Fim do mundo?
Já dizia Albert Einstein: O mundo não está ameaçado pelas pessoas más, e sim por aquelas que permitem a maldade.
Disse em artigo anterior (“Tudo é descartável?”) que, atualmente, existem muitos produtos “instantâneos”, fáceis e rápidos de usar e cada vez mais simples de se obter. E tudo é pensado para ser descartável, substituível semanas ou meses depois por novos modelos.
Afirmei que as propagandas induzem cada vez mais a essa “descartabilidade” dos produtos e que o usado ou o antigo não serve mais. A descartabilidade e o apego excessivo às coisas, e não às pessoas, têm influenciado até mesmo nos relacionamentos, de forma que não se tem mais o mesmo apego ao ser humano como se tinha no passado.
Pois bem. Coincidentemente, recebi, dias atrás, um e-mail fantástico. É uma conversa hipotética de uma criança com o seu avô no ano 2020. O neto indaga a razão de o mundo estar acabando.
E o avô diz: “Porque não existem mais PROFESSORES, meu anjo”.
O neto não sabia o que era professor, e o avô respondeu que “eram homens e mulheres elegantes e dedicados, que se expressavam sempre de maneira muito culta e que, muitos anos atrás, transmitiam conhecimentos e ensinavam as pessoas a ler, falar, escrever, se comportar, localizar-se no mundo e na história, entre muitas outras coisas. Principalmente, ensinavam as pessoas a pensar”.
Indagado sobre o desaparecimento dos professores, o avô diz que, primeiramente, os políticos acabaram com todas as formas de avaliação dos alunos, apenas para mostrar estatísticas de aprovação. Continua explicando que, depois, muitas famílias estimularam a falta de respeito pelos professores, os quais passaram a ser vistos como empregados de seus filhos.
E tudo passou a ser focado na aprovação no vestibular. Com isso, dizia o avô ao neto, se foi toda a aprendizagem de conceitos, as discussões de ideias, tudo, enfim, virou decoração de fórmulas.
Pois é. Sinto, também, que não estamos nos dando conta de que os valores da sociedade estão sendo aniquilados, como afirmei no artigo “Propagandas afetam valores morais”.
E muitos que dão conta, também se omitem. Alguns dizem estar incomodados, mas não agem.
Já dizia Albert Einstein: “O mundo não está ameaçado pelas pessoas más, e sim por aquelas que permitem a maldade”.
Gabriel, "o Pensador” afirma, em sua música “Até Quando?” que “Não adianta olhar pro céu com muita fé e pouca luta. Levanta aí que você tem muito protesto pra fazer.”.
A sociedade precisa se organizar para refletir, discutir os seus problemas e encontrar soluções concretas. O modelo atual de representação da sociedade parece não ser o adequado. E se criarmos meios alternativos? E quanto à defesa do consumidor? Vamos nos organizar em associações ou de outra forma que tenhamos “peso”? Quem se habilita?
Autor: Gabriel Tomasete
Advogado, Pós-graduando em Direito do Consumidor, Colunista do Diário da Amazônia (Coluna Direito & Consumo) e Membro da Comissão de Defesa do Consumidor da OAB-RO.
Atuou no Procon de Presidente Prudente-SP. Advoga para ONG de defesa de consumidores desde 2004, em Porto Velho-RO.
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