27/01/2012 - 17h14min - Atualizado em 27/01/2012 - 17h14min

MP denuncia juízes por venda ilegal de imóvel

O dinheiro da venda, R$ 115 mil, segundo o MPF, foi usado para abater dívidas de empréstimos que os dois magistrados tinham com a Fundação Habitacional do Exército (FHE/Poupex).

O Ministério Público Federal (MPF) em Brasília denunciou criminalmente, por apropriação indébita, os juízes federais Moacir Ferreira Ramos e Solange Salgado da Silva Ramos de Vasconcelos - ex-presidentes da Associação dos Juízes Federais da 1.ª Região (Ajufer), entidade que reúne magistrados do Distrito Federal e de 13 Estados.
 
Ramos (presidente da associação entre 2008-2010) e Solange (presidente por dois mandatos, de 2002 a 2006) são acusados de terem vendido, em fevereiro de 2010, sem autorização de assembleia da Ajufer, a única sala comercial da entidade, no edifício Business Point, Setor de Autarquias Sul, em Brasília. O dinheiro da venda, R$ 115 mil, segundo o MPF, foi usado para abater dívidas de empréstimos que os dois magistrados tinham com a Fundação Habitacional do Exército (FHE/Poupex). 

Ramos é autor de representação criminal no Supremo Tribunal Federal (STF) contra a ministra Eliana Calmon, corregedora nacional da Justiça, que o afastou liminarmente da função em novembro de 2010. 

O ministro Marco Aurélio Mello, do STF, cassou a decisão de Calmon, mas, por maioria de votos, os desembargadores do TRF-1 restabeleceram a ordem de afastamento do juiz Moacir Ramos. A juíza Solange continua exercendo suas funções.
Em outra acusação, o Ministério Público Federal atribui crime de receptação a um terceiro juiz federal, Charles Renaud Frazão de Moraes, que também presidiu a Ajufer. 

Perda do cargo. A denúncia criminal, protocolada em dezembro, é subscrita pelo chefe da Procuradoria Regional da República-1, Juliano Villa-Verde de Carvalho. Em dez páginas, ele descreve a ação dos juízes Moacir Ramos e Solange e requer a condenação de ambos inclusive à perda do cargo de juiz federal. 

O procurador pediu, preliminarmente, o deslocamento do processo ao STF, alegando impedimento da maioria dos desembargadores do TRF-1, já que 17 deles são associados à Ajufer "e, portanto, direta ou indiretamente interessados na causa". O TRF-1 deve decidir no início de fevereiro se recebe a denúncia ou se remete os autos ao Supremo. 

"Da documentação trazida percebe-se que foram os próprios denunciados, à revelia da assembleia geral de associados e sem mesmo sequer obter autorização expressa da diretoria executiva, que deliberaram pela venda do único imóvel de propriedade da Ajufer", assinala o procurador Juliano Villa-Verde. 

Segundo a denúncia, os magistrados "infringiram normas estatutárias da entidade, o que revela a intensidade do dolo com que se houveram, premeditadamente, criando a disponibilidade financeira à custa do patrimônio da entidade, na intenção de se apropriar de recursos que passariam a deter em nome do ente jurídico". 

O procurador destaca que o imóvel foi negociado a um valor muito reduzido. Avalia que a venda poderia chegar a R$ 350 mil. "O que se verifica é que a pressa em alienar o bem, para dar destino ilícito no produto do negócio, foi o que justificou sua venda por preço inferior ao de mercado." 

Fraude em empréstimos. Relatório do corregedor do TRF-1, desembargador Cândido Ribeiro, aponta contratos de empréstimos supostamente fraudulentos, entre 2000 a 2009, contra 182 juízes federais. Ele propôs abertura de Processo Administrativo Disciplinar contra eles. 

Solange afirmou nos autos que as despesas cotidianas da Ajufer eram reunidas para o pagamento semanal e/ou mensal e quitadas diretamente na agência da Caixa Econômica Federal, mediante a emissão de um único cheque com o valor total, e que tal procedimento tinha por objetivo dar maior praticidade. 

Mas o desembargador Cândido Ribeiro anotou em seu voto: "A relação dos 21 cheques assinados pela referida magistrada (Solange) para o seu sobrinho, totalizando R$ 491.673,89, não aponta para pagamento de despesas cotidianas da Ajufer".
A Ajufer é alvo de ação de cobrança da Fundação Habitacional do Exército, que alega ser credora de R$ 21 milhões. 

"Conseguimos suspender a ação de cobrança e identificar todos os que retiraram os empréstimos, por volta de 40 juízes, e também identificar cerca de 180 em cujos nomes foram feitos contratos fraudulentos", declarou o atual presidente da associação, Roberto Carvalho Veloso. "A própria fundação não sabia que estava sendo fraudada."

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Postado por hanz haganah em 30/01/12 às 09:01
Não sei porque todo esse espanto sobre à desonestidade desses juízes lá de Brasília. A ministra do CNJ, Calmon, já informou á sociedade que mais de 200 mil meliantes graduados como juízes e similares estão á deriva da justiça. E mais, se o brasileiro comum, por sí só, já nasce com propensão de tornar-se uma ave de rapina, alguns, os que ainda não tiveram oportunidade, (ficarão irados com o comentário), imagine os senhores juízes que, segundo é corrente, metade pensam que são Deus, a outra metade, têm certeza de que O são. E além da verdade é só observar o que ocorre com os processos contra os poderosos. Nada. E quem não lembra do figurão Gilmar Mendes que, em pleno processo contra o Cassol há alguns anos, o dito cujo veio diretamente da Capital Federal tomar um rico cafezinho na residência do todo poderoso Cassol, com apoio do lobista Odacir Soares? Ô raça.
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Postado por Raul Herbert Parada em 28/01/12 às 09:01
Isto é muito ruim e vergonhoso para o povo Brasileiro que espera da nossa Justiça o minimo de honestidade destas pessoas que vestem uma TOGA. Porém é preciso de uma reforma ampla no poder Judiciário que deveria e deve ser o pilar da democracia, pois este poder está elitizado e na contrmão, pois se a justiça for cega e punir com severidade qualquer ilícito estaria contribuindo para minimizar tantos descasos de corrupção e desvio de dinheiro público, só a justiça poderá resgatar a credibilidade que falta dentro do próprio poder e de outros poderes, inclusive de partidos políticos, que é uma vergonha neste País.
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Postado por josé Augusto Vilela em 28/01/12 às 09:01
Que moral esses juizes tem pra condenar alguem?
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Postado por araujo em 27/01/12 às 18:01
kkkkkkkkkkk mas irmao do deputado valter ?// kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk caramba
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