FOLHA DO SUL ON LINE entrevistou Donadon na manhã de ontem (segunda-feira, 18) e, embora ele não quisesse dar detalhes sobre a sociedade, negou que tenha ido à usina na data apontada pelos que lhe acusam. Também diz não ter dúvidas de que a denúncia esconde interesses políticos, já que foi feita às vésperas de uma campanha eleitoral da qual participará, concorrendo ou apoiando algum candidato. “Todo mundo sabe que não sou violento. Os únicos ‘capangas’ que me acompanham quando vou lá são meus quatro filhos”, brincou.

O ex-prefeito disse que, mesmo sendo sócio do empreendimento, recentemente fez denúncia na Sedam, através da esposa, Rosani, apontando o risco de a usina estourar e provocar até mortes. Ele lembrou que o mesmo tipo de incidente aconteceu com a PCH construída no rio Apertadinho, cujo rompimento provocou alagações até na cidade de Pimenta Bueno. “Quero me resguardar quanto a eventuais responsabilidades ambientais, porque não tive participação na construção da barragem”.
ENTENDA A BRIGA – Por causa de problemas na construção da barragem, executada por um dos sócios do negócio, o empresário Fausto Moura, a obra teve que ser refeita. Melki alega que o percentual que cedeu para custear o serviço deveria lhe garantir o recebimento de dividendos quando a geração de energia começasse, e que eventuais problemas deveriam ser sanados pelos outros associados, que ficaram de realizar o serviço. Garante que não embolsou um único centavo até agora, oito meses após o início das operações.

Conforme apurou a reportagem, um empréstimo bancário teria sido feito para financiar a reconstrução da barragem. A parte de Melki no projeto também teria sido dada em garantia, mesmo sem sua autorização. Com isso, parte do pagamento pela energia fornecida estaria sendo retida para quitar o empréstimo.

O ex-prefeito foi à Justiça para que os sócios apresentem documentos referentes às obras realizadas e exibam as prestações de contas dos débitos e das receitas. Ele garante que não tem intenção de vender sua parte, mas quer receber os dividendos a que diz ter direito.

O FOLHA DO SUL ON LINE abre espaço para que os outros sócios da PCH Marcol se pronunciem em relação ao episódio e aguarda contato deles ou de seus representantes para publicar o outro lado da história.



Fonte: FS
Postado por: Dimas Ferreira
Autor: Da redação