Negócio de mãe pra filho: Estado vai assumir os prejuízos da Santo Antônio energia

Prejuízos com o "presente de grego" podem chegar a R$ 2 milhões somente neste ano.

Publicada em 20/05/2013 às 17:36:00

Da reportagem do Tudorondonia


Porto Velho, Rondônia - A Santo Antônio Energia, responsável pela construção da usina hidrelétrica de Santo Antônio, realocou os moradores ribeirinhos que foram atingidos ou estavam sobre a área de influência do reservatório em assentamentos rurais e urbanos.

Estes moradores tradicionais foram indenizados, havendo o remanejamento destas populações para localidades isoladas, dotadas, porém, de infraestrutura, incluindo sistema de abastecimento de água e rede coletora de esgoto.

Hoje, a empresa não tem nenhum interesse em continuar prestando esses serviços às famílias que foram obrigadas a deixar sua moradia para que a área fosse inundada pelo rio Madeira com a construção da Usina de Santo Antônio. É que o negócio causa prejuízos à empresa, que deseja empurrar o abacaxi para o Governo do Estado.


Os assentamentos contemplados com saneamento básico coletivo são os seguintes: Novo Engenho Velho (margem esquerda do Rio Madeira), São Domingos e Ricacho Azul (margem esquerda), Novo Teotônio (margem direita) e Parque dos Buritis (distrito de Jaci Paraná), todos no município de Porto Velho.

A Santo Antônio Energia vem operando estas estruturas desde sua construção, fornecendo água tratada e coleta de esgoto a estas comunidades. No entanto, vem amargando enormes custos financeiros mensais com a atividade e, desde 2011, vem fazendo inúmeras investidas para repassar estas estruturas deficitárias ao Estado, neste caso, à Caerd.

Empresa com grande poderio econômico e político, a Santo Antônio Energia, ou SAE, já demonstrou, em passado recente, ter influência no Governo Confúcio Moura (PMDB) (veja o caso da isenção tributária às usinas). Deste vez, conseguiu "sensibilizar" , sabe-se lá de que maneira, a direção da Caerd, que "simpatizou" com a ideia de assumir todo o ônus destas estruturas. Os moradores que foram assentados ainda não sabem que terão de passar a pagar taxa de água e esgoto. Mas esse é só um dos problemas.

Técnicos da Caerd já constataram que o prejuízo para a companhia em 2013, caso resolva mesmo receber o presente de grego , será de R$ 2 milhões.

Além dos custos fixos, as estruturas construídas pela SAE necessitam de adequações hidráulicas, elétricas e de obras civis que estão fora do padrão da Caerd e que vão requerer enormes custos para enquadramentos nos quesitos técnicos da empresa estadual.

Mesmo assim, o governador Confúcio Moura e a diretoria da Caerd estão aceitando fechar o negócio.