O silêncio que incomoda
Para quem gosta de falar pelos cotovelos como Hermínio Coelho, deve estar sendo muito difícil manter a língua presa. Mas, como ensina o livro de Eclesiastes, para tudo há um tempo.
Valdemir Caldas
O presidente da Assembléia Legislativa de Rondônia, José Hermínio Coelho(PSD), andava sumido da mídia, principalmente, depois que pipocou o escândalo das diárias. Quarta feira (1), porém, Coelho apareceu na televisão, lendo um texto alusivo ao centenário da Estrada de Ferro Madeira Mamoré. Por enquanto, nenhuma palavra sobre a concessão de diárias a servidores da ALE, para acompanhá-lo em férias, conforme noticiou o site Tudo Rondônia.
Para quem gosta de falar pelos cotovelos como Coelho, deve estar sendo muito difícil manter a língua presa. Mas, como ensina o livro de Eclesiastes, para tudo há um tempo. Um tempo de calar e um tempo de falar. Já disse alguém, que mesmo um tolo, quando segura a língua, é considerado sábio. Entretanto, pecar pelo silêncio, quando se deveria protestar, transforma homens em covardes, escreveu Abraham Lincoln.
No vídeo, Coelho procurou mostrar tranqüilidade. Em vão. Aquela história das diárias o feriu profundamente e mexeu com o seu brio. Em menos de uma semana, Coelho passou do paraíso ao inferno. Já não mais parece aquele político influente, nem o mais endeusado por setores da mídia. Foi um golpe implacável.
Melhor que fingir tranquilidade ou superioridade que ninguém enxerga, deve Coelho fazer de tudo o que estiver ao seu alcance, para provar que não cometeu nenhuma irregularidade – se assim entender. Caso contrário, a saída é vir à pública, reconhecer o erro e pedir desculpada à população, principalmente aos que nele votaram.
O que deseja a sociedade é que Coelho ajude a esclarecer os fatos e concorra para que paire acima de qualquer suspeita seu nome, seu mandato e, de quebra, sua administração a frente da ALE. Até porque o povo está cansado de conviver com essa conversa mole “do não sabia de nada”.
O político que se diz comprometido com a moralidade e a transparência nos negócios públicos tem o irrecusável dever de facilitar, concorrer – exigir, até – que tudo de quanto se o acuse seja devidamente esclarecido. Afinal, não basta que a mulher de César seja honesta, séria, decente; é preciso que nem sequer seja suspeitada. Assim, a qualquer homem público, ao tributo da honestidade há que se ajuntar a aparência de honestidade, seriedade e respeito à coisa pública.
Longe de mim, contudo, querer colocar em xeque essas e outras qualidades que o presidente José Hermínio Coelho garante ter, mas insistir no silêncio como resposta ou pretender jogar a denúncia para debaixo do tapete, não vai ajudá-lo em nada. Pelo contrário, só contribuirá para comprometer a imagem de paladino da moralidade pública, que ele teima em encarnar.