Medo de traição e interesses pessoais marcam os últimos dias que antecedem a escolha dos candidatos
Numa das eleições mais atípicas no município de Porto Velho, partidos têm até o dia 30 para escolher candidatos, mas o quadro é de indefinição
Da reportagem do Tudorondonia
Faltando seis dias para que os partidos políticos realizem suas convenções para definir nomes de candidatos a prefeito e vereador, o quadro em Porto Velho é de indefinição, apontando para uma das eleições mais atípicas da história do município.
Nomes que antes da Operação Termópilas apareciam como fortes pré-candidatos a prefeito - deputados Zequinha Araújo (PMDB) e Epifânia Barbosa (PT) - foram para o limbo. Um, porque recebeu e guardou dinheiro de corrupção na cueca; Epifânia, porque admitiu, na Polícia Federal, que por duas vezes recebeu dinheiro do ex-deputado foragido Valter Araújo. Ambos estão afastados da Assembleia Legislativa por trinta dias, uma "punição" dada pelos colegas como forma de "satisfação" à opinião pública.
Nomes que ensaiam ou ensaiaram candidaturas a prefeito (ex-senador Odacir Soares, ex-deputado Lindomar Garçon, por exemplo) enfrentam problemas com contas rejeitadas pelo Tribunal de Contas do Estado, o que poderá levar à impugnação de eventuais registros junto ao Tribunal regional Eleitoral.
FÁTIMA CLEIDE SOZINHA
Por enquanto, as únicas pré-candidaturas definidas são da ex-senadora Fátima Cleide (PT) e do vereador Mário Sérgio, do PMN.
Fátima, contudo, está isolada, e conseguiu até agora a adesão do insignificante Partido da Pátria Livre (PPL).
A ex-senadora tem conversado praticamente com todo mundo, passando pelo PMDB e PDT, mas a resistência ao seu nome nessas siglas é muito grande. Fátima não é considerada confiável, alguém que cumpra os acordos políticos pós-eleição, e a maioria dos dirigentes partidários não coloca fé na sua eleição.
Às turras com o prefeito de Porto Velho, Roberto Sobrinho (PT), Fátima enfrenta grandes dificuldades dentro de seu próprio partido. Uma ala considerável do PT resiste à candidatura da ex-senadora. O próprio Sobrinho, em público, diz que apoiará Fátima, mas poderá trabalhar para tentar eleger Mário Sérgio, seu ex-auxiliar e com quem tem mais afinidade.
Outro que também muitos caciques políticos querem ver pelas costas é o deputado federal Mauro Nazif (PSB), pré-candidato a prefeito.
Nazif é considerado alguém que abandona os companheiros no meio do caminho para viabilizar seus projetos pessoais.
Sem ainda conseguir definir alianças e um vice, Mauro também está sozinho. "O Nazif é o famoso político mandacaru: não dá sombra nem frutos, e quem encosta nele ainda sai espinhado", conta um ex-assessor de Nazif, que o abandonou .
Uma das "vítimas" de Mauro Nazif foi o ex-vereador Alan Queiroz, de Porto Velho. Fiel seguidor do deputado, ele amargou duas rasteiras em sucessivas eleições. Em 2008, Nazif não deixou o PSDB se coligar, e Alan, o mais votado do partido na capital, não foi eleito porque a legenda não atingiu o quociente eleitoral.
Em 2010, o mesmo Alan Queiroz sofreu outro revés político ao seguir Mauro Nazif, que , pela manhã, anunciou o nome do ex-vereador como candidato a vice-governador na chapa de Expedito Júnior (PSDB) e, à tarde, fechou uma coligação com o PT, excluindo Alan e colocando um outro candidato a vice na chapa do PT.
Naquela eleição, o PSB poderia ter feito dois ou três deputados federais, mas Mauro preferiu não correr riscos , deixando o prejuízo eleitoral para o bom de voto Jair Montes e para outra não menos votada Val Ferreira. E se elegeu sozinho.
Garçon, por sua vez, além do problema de ter seu nome incluído na lista do Tribunal de Contas de Rondônia , ainda enfrenta o receio dos outros partidos de se coligarem na chamada proporcional (para vereador) devido ao PV possuir três vereadores em Porto Velho com chances de se reelegerem: Marcelo Reis, Eduardo Rodrigues e DJ Moisés. Um quarto vereador do partido, Jaime Gazola, atualmente exercendo cargo no Governo, não será candidato à reeleição.
Gazola pretende apoiar a candidatura do deputado estadual Luiznho Goebel (PV) à Prefeitura de Vilhena, com a intenção de ficar com a vaga do parlamentar na Assembléia. Ele é primeiro suplente.
TEM PORTUGUES NO JOGO
O que deveria ser o fato novo nas eleições, o lançamento da pré-candidatura do empresário Mário PortugUes pelo PP do senador Ivo Cassol, foi recebido com ceticismo.
Empresário bem sucedido em Rondônia (ele é dono da Distribuidora Coimbra) e com um forte sotaque português, que décadas vivendo na capital não conseguiram apagar, Mário é o candidato do senador Ivo Cassol, que tem forte rejeição em Porto velho, principalmente por parte do funcionalismo público.
Para o bem ou para o mal, Portugues é um daqueles sujeitos que não tem a mínima noção de política, fala pelos cotovelos e não economiza nos palavrões. Com tiradas demagógicas, ele segue a cartilha de seu padrinho Cassol. A seu favor, o fator dinheiro, que dizem ter muito. A dúvida é se está disposto a meter a mão no bolso.
Portugues chega à cena política escorado por dois partidos , o PPS do ex-governador João Caúla e PP do senador Ivo Cassol, trazendo a reboque o PSDC de Edgar do Boi, não estando completamente descartada uma aliança com o PTB . Nesse ponto surge um obstáculo: PSDC e PP fecharam uma aliança para vereador, excluindo o PTB, que deve ir buscar guarida em outro lugar.
Os pré-candidatos do PTB que foram ouvir a entrevista de Mário Portugues à imprensa, neste fim de semana, saíram horrorizados com o que viram e ouviram do pré-candidato de Cassol.
"Ele pensa que nós somos empregados lá do armazém dele", disse um pré-candidato a vereador, destacando a falta de habilidade do pré-candidato para discutir alianças.
A alternativa para o PTB passou a ser uma aliança com Mário Sérgio, do PMN, que já possui uma forte estrutura de campanha e um amplo arco de alianças.
Mário Sérgio é advogado, vereador e homem de confiança do prefeito de Porto Velho, Roberto Sobrinho (PT), que deve apoiá-lo em detrimento da candidatura da ex-senadora Fátima Cleide.
Mário Sérgio vem mantendo constante entendimento, há mais de um ano, com o PT do B, PRP, PSL e com o PC do B. Sua aproximação com o PTB vai ampliar o leque de alianças.
Agora, o pré-candidato trabalha na divisão das vagas para vereadores. Ficou acertado que, na proporcional, o PMN coliga com o PC do B; o PRP e o PT do B formam outra coligação, enquanto o PSL se uniria ao PT B para compor uma terceira aliança na disputa por vagas na Câmara. Na eleição majoritária, para prefeito, todos seguiriam com Mário Sérgio. Essa aliança com o PSL para vereador é a proposta feita pelo PTB para apoiar Mário Sérgio.
MIGUEL DE SOUZA
Comandado por Miguel de Souza, pré-candidato a prefeito da capital, o PR e o DEM estão juntos. Mas Miguel também ainda não tem um vice definido.
PDT DE ACIR GURGACZ
O PDT do senador Acir Gurgacz insiste na candidatura do apresentar de televisão Dalton Di Franco, apesar da militância do partido ter escolhido outro nome, o do jornalista Celso Gomes , para disputar a Prefeitura. Por enquanto o PDT está isolado, mas poderá seguir o PT, cuja candidata, Fátima Cleide, não abre mão de encabeçar a chapa.
Com o desgaste do governador Confúcio Moura, que está com um índice de rejeição beirando os 70%, o PMDB deve se tornar mero coadjuvante nas eleições municipais para prefeito de Porto Velho. O partido tem quatro pré-candidatos (o médico José Augusto, Davi Chiquilito, Wanir Cavalheiro e o engenheiro Edson Duarte). A ex-senadora Fátima Cleide também tenta seduzir o PMDB, mas ninguém no partido vê vantagem nesta aliança. Se a ex-senadora não fechar nenhuma coligação, terá o militante Tácito Pereira como companheiro de chapa.
Quanto ao PMDB, seus "históricos", como são chamados a velha guarda do partido, quer o médico José Augusto como candidato.
CRISE NO NINHO TUCANO
A contragosto do ex-senador Expedito Júnior, presidente regional do PSDB, a vereadora Mariana Carvalho deve ser confirmada como candidata a prefeita. Expedito, inclusive, se afastou das articulações em torno da eleição para prefeito de Porto Velho,e o PSDB na capital ficou a mercê de Lindomar Sandubas, presidente municipal, que apoia a reeleição de seu amigo vereador Edmilson da Dimples.
Com a vereadora Mariana fora da disputa pela Câmara Municipal, Sandubas acredita que o PSDB faz três vereadores (Alan Queiroz, Márcio Oliveira, filho de Carlão de Oliveira,e Edimilson da Dimples).
Expedito, por sua vez, lavou às mãos.