Em Linhas Gerais: o clímax do colarinho branco: pegos com a boca na botija, políticos vivem numa boa sem nada temer

Gessi Taborda

Publicada em 03/05/2013 às 17:44:00

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IMPUNIDADE AMPLA
A tranqüilidade dos personagens de escândalos e corrupção no setor público rondoniense com a vida futura é típica do apogeu da impunidade para os chamados “crimes de colarinho branco” em nosso estado. Só para ilustrar esse comentário: José Batista da Silva, preso pela Polícia Federal no escândalo da Secretaria de Saúde estadual, está numa boa. Recebe gordos estipêndios e não precisa fazer nada. Tem proteção de um deputado da região de Ji-Paraná.

E ainda tem o caso de Bob Ali-Babá, também recebendo um monte de dinheiro sem, claro, ter de fazer nada. Talvez só assinar o ponto no gabinete de sua pupila. Ambos, Batista e Bob Ali-Baba, são denunciados por desvio de milhões de reais dos cofres públicos...

Por isso não é nada surpreendente os “privilégios” garantidos a um campeão da bandalheira que sugou milhões de reais do erário, como o presidiário Mário Calixto. Nem Alphonse Brown Capone conseguiu tamanho privilégio, nos Estados Unidos, depois de ser colocado em Alcatraz.

Mas nessa “republiqueta” da insensatez ética, o “carcamano” da comunicação (que deveria estar no Urso Panda) finge cumprir pena “num apartamento de cobertura” como hóspede de um “cardiologista” milionário que de tempos em tempos entra na disputa eleitoral para ampliar seu ranking de derrotas.



LEI DA VANTAGEM
E quando surgem nomes de ilustres investigados, denunciados e até sentenciados como Marco Donadon, Carlão de Oliveira, e tantos outros políticos que flanam por ai como se não tivessem culpa no cartório, não nos resta senão a velha sensação de que em Rondônia ninguém é punido por meter a mão no dinheiro público.

Os maiores corruptos da política rondoniense são pessoas que não viram Rondônia como um estado a ser construído com dignidade. Essas pessoas entraram na via pública em busca do enriquecimento fácil. Viram no governo e nos cargos políticos o meio de fazer fortuna rápida. Ainda hoje a política rondoniense atrai muitos aventureiros sem valores morais sólidos (a começar pelos valores de família), prontos para adotar a conduta da “lei da vantagem”, principalmente por acreditar na impunidade como praxe nesse estado.



OS 100 DIAS
A ausência do prefeito Mauro Nazif na reunião com os vereadores para exposição do que foi os primeiros 100 dias de sua gestão à frente do município de Porto Velho, fala por si só. O município da capital não tem o que comemorar, pois não existe nenhum fato positivo e digno de qualquer comemoração. E passados os cem dias de Mauro Nazif na prefeitura, o que sua equipe mais fez foi reclamar do “excesso de chuvas”.

Nesses cem 100 dias, a única mudança visível no panorama da cidade é “acampamento” de sem tetos (despejados de área do Jardim Santana) sobre os “jardins” da prefeitura municipal, no centro da cidade.

Na reunião de secretários do prefeito com os vereadores, ficou claro que a tradição está mantida: a adesão da maioria dos vereadores à bancada de apoio ao prefeito, com a oposição mais uma vez exercida sem coordenação e sem projeto claro.



INSOSSA
Os primeiros 100 dias do novo prefeito sinalizou uma gestão insossa, sem nenhuma vocação para realizar as mudanças prometidas durante a campanha. Nem como muito boa vontade dá para visualizar uma realização ou sentir a sensação de renovação. A administração do dr. Mauro está com o freio de mão puxado. Quem anuncia grandes obras no município não é o prefeito, e sim o governador. É Confúcio quem está prometendo a torto e a direito, como o asfaltamento de centenas de quilômetros de ruas de Porto Velho e até a implantação de equipamentos comunitários (praças ajardinadas, áreas de lazer) espalhados pela capital (Ué! Isso não é papel de prefeito? Então Confúcio também não bota fé em Mauro e por isso vai usurpar a sua competência?), tudo isso porque 2014 está ai e se nada for feito, Confúcio sabe como será a postura do eleitorado nas urnas.



ESPERANÇA
O prefeito Mauro Nazif foi eleito como a esperança de renovação, mudança, progresso, mas, infelizmente o que se viu durante os seus primeiros cem dias foi decepcionante. A cidade continua tomada pelo mato (até nas áreas centrais), ruas escuras, esburacadas, calçadas bloqueadas e dominadas pelo comércio marginal; principalmente vendedores de produtos piratas, praças sem nenhuma estrutura (falta de banheiros a bancos, e até iluminação). E as medidas para acabar com isso nem dependem de gastos. Basta vontade política e a força da caneta, o cumprimento da lei que Mauro reluta em fazer.

Se não tira das calçadas os camelôs e a pirataria, como acreditar que o novo prefeito vai resolver a questão da falta de medicamento nos postos de saúde; da coleta de lixo domiciliar deficiente, das estradas vicinais abandonadas.



BEBEDEIRA
Existe no andar de cima da administração municipal um secretário realmente forte. Ele já encarou vereadores e não sofreu nem uma reprimenda do chefe da administração. Na sua pasta, o pessoal vive aos sobressaltos diante do mal humor do chefão.

Mas nada abala a força do prestigiado aríete do prefeito. Nem o recente envolvimento do super-secretário numa ocorrência de trânsito onde foi pego dirigindo alcoolizado deu qualquer dor de cabeça para o “cabeça coroada” da prefeitura. O fato ficou fora da crônica policial.



SENADOR CONFIRMA
Ao falar sobre a audiência de conciliação no STF que tratou da “Dívida do Beron”, o senador Acir Gurgacz, numa visita ao deputado José Hermínio, destacou: “Agora o Banco Central tem 30 dias para se posicionar e apresentar uma proposta final. Mas fiquei feliz em saber que começou a se discutir o fim desta divida em termos reais. Com certeza Hermínio tudo isso se deve ao senhor. Se não fosse você esta discussão não teria acontecido”, reforçou.