Produtos sustentáveis
...os próprios cidadãos que dizem se preocupar com o planeta colocam dificuldades para separar o seu lixo doméstico e deixar de usar sacolas plásticas.
Sustentabilidade está em foco. Mas, o que é isso? Ao buscar entender melhor o tema, encontrei um bom artigo do jornalista e um dos responsáveis pelo movimento “Planeta Sustentável”, Caco de Paula. Segundo ele, “Para ser sustentável, qualquer empreendimento humano deve ser ecologicamente correto, economicamente viável, socialmente justo e culturalmente aceito”.
Parece muito simples, mas a realidade contrasta. Além do lobby de certas indústrias que perderiam dinheiro com a mudança de hábitos de consumo (um exemplo atual é o das sacolinhas plásticas), os próprios cidadãos que dizem se preocupar com o planeta colocam dificuldades para separar o seu lixo doméstico e deixar de usar sacolas plásticas.
Vale citar teor do artigo mencionado acima: “Para agir de forma sustentável devemos ter visão de longo prazo, consciência de que nossas relações sociais e nosso estilo de vida impactam diretamente a realidade à nossa volta - e que devemos ter solidariedade com nossos descendentes”.
Já afirmei em artigos anteriores que atualmente a publicidade é focada no incentivo ao consumismo exagerado e na descartabilidade excessiva, que afeta a sustentabilidade do planeta em que vivemos.
Vamos a um exemplo de mudança: chegará ao fim a oferta de sacolinhas plásticas nos supermercados paulistas, com o início das substituições, em janeiro deste ano, por sacolinhas biodegradáveis. A medida é fruto de acordo realizado entre a Secretaria do Meio Ambiente do Estado de São Paulo e a Associação Paulista de Supermercados.
Segundo reportagem recente do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (IDEC), “o uso das sacolas plásticas descartáveis traz diversos impactos ambientais. Além de ocupar espaço nos aterros, sua produção utiliza grande volume de água e energia, gerando resíduos industriais. (...) sua degradação no ambiente demora, no mínimo, 100 anos. Estima-se que 10% de todo o lixo gerado no país seja composto dessas sacolinhas”. Ainda segundo o IDEC, as sacolas biodegradáveis, derivadas do amido de milho, se decompõem-se em até dois anos pela ação de microorganismos.
No Natal do ano findo, várias lojas de um shopping center de Porto Velho (RO) fizeram publicidade conjunta oferecendo produtos “sustentáveis” / “ecologicamente corretos”. Na ocasião, além de expor os produtos, uma das lojas anunciou que reutiliza a borra do café produzido na empresa para trabalhos de serigrafia e tingimento tanto de jeans quanto de malhas.
Agora, resta-nos refletir e contribuir com a sustentabilidade buscando modificar o nosso estilo de vida e de consumo, bem como o modo pelo qual descartamos o lixo produzido e usamos os recursos e energias disponíveis.
Autor: Gabriel Tomasete
Advogado, Pós-graduando em Direito do Consumidor, Colunista do Diário da Amazônia (Coluna Direito & Consumo) e Membro da Comissão de Defesa do Consumidor da OAB-RO.
Atuou no Procon de Presidente Prudente-SP. Advoga para ONG de defesa de consumidores desde 2004, em Porto Velho-RO.
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