Jesus ou Papai Noel?

Tenho observado, atualmente, que poucas, ou pode-se dizer até mesmo, raras famílias ensinam aos seus pequenos que nesta data comemora-se a chegada de Jesus à Terra.

Publicada em 13/12/2011 às 16:16:00

O Natal se aproxima. É hora de comemorar o nascimento de Jesus. Boa parte das famílias prepara fartas ceias, reúne os demais familiares e os amigos mais próximos e celebra. Mas celebra o quê mesmo?

Muitos nem se dão conta mais de que, em homenagem ao nascimento de Jesus e a sua história de vida, deveríamos, neste período em especial, festejar e disseminar o sentimento de fraternidade espiritual. Este é o “sentido” de Natal que os nossos avós e pais nos passaram.

Tenho observado, atualmente, que poucas, ou pode-se dizer até mesmo, raras famílias ensinam aos seus pequenos que nesta data comemora-se a chegada de Jesus à Terra. E que Ele veio para buscar difundir a paz entre os homens.

Na realidade, em vez de propagar esse sentimento de amor ao próximo, o que se vê hoje é a correria às lojas para comprar brinquedos que o Papai Noel dará às crianças. É o que dizemos, habituados e sem mais notarmos o quanto fomos contaminados pelas publicidades de produtos que, numa busca incessante pelo lucro, já nos furtaram até mesmo o espírito natalino.
A festa de Natal, segundo enciclopédia virtual consultada, “tornou-se um acontecimento significativo e um período chave de vendas para os varejistas e para as empresas. O impacto econômico do Natal é um fator que tem crescido de forma constante ao longo dos últimos séculos em muitas regiões do mundo”.

Espero que a discussão trazida sirva de reflexão para que possamos experimentar em nossos lares o verdadeiro espírito natalino, e também para tentarmos ser menos envolvidos com as propagandas que nos perseguem e persuadem de modo quase ininterrupto.

Dias atrás, soube de um protesto interessante realizado pelo Instituto Alana: um grupo de pais e profissionais preocupados com o futuro da infância estava determinado “a fazer algo contra os dados alarmantes apontados pela pesquisa “Monitoramento de publicidade de produtos e serviços destinada a crianças”, conforme notícia veiculada no website da referida entidade.
Os manifestantes entregaram uma “homenagem às avessas” à empresa que mais anunciou para este público, com aproximadamente 8.900 anúncios veiculados nas duas semanas que antecederam o Dia das Crianças. O troféu a ser entregue dizia “Vencedora do Prêmio Manipuladora – Dias das Crianças 2011”.

A ideia do Instituto é que as pessoas pensem a respeito do problema, preocupação de que compartilho e que já foi explorada nesta coluna em artigos anteriores.

Obviamente, não penso na proibição das publicidades para este público, mas certamente é urgente que se estabeleçam regras. As crianças crescem acreditando que é preciso ter para ser. O resultado é a violência, sentimento de inferioridade, frustração, vandalismo etc. Enfim, o efeito psicológico individual e até mesmo social desse “processo” é sério demais.

Autor: Gabriel Tomasete
Advogado, Pós-graduando em Direito do Consumidor, Colunista do Diário da Amazônia (Coluna Direito & Consumo) e Membro da Comissão de Defesa do Consumidor da OAB-RO.
Atuou no Procon de Presidente Prudente-SP. Advoga para ONG de defesa de consumidores desde 2004, em Porto Velho-RO.
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