Em Linhas Gerais: Enquanto meninas do Pará dão um show de talento, nossa Casa de Cultura continua servindo apenas de cabide de emprego
Gessi Taborda
[email protected]
MÚSICA DE VERDADE
Domingo, dia das mães, quem ganhou o melhor presente fui eu, graças ao Aldrin que moço ainda sabe encontrar as melhores manifestações de cultura. E foi assim: na noite do domingo, lá fui eu para um inesquecível encontro com a música de verdade, no tablado do SESC.
Tenho o maior orgulho em dizer isso: o Aldrin não é apenas um moço com preocupações de ordem política e social republicana e filosófica. É daqueles caras infensos às porcarias baianas expostas como música, esse tal de “eu quero tchu, eu quero tcha”. Esse meu filho é do baralho: gosta do melhor da música, adora espetáculos verdadeiramente folclóricos e conhece os grandes compositores do Brasil e do mundo e não cai na esparrela da música mercantilizada. Aliás, estou pegando esse viés para registrar com orgulho, mais um aniversário que o Aldrin comemorou na segunda-feira dia 13 de maio.
CHARME DO CHORO
Pois é, foi o Aldrin Willy Mesquita Taborda quem me levou ao SESC onde vi seis moças lindas executando chorinho de qualidade. Que pena que nossas autoridades não sabem nem mesmo anunciar uma oportunidade dessas para que o nosso povo pudesse ir beber na melhor fonte, saindo de lá com a renovada esperança de que nem tudo – apesar dos mocorongos da nossa política e até da nossa cultura – está perdido. Um espetáculo digno de cidade grande. Completamente grátis e nem assim com a atração de um grande público, certamente por falta de divulgação.
Vivendo nessa cidade de Porto Velho, onde a cultura e a educação estão visivelmente em colapso, onde as manifestações ditas culturais são apenas manipulações (em praticamente todas as formas de artes, mas especialmente a música) muito deterioradas, me senti premiado com a apresentação desse grupo de seis moças do Pará, integrantes do "Charme do Choro".
JEUNESSE DORÉE
A performance de Jade Moraes, Bandolim e Violino, Rafaela Bittencourt no Pandeiro; Carla Cabral no Cavaco; Laíla Cardoso , Violão; Camila Alves no Violão 7 cordas e Dulci Cunha na Flauta não apenas construíram o irresistível charme de chorinhos imortais e novos (composições delas mesmo), bem como demonstraram elas próprias que mulheres charmosas, jovens e lindas, dotadas de talento verdadeiro não precisam apelar para modismos (como tatuagens e piercings) para serem aplaudidas de pé e encantar. O sexteto mostrou do que é capaz. Deu destaque a compositores como Jacob do Bandolim, Chiquinha Gonzaga, Pixinguinha, Luiz Pardal, Adamor do Bandolim e Sebastião Tapajós. O sexteto se apresentou pelo Projeto SESC Amazônia das Artes. Tomara que outras iniciativas dessa qualidade venham a acontecer e, da próxima vez, com mais cobertura de mídia para que a grande massa da capital tenha acesso à boa música.
POLÍTICA CULTURAL
O Charme do Choro é conseqüência das políticas culturais desenvolvidas pelo governo paraense. É uma pena que nenhum membro do governo municipal ou estadual apareceu lá pelo SESC para assistir o inesquecível espetáculo. Perderam uma oportunidade para dizer aos governantes rondonienses que a cultura não pode ficar nas mãos de qualquer um. Essa falta de discernimento faz com que Porto Velho tenha uma “Casa de Cultura” servindo apenas de cabide de emprego e nada mais.
SEM FAZER NADA
Enquanto os cargos do segmento da cultura estiverem sendo ocupados por pessoas sem discernimento não haverá respeito com a cultura da cidade e coisas como “orquestra sinfônica”, clubes de choro, grupos teatrais, pinacoteca e por aí afora não serão encaradas como prioridade.
E assim o pessoal continuará ganhando seus estipêndios sem fazer nada; sem ao menos comparecer a recitais e apresentações como a acontecida na noite do último domingo para descobrir o que é cultura musical e não ficar acreditando que essa droga de carnaval fora de época tem alguma coisa a ver com cultura.
GOLPE CONTRA RAUPP
Que o senador Valdir Raupp é hoje mais um grande milionário no estado de Rondônia não é novidade para ninguém. Talvez, por isso, o barbudo senador do PMDB não tenha feito nenhuma manifestação sobre a ação de um (ou quadrilha) estelionatário em Cacoal. Vazou nessa semana essa estória do golpe. Eles (ou ele) teriam falsificado a assinatura do senador e, com documentos forjados, vendido uma residência de propriedade de Raupp, em Cacoal. O imóvel avaliado em mais R$ 400 mil foi vendido a preço de mercado. Pelo que vazou, houve participação de gente próxima ao senador no golpe. Não se sabe como anda a investigação e nem Raupp ou Marinha falaram coisa alguma. Preferiram acompanhar a visita do (ainda) diretor geral do DNIT e impedi-lo de ver um vídeo mostrando a situação de calamidade de rodovias federais nesse sempre desprezado estado rondoniense.
ATÉ OS ANCIÃOS
Pô, até a moça bonita colocada para tomar conta da Casa dos Anciãos decidiu surfar na maionese. Esse governo não acerta nem asilo, por abrir espaço para pessoal acostumado a tomar até pirulito de criança. Não é possível que a moça, linda até de aparelho nos dentes, fique tripudiando com seu sorriso contra os velhos que são “aliviados” da merreca que recebem de aposentadoria. Alguém precisa investigar esse assunto e meter mais integrante da corte confuciana na cadeia.
GREVE PIPOCANDO
Não imagine que o governo vai aliviar o seu lado com a enxurrada de propaganda na televisão. A sucessão de greves pipocando no estado, nas áreas mais sensíveis, como a segurança, a educação, saúde, mostra que servidores vão marcar sob pressão o governador. E, não esqueçamos, Confúcio chegou ao governo principalmente com o apoio dos servidores, crentes de que ele seria o homem da mudança, que valorizaria os servidores do estado. Vai ser difícil manter esse apoio procurando reduzir vencimentos (especialmente de barnabés), exatamente quando o governo receberá algo em torno dos dois bilhões do BNDES.