11/08/2012 - 12h45min - Atualizado em 11/08/2012 - 12h45min
No final, oito dos nove candidatos à prefeitura de Porto Velho assinaram um termo se comprometendo a ser éticos.
Da reportagem do Tudorondonia
Porto Velho, Rondônia – O assunto era sério, mas algumas gafes e o bom humor de diversos militantes do PT transformaram em algo divertido a solenidade realizada no auditório da OAB no início da noite da última sexta-feira (10). Em pauta estava a ética e o combate à corrupção eleitoral.
No final, oito dos nove candidatos à prefeitura de Porto Velho assinaram um termo se comprometendo a ser éticos.Os risos começaram logo no início da solenidade, aberta pelo presidente da OAB, Hélio Vieira. Ele falou menos de dois minutos, dizendo para os candidatos não comprarem votos nem partirem para campanhas abusivas. Então arrancou as primeiras gargalhadas ao falar da ética. Afirmou que a sociedade brasileira já a defendia há muito tempo, desde a Grécia antiga.“Sociedade brasileira na Grécia antiga?”, indagou um petista em voz alta, em meio aos risos.
Hélio Vieira terminou rapidamente o discurso e passou a palavra para o candidato Mário Gonçalves, o Mário Português (PPS), da coligação “A Mudança É agora”.Ele afirmou ter entrado na política justamente por não concordam com a falta de ética e com a desonestidade. Acabou citando o mensalão, o que agitou parte dos petistas que acompanhavam a solenidade. “A maioria dos candidatos diz que não gastou nada. Isso é ética? Vou contratar esse pessoal para me ajudar. São mágicos. Eu estou gastando o meu dinheiro”, afirmou, arrancando aplausos.
Logo em seguida petistas deram o troco. Mário Português afirmou que renunciaria à candidatura se provassem que ele estava dando alguma coisa. “Não dou frango, não dou queijo”, afirmou. Então alguém do grupo petista arrancou risos ao gritar: “Nem gasolina?”. O candidato garantiu que não dá nem gasolina (em troca de votos).Mariana Carvalho (PSDB) disse ter 25 anos e dois cursos superiores: Direito e Medicina.
Ela afirmou ser uma pena que a ética só seja tratada em época de campanha eleitoral. De acordo com a candidata, é algo que deveria estar presente no dia a dia de todo político.O terceiro a falar foi Lindomar Garçon (PV). O candidato explicou ter 22 anos de vida pública, tendo sido presidente de Câmara de Vereadores, prefeito e secretário de Estado. Ele afirmou que jamais trocaria apoio político em troca de nomeações para cargos públicos em caso de vitória.
Aluízio Vidal (PSOL) é pastor, psicólogo e professor. Ele disse que teve uma reunião de família quando decidiu se candidatar, e sua filha lembrou que sempre falou bem dele na escola, e pediu para que ele não se manchasse. “Temos coligações que se formaram em meses. Mas tem algumas formadas em dias e outras em horas. Isso é ética?”, indagou.Mário Sérgio (PMN) foi outro que arrancou risos. O candidato afirmou que muitas propostas que geralmente são apresentadas não são de competência do prefeito e outras são impossíveis de ser executadas. Ele até que estava indo bem, até começar a falar das deficiências no município. Falou de asfalto e saneamento. De repente alguém do grupo petista gritou: “iluminação pública”.O candidato Mário Sérgio era presidente da Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano (Emdur), responsável dentre outras coisas pela iluminação pública de Porto Velho.
O médico José Augusto (PMDB) leu seu discurso. Havia coerência, mas ele atacou violentamente seu próprio partido, a citar pacientes no chão no Pronto Socorro João Paulo II. Depois deixou claro que em sua visão falta competência aos auxiliares do governador, afirmando que nem precisaria aumentar o número de leitos, bastando que diretores de hospitais mantenham pacientes por menos tempo internados.Diante disso alguém do grupo petista gritou que ele estava jogando contra o patrimônio, atacando seu próprio partido. Outro gritou o (o governador) Confúcio (Moura) deveria estar na solenidade, para nomear José Augusto secretário da Saúde.
A candidata do PT, ex-senadora Fátima Cleide, citou as realizações de seu partido, principalmente em nível nacional, destacando o combate à pobreza. Ela garantiu que dará continuidade às obras de infraestrutura e investirá no social. Quando Fátima Cleide disse que alguns setores precisam de investimento, como asfalto, simpatizantes dos demais candidatos deram o troco. Foi uma grande algazarra.
Hélio Vieira interveio pedindo para que fosse garantida a palavra a Fátima Cleide.Mauro Nazif (PSB) foi o último a discursar e arrancou risos logo no início, ao agradecer o trabalho espontâneo dos simpatizantes. Petistas lembraram que para trabalhar para Nazif é preciso ser algo espontâneo, porque o candidato é conhecido por ser extremamente “pão duro”.No final da solenidade, após muitas gargalhadas, os oito candidatos assinaram um documento se comprometendo com a ética na política. Não compareceu ao evento o candidato do PSTU, Jaderson Silva.
COMENTÁRIOS
Postado por JOAO PAULO FERREIRA em 13/08/12 às 16:08
Em matéria desse site de noticias sobre o candidato que não queria devolver carros de som, publicada no dia 08/07, reportei-me quanto à desistência do referido candidato, e oportunamente foquei minha opinião na ética que todos resolvem pregar em período eleitoral/eleitoreiro, especificamente na questão de apenas se discutir propostas e planos de governo, e como disse, será que existe ética em partido que compra/vende tempo de propaganda gratuita de outro partido? Também tem candidato a cargo majoritário que embora seu partido não venda “tempo de propaganda” para outro partido, mas querendo apenas solidificar seu nome da mídia visando futura eleição proporcional, faz coligação branca, e entra para falar mal do concorrente em beneficiar do candidato principal (patrocinador), a exemplo do que faz o pt em sp (basta observar a atitude de Russomano e outros nos debates). Ocorre que o candidato principal (aquele que compra os outros partidos e/ou candidatos) deve parecer aos eleitores que é muito ético, que somente apresenta propostas em sua campanha e tá sempre clamando por campanha eleitoral de alto nível, pois geralmente são candidatos que tem muito pra esconder do eleitor desatento, sendo que propostas são apenas propostas e não há nada de ético nisso (o eleitor deveria ser conscientizado desde a primeira infância, nas escolas e etc. para se interessar e saber mais sobre o processo politico, sobre gestão publica, avaliar e comparar o passado politico dos candidatos, etc.). Na verdade, os marqueteiros descobriram que para ganhar uma eleição nunca se deve “falar mal” do concorrente, o que é bastante ético, só que essa ética foi colocada de lado para a entrada do candidato laranja que vai desempenhar esse papel “feio” em seu lugar, especialmente no horário gratuito e nos debates da tv. Também, comentei sobre a ética de candidatos da eleição proporcional (vereadores), que não tem compromisso exclusivo com nenhum candidato majoritário (prefeito), nem quando de seu partido ou coligação, até porque se o futuro prefeito for de oposição vai ter que chama-lo pra negociar mesmo (no atual mandato vereadores do pv e até do psdb estavam a serviço e comprometidos com os desmandos do atual prefeito). Candidatos a vaga na câmara municipal querem ganhar a eleição, custe o que custar, e pra isso precisam de apoio logístico e de grana pra tocarem suas campanhas particulares, não importa de onde venha o apoio, independentemente desse apoio, eles dançam conforme a música que toca em suas reuniões com a comunidade. E como disse antes, nosso processo democrático é uma eterna viagem pela via ética.
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