17/03/2011 - 18h36min - Atualizado em 17/03/2011 - 18h36min

Presidente da ALE afirma que usinas têm prejudicado e desrespeitado Rondônia

O deputado classificou as obras das usinas como “a maior baderna ambiental de Rondônia ".

 Eranildo Costa Luna

Porto Velho, Rondônia - Um dia após os atos de protesto na usina de Jirau, a construção das usinas hidrelétricas do rio Madeira dominou as discussões na Assembleia Legislativa, na sessão da tarde/noite de quarta-feira (16). O presidente da Casa, Valter Araújo (PTB), afirmou que os consórcios construtores têm desrespeitado e prejudicado seguidamente Rondônia.

“Defendi a construção das usinas e fui autor de uma moção de repúdio a ex- ministra do Meio Ambiente Marina Silva, que se posicionava contra os empreendimentos. Hoje, reconheço que a ministra estava certa e que o Estado só tem colhido prejuízos com essas obras”, declarou.

O deputado classificou as obras das usinas como “a maior baderna ambiental de Rondônia e eles ainda não estão satisfeitos. Continuam descumprindo os compromissos de compensação e sem observar as leis e respeitar as populações atingidas”.

Valter enumerou inúmeros impactos ambientais, sociais e econômicos como o diagnóstico genérico em todas as áreas; a área alagada pode ser o dobro da estimada; o impacto do aumento populacional foi subestimado; omissão sobre alagamento em território boliviano, incerteza sobre a viabilidade da transposição de peixes, carência de análise dos impactos nos lagos da várzea a jusante, entre outros.

O presidente anunciou que pretende convocar representantes da Secretaria Estadual de Desenvolvimento Ambiental (Sedam), dos consórcios e outros órgãos envolvidos nas obras para darem explicação sobre as compensações e o andamento das obras.

Compensações
O deputado acusou os consórcios de destinarem poucos recursos como compensação e ainda não cumprirem um cronograma de repasse desses recursos. “Do que foi prometido, pouco ou nada foi feito. As compensações foram poucas e muito pouco foi liberado. É uma vergonha, um desrespeito”, disse.

Araújo questionou as regras para a definição dos valores de compensação de cada usina. “As obras são importantes para o abastecimento energético do país, mas Rondônia está sendo compensada adequadamente pelo estrago que é obrigada a conviver com as usinas?”, questionou.

Com investimentos somados de R$ 27,1 bilhões, as usinas de Santo Antônio e Jirau tem compensação prevista de R$ 75 milhões e R$ 90 milhões, respectivamente.

“Mas, até o momento, Jirau liberou pouco mais de R$ 17,5 milhões, sendo executados pouco mais de R$ 6 milhões. Já Santo Antônio, liberou quase R$ 61 milhões e executou aproximadamente R$ 40 milhões”, informou.



Ex-secretário
O presidente acusou o ex-secretário estadual de Desenvolvimento Ambiental (Sedam), Cletho Brito, de não ter observado as leis e liberado a licença ambiental para os dois empreendimentos.

Para ele, as normas legais não foram respeitadas, sendo inclusive ignorado o papel da Assembleia, que segundo a lei 1.315 deveria conceder autorização prévia para as atividades utilizadoras de recursos ambientais, consideradas efetivas e potencialmente poluidoras, dentro do Estado de Rondônia.

Valter Araújo citou ainda a recente tentativa da usina de Jirau de elevar o nível das turbinas em 50 centímetros. “Já mudaram o local de instalação dos canteiros de obras e agora querem elevar o nível das turbinas em meio metro. Isso vai acarretar aumento na área inundada e no número de pessoas atingidas”, observou.

Protestos
Vários deputados endossaram o discurso do presidente da Casa, manifestando a sua indignação com a falta de controle e fiscalização das compensações ambientais e sociais dos empreendimentos.

A deputada Epifânia Barbosa (PT), segunda-secretária do Legislativo, denunciou que em Mutum-Paraná foi construída uma escola com seis salas de aula, com recursos da compensação, mas quem administra a unidade é uma escola privada.

“A escola foi construída e terceirizada por um colégio privado, impedindo que a comunidade tenha acesso à educação, deixando cerca de 200 alunos fora da sala de aula”, denunciou.

Valter Araújo reforçou, afirmando que não houve critério na indenização dos atingidos pelas barragens e que a Nova Mutum não abrigou com decência os moradores, priorizando pessoas e empreendimentos, em detrimento da comunidade.

“As pessoas, que viviam da pesca, enquanto ribeirinhos, agora estão vivendo em uma cidade, com um alto custo de vida. Os que foram indenizados receberam valores baixos e não conseguem viver com dignidade, um desastre”, lamentou.

O deputado Edson Martins (PMDB), líder do Governo, conclamou a todos os deputados a somarem forças para cobrar mais agilidade na execução dos projetos de compensação social.

Postado por Rogéria Bastos em 19/03/11 às 08:03
Faço de minhas palavras o comentario postado de Ney Guedes..bem colocado suas observações Sr Ney... A ganancia de grandes empresas...por tras de ofertas tipo..crescimento/empregos/e etc...mas não foi criada nenhuma estrutura..a cidade ficou inflacionada no mercado de imoveis...trabalhadores autonomos passaram a pedir absurdos de salarios ..transito ficou caótico....criminalidade aumentou..prostituição proximo a construção..enfim FOMOS ENGOLIDOS POR ESTE TAL PROGRESSO(????).
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Postado por Ney Guedes em 18/03/11 às 17:03
Quando da construção da UHE de Jupiá (divisa de SP/MS) a Camargo Correa era a principal empreiteira. Para receber os trabalhadores foi construída a Vila Piloto, em Três Lagoas (MS) com mais de duas mil casas de padrões A.B.C. todas pré fabricadas, e na vila havia espaço para supermercado, açougue, padaria, Pronto Socorro, Clube Social e Escola (grande). Para entrar havia guarita que anotava o RG das pessoas e placas dos veículos. Tinha, ainda, segurança da própria Camargo. Da mesma forma foi construída a Vila dos Operadores, no mesmo sistema, só que com prédios fixos que no pós-obra foram vendidas aos funcionários que ficaram trabalhando na operacionalização da hidrelétrica. E existia, ainda, os alojamentos para solteiros. Ao todo milhares e milhares de trabalhadores tinham onde morar com dignidade! Aqui em Rondônia construíram pequenos e tímidos barracões para alguns poucos trabalhadores. Com isso incharam a cidade, pioraram o trânsito com necessidade de muitos ônibus, pois a maioria dos trabalhadores reside na zona urbana, inflacionaram os preços dos aluguéis, não construíram escolas, Centros Sociais, etc. Trataram Rondônia com descaso. Agora está aí a balbúrdia, Cabe à gananciosa Camargo Correa (uma empresa bilionária mas que nunca se satisfaz) buscar uma saída. Quem gerou Matheus que embale os seus!
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Postado por MARIA DA PAZ ALVIM em 18/03/11 às 15:03
Estas coisas não estão acontecendo por acaso, toda população de Rondônia ja estava sabendo do que poderia acontecer com essa população de trabalhadores que vieram para cá, sem a devida infraestrutura do Estado, pois penso que deveriam ter construído vilas com os devidos meios de sobrevivência dessa população. Agora o calderão explodiu cadê os resposáveis por essa gente, eles vieram pra cá para trabalhar então mais do que justo serem tratados com dignidade. Essas grandes empresas só pensam no lucro exarcerbado. Agora eles devem pagar os prejuízos pois são responsáveis sim por esse caos social que se instalou em nosso Estado. Quanto a Assembléia legislativa deve é ajudar a resolver esse problema e não ficar achando só culpados, afinal os deputados foram eleitos pra defender os direitos de todos cidadãos que vivem aqui. Não interessam de onde vieram o importante é que estão ajudando a construir nosso estado.
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Postado por mano em 18/03/11 às 15:03
com certesa nos que somos daqui nâo temos nada a ver com que estar aconteceno somos refins mais ainda bem que tem pessoas que falam por nos como nosso representate na casa de leis e o que ele falar e quoerente e verdadeiro camargo correia chupa essa manga por traser o povo de fora a batata e sua resolva.
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Postado por Abelardo de Castro em 18/03/11 às 13:03
O desconhecimento por parte do nobre deputado e de seus assessores que ja foram ligados ao meio ambiente estadual é total, ou ao menos perseguidor, pois essas licenças foram emitidas lembro eu pelo Ibama, e quem não se lembra dos movimentos pró usinas com varios carros em todo o estado adesivados para pressionar o governo federal para a emissão da licença, e o pior é saber como vc mesmo disse nobre presidente que vc emcampou o movimento e era a favor, agora se o racha das compensações não foi como queriam, dai é outros 500 né não......seria bom o mandatario se assessorar ambientalmente melhor.
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Postado por Marco Antonio em 18/03/11 às 11:03
Não precisa mais gasolina nessa fogueira. É irresponsabilidade acirrar ainda mais os ânimos, principalmente vinda de representantes do povo, em momento onde os ânimos devem ser serenados, para o bem do próprio povo. Quer me parecer extemporânea as discussões de compensações ambientais, cujas condicionantes estão em pleno desenvolvimento. O que fica é a certeza do oportunismo dos nossos prezados legisladores, que certamente vêem no movimento acéfalo, uma forma de auto-promoçào,porém usando de expedientes que podem ter consequencias desastrosas. Cuidado senhores! Precisamos de apaziguar os ânimos e depois tratar com mais carinho cada uma das incertezas. No m omento, quem está sofrendo mais diretamente é o operário que agora não tem mais onde se alojar. Me parece que as coisas não tem uma liderança consistente e nada ajuda colocar mais lenha nessa fogueira!
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Postado por Claudete Garda em 18/03/11 às 11:03
Quando a usina de itaipu foi construida eu morava em Foz do Iguaçu, e aparentemente as coisas eram um pouco diferentes. Foram contruidas tres Vilas, A, B e C, para abrigar os funcionários da Usina, desde o operário até tecnicos, engenheiros e demais cargos importantes. Naquele tempo havia um órgão do governo que vendia mantimentos a preços baixos (não me lembro bem o nome CONAB? sei la´) Me lembro que em cada vila tinha um entreposto desse "mercado" e um no centro da cidade onde nós que lá morávamos aproveitavamos para comprar podutos da cesta basica a preços bem reduzidos. Quanto as vilas, estão lá, colégio, hospital, tinha até um espaço onde funcionava, banco, banca de jornais, lanchonetes etc...mas tudo asfaltado, arborizado, tinha até um clubes de recreação nas Vilas ...Não tenho conhecimento in loco da contrução dessas usinas aqui no estado, mas as noticias não são boas...
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Postado por Noel Bispo dos Santos em 18/03/11 às 08:03
Aconteceu ... alguém tem culpa em não ter acompanhado a dinâmica deste processo, feito adequações, ajustes, coordernações e supervisões. Quem é o patrão. Arregaçar as mangas da camisa, trabalhar diuturnamente e tocar pra frente é a solução.
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Postado por resky em 18/03/11 às 07:03
Digamos que o fato do Presidente da ALE se manisfestar a respeito do assunto Jirau, já me deixou orgulhosa, até que enfim.O que percebemos em nossa terra acolhedora é que estamos sempre de braços abertos a receber a todos que vem a Rondônia seja para morar,trabalhar ou só visitar. Mas o que noto é que somos de certa forma usados. Não por todos claro. Quanto a Jirau eu como não estou sempre atenta a jornais locais não tinha ainda uma idéia formada respeito do quanto isso está apesar do "progresso" a nos prejudicar. ontem estive conversando com jornalista amigo e até falei: Ninguém vai nos defender? e hoje fiquei surpresa a Assembléia tomou uma postura. Estava em tempo ainda bem - Sr. Presidente, obrigada. Acho que teremos tempos novos em Rondônia neste mandato.
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Postado por joao em 17/03/11 às 22:03
o relatório da assembleia sobre compensação já foi concluido porque tanto alarme por parte do presidente da Assembleia. acho que V.EX deve valer o seu poder o senhor desconhece. afinal de conta não era um sonho ser presidente para resolver a problematica social
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Postado por amarildo pedro em 17/03/11 às 22:03
pois e meu caro deputado valter ,vc ate estava no mandato quando foi liberado este desrespeito e porq nao fes nada e ai ?????
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Postado por pedro paulol em 17/03/11 às 21:03
Se os pagamentos dos trabalhadores não esta em dia, à Camargo Correia é responsável. Más, não deixa de ter, responsabilidade o governo federal, que tem a obrigação de fiscalizar, se da dinheirama que tem pagado ao CONSORCIO SANTO ANTONIO (QUE NÃO DEVE SER BAIXO), os salários e os direitos trabalhistas tem sido pagos em dia; ou se esta “IGUAL À MINUTA DA TRANSPOSIÇÃO” que nunca Che a CASA CIVIL PARA A BENDITA PUBLICAÇÃO.
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