Farra com dinheiro público
Valdemir Caldas
Quando se reclama que a Assembleia Legislativa de Rondônia só tem aprofundado o fosso entre o exercício da atividade parlamentar e os interesses da população, hásempre um bajulador de plantão disposto a defender aquela casa. Não por convicção de proposito, mas por que depende das migalhas que lhe caem da mesa do chefe para sobreviver.
Agora, mesmo, chega à informação de que deputadosviajaram ao Nordeste, a pretextos de participarem de um congresso, com tudo pago pela Assembleia Legislativa. Ou melhor, pelo contribuinte rondoniense.
Adivinha quem autorizou o passeio? Acertou em cheio quem disse o presidente da casa, José Hermínio Coelho (PSD), useiro e vezeiro na arte de apontar o dedo na direção de adversários, quando esses eventualmente caem em desgraça, mas lerdo com uma tartaruga, na hora de extirpar as mazelas que corroem as estranhas apodrecidas daquele poder.
Em ocasiões como essa, é comum o participante do congresso, seminário ou conferência, não somente prestar contas do que fez com o dinheiro público, como também elaborar um relatório circunstanciado das atividades e apresentá-lo aos colegas de trabalho, durante sessão plenária. Não creio que o presidente Coelho tenha coragem de cobrar isso de seus “companheiros” viajantes.
Em vez de ficar patrocinando generosidades com o dinheiro público, o presidente da ALE deveria estabelecer parâmetros de seriedade e fazer deste momento delicado pelo qual passa o estado de Rondônia uma oportunidade de promover discussões mais aprofundadas em torno de assuntos que realmente interessam à sociedade.
Não se pode tratar o dinheiro público dessa maneira, como se fosse um repasto à satisfação pessoal ou partidária. A população precisa sair às ruas para protestar de forma firme e vigorosa. Caso contrário, atitudes como essa continuarão a acontecer dentro de aparente normalidade.
A ALE precisa sair da mesmice que a tem caracterizado e mudar sua concepção de atuação,agindo com dinamismo e vigilância, avançando na condução de suas tarefas e na forma de relacionar-se com os demais poderes.