Isolado e enfraquecido, Confúcio evita servidores públicos temendo vaias
Como os grevistas prometem endurecer, as aparições do governador em solenidades públicas deverão ser ainda mais limitadas. E a presença da tropa de choque a PM, mais constante.
Da reportagem do Tudorondonia
O governador Confúcio Moura (PMDB), que teve sua eleição decidida pelo funcionalismo público, começou a tentar manter-se distante desta categoria, vem cancelando compromissos onde poderia ser vaiado e já afirmou que não concederá qualquer reajuste salarial reivindicado pelos trabalhadores em educação, servidores da Polícia Civil e agentes penitenciários e socioeducadores. Esses funcionários estão em greve e a eles ameaçam se juntar os servidores da saúde.
Para se eleger governador, Confúcio de reuniu com cada uma destas categorias e fez promessas de valorização por meio de salários dignos bem como outros benefícios que seriam implementados por ele quando chegasse ao Governo.
Mesmo depois de eleito, o governador continuou prometendo , mas os servidores acordaram ao descobrir que todas as promessas feitas pelo chefe do Poder Executivo Estadual não são cumpridas.
Hoje, Confúcio teme aqueles que lhe deram o cargo de governador, numa eleição de segundo turno que prometia ser bastante apertada entre ele e o então governador João Cahulla. Como não queriam o continuísmo de Cassol, os servidores decidiram-se pelo que consideravam o "novo", e descarregaram os votos em Confúcio Moura.
Nos últimos dias, com as greves pipocando de todos os lados, o governador mudou sua rotina e alterou, de última hora, a agenda de compromissos. Deixou de ir a Vilhena e Alta Floresta, temendo as manifestações dos grevistas. "O governador é muito sensível. As vaias deixam ele muito magoado", relata um assessor que tem acompanhado de perto a "angústia" de Confúcio com a pressão dos servidores por aumento salarial.
DIFERENTE DE CASSOL Apesar de não dar aumento e de também não se reunir pessoalmente com os representantes dos servidores públicos, Confúcio tenta se diferenciar do ex-governador Ivo Cassol, hoje senador, que era acusado pelos servidores de truculência e de ser ditador.
Confúcio acredita que o diferencial dele em relação a Cassol na questão do relacionamento com os servidores públicos está na criação de uma tal Mesa Permanente de Negociações.
No entanto, essa Mesa é formada por pessoas que não tem autonomia para decidir nada nem tampouco se comprometer com qualquer avanço nas negociações. Existe para conversar, dialogar, bater papo com os sindicalistas. E só.
Como o movimento grevista promete endurecer a partir da próxima semana, as aparições do governador em solenidades públicas deverão ser ainda mais limitadas. E a presença da tropa de choque a Polícia Militar, mais constante.