Enquanto sobram candidatos, faltam propostas

Por Valdemir Caldas

Publicada em 05/07/2012 às 16:44:00

É impressionante a quantidade de postulantes ao cargo de vereador de Porto Velho. São tantos que, às vezes, um chega a pedir o voto do outro e acaba ouvindo a resposta de que “eu também sou candidato.” O mais estranho é que muitos já se apresentam aos eleitores, desde já, como seus salvadores, distribuindo promessas as mais estapafúrdias.

Há candidatos para os mais variados gostos. Temos o representante dos cornos, dos homossexuais, dos invasores de terras, dos comerciantes, dos empresários, do esporte, dos vigilantes, dos servidores públicos, dos negros, dos índios, dos descamisados, dos policiais (militares e bombeiros), dos aposentados e das viúvas pobres e desamparadas. Faltam as representantes das prostitutas, das mulheres traídas e das sogras rejeitadas pelos genros.

Alguns, inclusive, têm a cara de pau de jurar, por todos os santos, que possuem soluções milagrosas e indolores para os problemas crônicos que afligem a população, seja no campo da saúde, da educação ou do transporte coletivo. E o pior é que muita gente ainda acredita nos farsantes, travestidos de bons moços.

Recentemente, o ex-deputado federal e candidato do PV à prefeitura de Porto Velho, Lindomar Garçom, usou a tribuna da Câmara Municipal, durante audiência pública para se discutir a situação dos chacareiros, ameaçados de despejos, e garantiu possuir a fórmula mágica para acabar de uma vez por todas com os grandes latifundiários urbanos, pois, segundo ele, fez isso quando foi prefeito de Candeias do Jamari. E a maioria das pessoas que estava ali acreditou na lorota.

Não é por demais repisar, contudo, que as más representações e governos incompetentes é que deram causa aos desmandos e desonestidade de que se têm notícia, principalmente nos últimos dez anos. O caso da Assembléia Legislativa de Rondônia é emblemático. Por isso, a escolha eleitoral precisa ser criteriosa e prudente.

No momento, repito, não são poucos os que intencionam chegar ao poder (executivo ou legislativo). Muitos não escondem seus interesses e, em busca de votos, são capazes de quaisquer sacrifícios, até mesmo de um gesto de honestidade. O importante é chegar ao poder e desfrutar de suas mordomias, como viagens, carros de representação, celulares (cujas contas absurdas e abusivas são pagas com o suado dinheiro do contribuinte), verbas de gabinete, cargos para acomodarem parentes e cabos eleitorais, auxílio paletó, décimo terceiro salário, contratos para atenderem empresas de amigos e correligionários, além de outros privilégios.

O dever, transformado em favor, tem pagado o mandato de muitos políticos corruptos, neste país, que, anos após anos, fizeram (e ainda fazem) do cargo um instrumento à satisfação pessoal ou de grupos.