18/04/2012 - 16h32min - Atualizado em 18/04/2012 - 16h32min

Ex-secretária-adjunta de Saúde do Governo Cahulla se diz marcada para morrer

Ela é acusada de ter participado do pagamento de R$ 2 milhões à empresa Reflexo, que seria do deputado Valter Araújo. Assista o vídeo.

Tudorondonia

 

Porto Velho, Rondônia - “Meus amigos, na vida tem momento para tudo. Tem momento em que a gente tem que chorar e tem momento para sorrir. Esse é o momento de eu chorar. Estou aqui para pedir proteção à minha vida porque hoje sou uma mulher aos 42 anos marcada para morrer precocemente sem concluir meus projetos e sem criar minhas filhas”.

Assim começa um depoimento em vídeo postado na Internet, onde a ex-assessora técnica e ex-secretária-adjunta da Saúde nos governos Cassol e Cahulla, Josefa Nunes Ramos, de 42 anos, explica que há um grupo interessado em seu silêncio e outro querendo que ela fale. Os bens dela estão indisponíveis porque ela é acusada de ter participado do pagamento de R$ 2 milhões à empresa Reflexo, que seria do deputado Valter Araújo (PTB-Porto Velho).

No vídeo, Josefa Ramos conta que apesar de haver decisão judicial determinando que nada mais fosse pago, a Reflexo recebeu o dinheiro porque havia uma decisão de governo. “Eu não depositei R$ 6 milhões na conta de Valter Araújo. O dinheiro público anda por um sistema. Ele (o dinheiro) saiu na Secretaria da Fazenda Pública e caiu no sistema de pagamento da Secretaria de Estado da Saúde. O secretário fez uma ordem bancária, que foi para o Banco do Brasil e foi paga”, contou.

Ela explicou que o processo tem assinatura de representantes de todos os órgãos capazes de validar um processo administrativo. Acrescentou que o processo foi instruído e que houve um realinhamento de preços autorizado pela Procuradoria Geral do Estado (PGE) e pela Controladoria Geral do Estado (CGE). Detalhou, ainda, que tudo foi publicado em Diário Oficial e que foi feito um acordo de governo, para que em vez de ser pago R$ 23 milhões através de um realinhamento de preços, fosse pago R$ 2 milhões em duas parcelas.

“Foi uma decisão de governo. Se ele (o deputado Valter Araújo) praticava tráfico de influencia, se ele cometeu o crime que dizem que cometeu, eu não tenho nada a ver com isso. Não tenho dinheiro para pagar banca de advogado, não tenho dinheiro para comprar a imprensa. Só tenho a minha palavra. Se eu ficar calada, dirão que faço parte do bando de Valter Araújo. Se eu falar, a sociedade vai perguntar quem foi que mandou pagar o processo, quem foi que mandou transferir o dinheiro”, contou Josefa Ramos.

Ela pede para ser ouvida pela Justiça e acusa o governo Cassol de fazer recolhimento de dinheiro para calar a boca da imprensa. “Se calavam (os veículos de comunicação, segundo ela) porque era dado grão de milho todos os meses”, afirmou. Em seguida, Josefa Ramos contou que foi envolvida, segundo ela, injustamente na Operação Termópilas, em que o presidente da Assembleia Legislativa, Valter Araújo, foi preso.

A ex-secretária-adjunta da Sesau alegou, ainda, que em outubro de 2010 o então deputado Amauri dos Santos (PMDB-Jaru) teria ido ao gabinete dela e dito que se o processo fosse pago à empresa Reflexo, ela seria envolvida em uma trama que já estaria planejada e com uma liminar pronta. Josefa Ramos disse, ainda, que Amauri foi ao gabinete para intimidá-la.

Ela afirma que está denunciando o crime organizado em Rondônia, coisa que compete ao Ministério Público. Alegou, também, que aconselhou a não pagar (o processo), porque sabia que se envolveria em uma situação na qual se prejudicaria muito, porque ficaria sem direito a apresentar defesa.

“(Essa situação) Envolve o deputado foragido Valter Araújo. Eu não tenho nenhuma ligação com ele. O que fiz foi o mesmo procedimento que adotei em mais de 20 mil processos. Dei despachos e assinei. O processo foi pago porque não caberia a mim impedir de pagar. A liminar determinava que não fosse paga a segunda parte do processo, mas houve uma decisão de governo para que fosse paga”, acrescentou Josefa Ramos.

O processo tramita na Primeira Vara da Fazenda Pública sob o número 001054, de 29/11/2011, envolvendo o ex-secretário de Estado da Saúde, Milton Moreira, a empresa Reflexo e Josefa Nunes Ramos. “Posso até estar morta amanhã, mas minhas filhas não se envergonharão de mim. A sociedade não se envergonhará de mim”, destacou.

Nilton Salina

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