Em Linhas Gerais: Rondônia discriminada nos centros do poder e a conivência com a propaganda enganosa do governo

Gessi Taborda

Publicada em 29/04/2013 às 12:55:00

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RONDÔNIA IGNORADA O presidente nacional do PMDB do vice-presidente Michel Temer é de Rondônia. E mesmo assim o estado não recebe a atenção que deveria e acaba sendo discriminado pelo governo federal. A prova disso pode ser constatada em todos os pontos do estado. Há quase uma década o estado aguarda a conclusão das obras do IFRO (na avenida Calama) e lá estão elas, mais uma vez, paralisadas.

As promessas são feitas, criam-se falsas expectativas, e na verdade tudo gira em torno do bate-boca pré eleitoral e as obras nunca terminam, nem após o depósito dos votos nas urnas. Basta ver as manchetes ou relembrar os discursos proferidos pelos políticos da bancada federal nos anos eleitorais de 2002, 2006, 2010 e, agora, 2013 para ver como isso é verdade.

Nessa longa temporada Brasília prometeu e reprometeu deixar nossa BR-364 como um tapete, e tudo não passou de algumas ações de tapa-buraco que nem como paliativos servem mais às necessidades econômicas rondonienses.

Outro caso vergonhoso: a implementação do programa de saneamento básico para todo o estado, com garantia de 100 por cento de água tratada e rede de esgoto em Porto Velho. Outra promessa antiga, sempre renovada em anos pré-eleitorais e no decurso da campanha.

A tão reclamada ponte do Abunã, fundamental para dar conseqüência econômica à ligação rodoviária com o Pacífico, através do Peru.

Em todas essas situações, os políticos rondonienses só reclamaram de acordo com as suas conveniências. Até mesmo na longa novela da “Transposição” que mesmo em seu epílogo ainda parece uma charada da esfinge.

Praticamente não se ouve a bancada federal, ou a do Senado, reclamar aqui ou brigar lá por essas demandas. Uns não o fazem porque são aliados governistas, outros por cuidarem da própria sobrevivência política. Neste 2013, a 17 meses das eleições presidenciais de 2014, anteciparam a campanha, as promessas e a guerra política também sobre as mesmas faltas e descaso com os rondonienses. E ai tome novas promessas, até sobre uma nova ponte, dessa vez ligando a brasileira Guajará à sua irmã boliviana, Guayará-Merin.


CONIVÊNCIA Deve ser por culpa da correria que vivemos. Por isso falta-nos a velha imprensa investigativa dos tempos em que fui editor de profissionais da qualidade do Montezuma Cruz, do Martinez e de mais um time do qual a imprensa rondoniense se ressente nesse período pós-internet. Hoje, o governo lança uma propaganda claramente enganosa na TV e ninguém na grande mídia demonstra interesse em investigar, ou pelo menos analisar, números, discursos e fatos, para mostrar como são enganosas essas enxurradas de propaganda.

Foi por isso, no passado recente, que toda a propaganda do prefeito Bob Ali-Babá resultaram num choque quando tudo que foi anunciado acabou na imensa manada de elefantes brancos que, irritantemente, lembra todos os dias os moradores dessa capital (especialmente quem tem de sair da zona sul para chegar ao centro) o custo de se deixar levar por políticos mequetrefes sustentados pela mídia. “A maior obra viária urbana” (como anunciavam outdoors) não passou de imensa enganação que enriqueceu meia dúzia e deixou o povo nesse sufoco que não tem dia para acabar.

AGORA Realmente diante da propaganda que o governo faz lastreado nos dois bilhões de empréstimos do BNDES faz surgir pulgas atrás das orelhas de quem verdadeiramente espera não viver novas táticas de enganação aplicadas por quem deveria gerir nossa economia com responsabilidade.

De duas uma: ou o governo está mesmo sem dinheiro e pretende utilizar o empréstimo mais que bilionário feito em nome da população para tentar reverter seus altos índices de desaprovação, ou manter a terceirização do serviço de segurança acrescendo muitos milhões para a alegria da empresa ligada ao ex-senador Expedito Júnior é uma imensa irresponsabilidade, sobre a qual o governo tem de ser responsabilizado por jogar dinheiro público em esquemas sem explicação.

Agora mesmo, graças à existência de um deputado (José Hermínio) sem medo de fazer oposição e declarações que não são meras perfumarias, estamos sabendo sobre o colapso da Segurança Pública, onde se tornou praxe viaturas não poderem ser utilizadas pela prosaica falta de, isso mesmo, combustível ou até de acessórios como pneus.

Aliás, ouvi nesses dizer, nesses dias, que por falta de transporte de presos, algumas audiências em varas do judiciário estão sendo canceladas ou remarcadas, porque os presos a serem ouvidos não chegam na sede dessas varas.



OJERIZA BOBA As denúncias quase sempre formuladas pelo deputado José Hermínio (a maioria dos outros deputados prefere ficar do lado que a vaca deita) são claras: o governo anda mesmo sem dinheiro para suprir as necessidades mais básicas do custeio ou carece de gente capaz de dirigir, respeitar a logística, gerenciar as prioridades para evitar danos maiores.

É claro que ninguém torce pelo desastre de governo nenhum. Afinal, da qualidade da gestão dependerá o futuro para nossos filhos e netos nascidos em Rondônia.

Portanto, aqueles que torcem o nariz para as críticas de quem não tem rabo preso com o governo não passa de uma ojeriza boba. O governo rondoniense é o grande responsável pelo caos econômico em que o estado se debate.



PEC 37 A coluna já manifestou sua posição contra a tal PEC37, conhecida como “PEC da Impunidade”, que tira o poder de investigação dos ministérios públicos estaduais e Federal. Caso seja aprovada, praticamente deixarão de existir investigações contra o crime organizado, desvio de verbas, corrupção, abusos cometidos por agentes do Estado e violações de direitos humanos.

A grande pergunta é: a quem interessa proibir o MP de investigar? Você, caro leitor, que é médico, engenheiro, pedreiro, frentista, taxista ou jornalista, já foi prejudicado por uma investigação de promotor? De outro lado, você já viveu momentos de alegria, de acreditar no Brasil, ao ver jovens promotores enquadrando empresários safados e políticos corruptos?