Mauro não está nem aí para os críticos de seu governo
Valdemir Caldas (*)
Mauro Nazif está no comando da prefeitura de Porto Velho há quatro meses e dezenove dias. Para alguns, o prefeito ainda não disse a que veio. Mas ele não parece nem um pouco preocupado com o que pensam os críticos de seu governo e continua ignorando-os.
Na verdade, o prefeito já deveria ter apresentado um cronograma de trabalho, dizendo o que pretende fazer para, pelo menos, minimizar os problemas que mais afligem à população, como saúde, educação, iluminação pública, limpeza urbana, transporte coletivo e sistema viário.
O problema é que Nazif está mal assessorado. Há profissionais competentes em sua equipe, mas a maioria não passa de inábeis, verdadeiros bajuladores, que querem mandar mais do que o prefeito, como se a administração pública fosse um objeto de uso pessoal.
Nesse período, o prefeito ainda não adotou nenhuma medida de impacto, nem disse por onde vai começar. A sensação é de que não valeu a pena. Por conta disso, já tem gente falando que está com saudade do ex-prefeito Roberto Sobrinho, apesar das denúncias de corrupção na sua administração.
Enquanto isso, a população continua apreensiva. Em alguns rostos há uma ponta de confiança. Mas, também, há muita frustração no ar. É a expressão da angústia, brotando do fundo da alma. Por que, meu Deus, tanto sofrimento? È difícil acreditar, mas às vezes dá uma revolta danada, quando se compara o discurso de campanha de certos candidatos com a realidade.
Como sempre, a corda arrebenta do lado mais fraco. Nesse caso, os mais atingidos são os segmentos mais carentes da população, os que foram entregues, desde há muito, à desdita, vivendo no charco, na lama, no matagal, com esgotos a céu aberto, cercados de buracos, sem iluminação pública, transporte coletivo decente, água tratada, dentre outras carências.
Mauro já deixou claro que se não incomoda com críticas. Portanto, quem quiser fazê-las, sinta-se à vontade, desde que, evidentemente, as faça com responsabilidade e calcado em argumentos, sem demagogia ou movido por sentimento de vindita pessoal.
Insistir na crítica pela crítica, acreditando que ele vai dividir o bolo ou oferecer nacos de poder a alguém para não criticá-lo, é o mesmo que malhar em ferro frio. Nazif já deu provas de que tem uma pedra no lugar do coração. Não se comove facilmente.