POLÍTICA SEM CENSURA - DAVI NOGUEIRA

Ivo Cassol é o dono do PR e do PP... e aí?

Publicada em 24 de May de 2013 às 15:07:00

1. Como manipular você!
Pensa num papo furado, descabido e mentiroso... Pensou? Nada supera aquele cuja pretensão explícita, ou implícita, diga respeito a ressaltar as virtudes da chamada isenção da comunicação ou dos seus renomados veículos. De uma forma mais escrachada ou mais sutil e camuflada, a tentativa de conduzir a opinião do leitor para este ou aquele ponto é caminho (praticamente) inevitável. Começo a achar que até comunicado de féretro, demissa de sétimo dia e anúncio de corte de energia possuem interesse subliminar. Está virando quase uma paranoia! Aos que duvidarem, prometo dedicar mais algumas linhas a esse intrigante tema.

2. As prisões em Guajará- Mirim
A Polícia Federal desencadeou, no último dia 20.05.13, em Rondônia, duas operações para desarticular uma quadrilha organizada e muito sapeca. Os meninos recolhidos e levados para o “cantinho da meditação” atuavam, em princípio, na burla de licitações envolvendo dinheiro público. Denominadas de Pau Brasil e 8.666, as duas ações surgiram a partir de pedido da Controladoria Geral da União (CGU), órgão do Governo Federal responsável por fiscalizar a correta aplicação das bufunfas enviadas aos entes da União, com vistas à execução de obras e serviços diversos. É incrível o desconhecimento do povo em relação ao trabalho desenvolvido pela CGU em prol do interesse público. Desde 2003 para cá, quando iniciou com o sorteio de cinco cidades do país a serem fiscalizadas a pente fino, esse órgão foi totalmente reaparelhado para cumprir um papel fundamental dentro da máquina pública: a fiscalização e, o mais importante, a prevenção. Hoje, os sorteios da CGU já escolhem, aleatoriamente, sessenta cidades a serem fiscalizadas. O último sorteio aconteceu em 04 de março.

3. De onde vem essa gente presa?
Um detalhe evidente aos olhos dos mais atentos diz respeito ao fato da criminalização que se faz de partidos políticos em determinadas circunstâncias e ao total anonimato dos partidos políticos em outros momentos... A grande mídia (e a nem tão grande assim) tem feito uma escandalosa e justa divulgação dos fatos envolvendo partidos de esquerda pelo Brasil afora. O nome dos partidos desses “sapequinhas” costuma vir destacados em letras gordas e em espaços generosos. Isso faz muito bem ao processo democrático. Mas... por outro lado, a penca de bandalheiras a abranger outros partidos passa desapercebida pela mídia... parece que os “meninos” não possuem vinculação partidária com ninguém... caíram do céu! As duas operações em Rondônia da PF objetivaram cumprir 19 mandados de prisão e 25 mandados de busca e apreensão. Esses curumins são entes políticos, filiados a partidos políticos e vinculados a pessoas políticas... Por que não se fala sobre isso? Qual o partido envolvido?
A mídia é fantástica nos detalhes.

4. Ivo Cassol é o dono do PR e do PP... e aí?
O fato é que o Ex-Prefeito de Guajará Mirim, senhor AtalíbioPegorini, foi preso e o Ex-Presidente da Câmara, Célio de Melo, também. Trata-se de uma das mais tradicionais cidades do Estado, onde atuam políticos antigos e conhecidos na região, porém nada foi falado sobre os partidos dessas pessoas... Estranho, né?
Detalhe a destacar: o Senador Ivo Cassol é o dono do PR (Partido da República) e dono do PP (Partido Popular) em Rondônia. Trata-se de um feudo da família Cassol no qual a senhora Jaqueline Cassol é presidenta do PR, e o nobre Senador Ivo, presidente do PP. As dezenas de ações em tramitação na Justiça contra essas pessoas parecem não atingir a opinião pública e nem sensibilizar uma parte da mídia em relação aos partidos. Por qual motivo Cassol não é chamado a dar explicações sobre as lambanças de Guajará (e redondezas), como é feito com outras agremiações partidárias? A transparência não pode ser seletiva.

5. Reforma Política é fundamental
Aproveitando o embalo, falemos de mudanças. A representação partidária possui muitos defeitos e falhas, contudoainda não inventaram nada mais eficiente para o exercício do poder político numa cidade, num Estado ou num país. O aprimoramento dessa representação dependerá da capacidade de mobilização da sociedade. Os setores econômicos com melhor organização já perceberam isso há muito tempo. Para desespero e esperneio de alguns, eles dominam tais espaços com inteligência, planejamento e dinheiro. É hora de repensar essa representação. É momento de repensar a eleição e o seu financiamento público (por ser a democracia um bem coletivo). É primordial repensar a participação das mulheres, dos jovens e de outros segmentos sociais nos espaços de decisão política. Não repensar nossa prática sobre isso é cristalizar as injustiças e sedimentar as mazelas que se repetem, invariavelmente, a cada dois anos.

PS. Tudo que é noticiado precisa ser refletido... até este textinho frinchim. Mas ao retrucar, por favor, sem argumentos demagógicos e vazios. Senta a pua!