Incúria que incomoda - Valdemir Caldas
Ao que tudo indica, há um misto de incompetência e ambição cercando Nazif.
O desânimo do prefeito de Porto Velho, Mauro Nazif (PSB), e de alguns secretários seus, no enfrentamento dos problemas que angustiam a população portovelhense, vem causando no seio da opinião pública os maiores receios de que as esperanças neledepositadas, poderão ser mais uma vez atropeladas pelo desenrolar dos acontecimentos.
Passados quase cinco meses, a equipe de Nazif ainda não conseguiu concluir o processo de abertura de concorrência pública para o transporte coletivo e, destarte,possibilitar a melhoria dos serviços prestados aos que dependem desse meio de locomoção. Não é por demais repisar, contudo, que, durante a campanha, Nazif prometeu acabar com o monopólio.
No governo Sobrinho, dizia-se que a coisa não andava por que quem estava no comando da Secretaria Municipal de Transportes e Trânsito (SEMTRAN) era pessoa ligada ao Sindicato das Empresas de Transportes (SET). E agora? O que estaria impedindo o prefeito de levar a cabo uma de suas promessas de campanha?
Ao que tudo indica, há um misto de incompetência e ambição cercando Nazif. Há criaturas que parecem agir 24 horas com o pensamento voltado apenas à salvaguarda de seus próprios e mesquinhos privilégios, em detrimento das legítimas aspirações da coletividade, funcionando como um instrumento frenador das melhores e mais sensatas intenções de algumas pessoas dispostas a emprestar ao prefeito o apoio necessário de que ele tanto precisa no inicio da sua jornada.
Causa revolta que tudo isso esteja acontecendo, pois não eram esses, por certo, os pensamentos dos cidadãos que saíram às ruas em apoio à candidatura Nazif. O que seus eleitores esperavam – e isso se ouviu nos quatro cantos da cidade – era que ele se cercaria das melhores cabeças, higienizaria a administração municipal e realizaria um trabalho de alta elevação cívica, que colocaria Porto Velho no galarim de seus melhores triunfos.
Mas, infelizmente, o que se está vendo não é nada animador. Na Câmara, por exemplo, já há quem fale em pedir o afastamento do prefeito por incompetência - se é que isso é possível. Enquanto a administração municipal, por motivos óbvios, não consegue decolar, crescem os níveis de desconfiança da opinião pública, que, a essa altura do campeonato, já não sabe mais o que poderá acontecer diante de tanta negligência.