Em Linhas Gerais: do jeito que a coisa anda, PMDB será carta fora do baralho em 2014

Gessi Taborda

Publicada em 17/05/2013 às 17:30:00

[email protected]

OBSTÁCULOS


Não tenho motivos para mudar minha convicção sobre a disputa de 2014. Certamente o PMDB vai, novamente, ficar fora do poder estadual. Não será com Confúcio que o partido vai conseguir a reeleição. A disputa do próximo ano não está tão longe como se imagina e os obstáculos à frente de Confúcio (greves e mais greves) estão apenas começando. O governador está contando com o substancial empréstimo do BNDES para virar o jogo. É dinheiro carimbado. Muito arriscado se for usado para fins eleitoreiro. E com o time de assessoramento à sua disposição, o governo não tem muitas opções para mudar as características de optar pelo retrocesso, demorar muito para pegar o espírito da coisa e sair da marcha lenta (quase parando) na concretização das ações fundamentais ao desenvolvimento sustentado do estado. E tem mais: se confirmada uma disputa novamente em segundo turno, as oblações filosóficas serão convertidas num mar de lágrimas.

ATRASO

Toda a infraestrutura de mobilidade urbana de Porto Velho está com um atraso maior do que os anos de vida da própria da cidade. É uma gozação apresentar a idéia de mudar o sentido do trânsito na avenida Sete de Setembro como uma “modernização”. E não será com mais uma empresa atuando no transporte coletivo que essa “modernização” vai chegar. Desse jeito essa situação jurássica não vai mudar nada. Vivemos novos tempos. Até metrô é coisa ultrapassada. Se Mauro Nazif fosse um prefeito arrojado e a favor da modernização estaria falando, isso sim, de alguma coisa como o aeromóvel para interligar os bairros da cidade.

RADICALISMO

Quando somos surpreendidos por informações de que nem os anciões abrigados pelo estado na Casa do Ancião escaparam da exploração, da humilhação e da pilhagem de servidores públicos – incluindo-se na lista dos denunciados pelo Ministério Público até a moça colocada lá como diretora pelo chefe do Executivo. Quando ouvimos notícias de que o governo vai gastar uma nota preta para fazer festa eleitoreira (enquanto pipocam greves de servidores por todos os lados) para lançar pacotes de obras, nos convencemos de que sem radicalismo por parte do povo nada vai mudar na condução das atividades do poder público em Rondônia. E esse radicalismo ainda está longe de acontecer.

INTOCÁVEIS

Nossas mais legítimas lideranças não devem continuar caladas diante das gestões fraudulentas; de políticos corruptos, que como uma nova classe de intocáveis não podem ser apanhados pelos tentáculos da Justiça, muitos cumprindo mandatos sucessivos, impunes pelos crimes prometidos. O estado rondoniense está cansado de administradores públicos corruptos. Mas não há nenhuma garantia de que em 2014 ficaremos livres dos políticos que formam movimento entre eles para a prática da corrupção.

O povo ainda vota mal; ainda submete-se à manipulação preconceituosa de lideranças que se aliam aos poderosos do momento, para a prática do desvio dos recursos e do tráfico de influência que aviltam as concorrências em troca de comissões.

DEMOLIDO

Bem no princípio da Estrada de Santo Antonio, defronte a uma clínica oncológica, ainda está de pé o prédio construído com doações de milhares de cidadãos de Rondônia, e também com dinheiro público e da iniciativa privada, prometido para ser o primeiro hospital do câncer da capital.

O prédio, nunca acabado, é fruto de um dos maiores engodos inventado pela máfia de branco dessa cidade. Reflete como são atuantes, em Rondônia, os agentes da improbidade. E como não são punidos, “os poderosos” desavergonhadamente ainda invocam a presunção de inocência.

Ninguém sabe onde foi parar a montanha de dinheiro “doada” por quem acreditou que ali estaria funcionando um hospital oncológico. Ninguém foi minimamente punido por enganar a população. Os autores do golpe estão esquecidos. Poderão até voltar para roubar mais e certamente terão sucesso nesse estelionato.

NEM A UNIR

Depois de tentativas de aproveitamento daquele “hospital” até por parte do governo, descobriu-se que seria impossível, “pois ele foi construído em área do Exército”, de forma totalmente irregular.

Finalmente, na busca de um final feliz, cogitou-se de sua transformação em hospital universitário da Universidade Federal de Rondônia.

A idéia não vingou. Não havia como fazer do monstrengo algo aproveitável. Agora corre a informação de como será o fim daquele monumento aos espertalhões acostumados a tomar o dinheiro do povão: vai ser demolido e ponto final.
E os autores daquela vilania não serão responsabilizados pela prática do golpe. Alguém certamente deve estar feliz com a impunidade reinante nesse pedaço de Brasil.

CANDIDATO

Não será surpresa se o presidente da Câmara Municipal de Porto Velho, Alan Queiroz, decida mesmo disputar uma vaga para a Câmara dos Deputados, no ano que vem. Tem muita gente achando que seu perfil orna bem com um cargo no Planalto da República.

DANDO CONTA

Canais de interlocução do PT com outros partidos visando as eleições de 2014, segundo fontes, querem que o nome de José Neumar seja analisado para uma disputa majoritária. Entendem que Neumar tem preparo suficiente para dar conta do recado, especialmente porque nesse tempo todo do partido no poder manteve sua ficha limpa, quase completamente alva.