Quem te viu, quem te vê

Valdemir Caldas

Publicada em 26/07/2012 às 16:17:00

Diz o ditado que o uso do cachimbo faz a boca torta ou entorta a mentalidade de muitos. Quando se esperava que a chegada do senhor José Hermínio Coelho (PSD) à presidência da Assembléia Legislativa de Rondônia marcasse o início de uma nova fase na vida daquela casa, calçada no respeito ao erário e, principalmente, aos interesses da população, eis que os fatos se encarregaram de revelar exatamente o contrário.

Os tempos são outros, mas a mentalidade em voga na ALE é a mesma de vinte anos atrás. Nesse período, mudaram alguns personagens, mas o enredo é o mesmo: corrupção, fisiologismo, demagogia, mordomias e impunidade. E de pensar que Coelho assumiu prometendo mudar a face deformada daquela instituição e resgatar sua credibilidade junto à opinião pública.

Mas, à semelhança de muitos que por lá passaram, Coelho não resistiu à tentação do vil metal e as facilidades e mordomias proporcionadas pelo cargo. E sucumbiu...! Mandou às favas o respeito ao princípio da autoridade, relegou o coletivo a um plano secundário e acabou caindo em desgraça aos olhos do povo.

Agora não é só a credibilidade da ALE que se encontra em baixa, mas, também, a de seu presidente. São os reflexos de quem administra no desespero da causa própria.

Coelho tinha tudo para fazer a diferença, mas não soube aproveitar a oportunidade que lhe foi dada de mãos beijadas. Agora não adianta chorar o leite derramado.

Melhor seria vir a público, reconhecer que pisou na bola, pedir desculpas à população e passar o boné, uma vez que sua permanência no comando da ALE tornou-se insustentável.

Quem te viu quem te vê. O cidadão que há pouco batia no peito e arrostava seus adversários, vestindo o manto da moralidade pública, hoje, se bater, cai para trás. Não por causa do tabagismo que lhe corrói as vísceras, mas por conta do pagamento de algumas míseras diárias, que lhe debilitou a estrutura moral.