“Quem se vende recebe sempre mais do que vale”

Dimas Ferreira*

Publicada em 23/07/2012 às 10:35:00

Vilhena, Rondônia - Acostumados a torcer de quatro em quatro anos, os vilhenenses terão, daqui a três meses, antes próxima Copa do Mundo que, aliás, será disputada no Brasil, a chance de se envolver numa “competição” bem mais importante: a que definirá o responsável por conduzir os destinos da cidade até 2016, quando começa a Olimpíada, outro evento que também desperta paixões.

Às vésperas da batalha eleitoral que mexe com a vida de todos os munícipes, abundam dicas e truques que ensinam, ao menos em tese, o distinto público a valorizar o voto. Da análise das propostas dos candidatos à conferência atenta do currículo de cada um, estimula-se o dono da palavra final, o cidadão, a encontrar argumentos que justifiquem a opção a ser feita.

Acompanhando eleições municipais no Cone Sul há duas décadas, o jornal FOLHA DO SUL, que edito desde sempre, ainda não descobriu uma maneira infalível de evitar arrependimentos. Mas reuniu, ao longo de sua trajetória, alguns instrumentos que podem ajudar (e muito) as pessoas de bem a errar menos.

A primeira lição que o semanário aprendeu na prática, de tanto ver a patifaria triunfar sobre honestidade, diz respeito a um dos crimes eleitorais mais perniciosos, porém, desgraçadamente ainda comum: a compra de votos.

Não são poucos os candidatos que, neste próximo pleito mesmo, pretendem usar o dinheiro para conquistar aquilo que não conseguiram pela força do argumento. E, como ensina a milenar lei da oferta e da procura, se há gente adquirindo consciências, é porque há quem dela quer se desfazer em troca de um atendimento médico, de uma dentadura ou do vil metal.

Claro que existem outras malandragens que fazem com que vençam nas urnas não a melhor proposta ou a intenção mais pura, e sim a estratégia esperta, a jogada sórdida. E há, acreditem, quem se orgulhe de chegar ao poder usando artifícios que, se não são detectados pela justiça, deveria incomodar a consciência.

O jornal que dirijo não apóia candidaturas nem tem restrição a qualquer dos nomes em disputa. Não é papel da imprensa eleger ou derrotar ninguém. Cabe-nos, isto sim, vigiar para que a democracia vença e, com ela, também saia vitoriosa a vontade do cidadão. Aliás, é para os leitores e eleitores que deixamos, à guisa de reflexão, um velho adágio popular, mais que oportuno nestes tempos de fraqueza humana frente ao dinheiro: “O homem que se vende recebe sempre mais do que vale”.

*Dimas Ferreira é advogado e jornalista em Vilhena