Rondônia: Júri de traficante em Pimenta Bueno segue dentro da normalidade; ele responde por cinco mortes
Roque é acusado de chacina ocorrida em São Felipe
Já passavam das 13h30 quando o juiz Luís Sanada Rocha determinou o intervalo para o almoço na sessão de julgamento de Roque Cardoso de Oliveira. Ele é acusado pelo Ministério Público de ser o responsável pela chacina de cinco pessoas numa propriedade rural no município de São Felipe D'Oeste, que pertence à comarca de Pimenta Bueno, onde ocorre o júri popular. Testemunhas de acusação e defesa foram ouvidas durante a manhã. Durante o interrogatório, o réu negou a autoria dos crimes e disse que foi embora do sítio antes de acontecerem as mortes. Durante toda a tarde o Ministério Público e os advogados de defesa fizeram o debate na tentativa de convencer os jurados. São as setes pessoas sorteados no início do julgamento que decidem se Roque é culpado ou inocente pelos cinco homicídios e duas tentativas (de matar).
O Fórum Ministro Hermes Lima, no centro de Pimenta Bueno, está sob forte aparato policial. PM, COE, Força Nacional, Polícias Federal e Civil, além de agentes penitenciários federais, participam da operação de segurança montada para julgar Roque Cardoso. Ele foi extraditado da Bolívia para o Brasil há cerca de um ano e meio e desde então permanece preso no Presídio Federal de Porto Velho. Considerado um dos líderes do narcotráfico na região, o réu já tem duas condenações por tráfico de drogas, e mais duas acusações pelo mesmo crime (Art. 33 da Lei 11.343/2006), além de outras por lavagem de dinheiro, associação para o tráfico de entorpecentes e tráfico de armas (crimes pelos quais ainda não foi condenado, nem está sendo julgado nesta oportunidade).
O juiz presidente da sessão conduziu os depoimentos e o interrogatório do réu. Esse é o último julgamento da primeira sessão periódica do Tribunal do Júri da comarca de Pimenta Bueno. Desde o dia 9 de abril foram sete julgamentos por homicídios ocorridos na comarca. Esse tipo de crime faz parte rol de delitos que são julgados pelos representantes da sociedade, ou seja, os jurados.
Nos depoimentos das testemunhas, acusação e defesa instigaram os depoentes com perguntas e buscaram a reafirmação das versões apresentadas à polícia também em juízo. Foram ouvidas três pessoas apresentadas pela acusação, uma pela defesa e uma convocada pelo juízo. Uma das vítimas da chacina, que sobreviveu ao ataque, contou que o depoimento dado à época do crime, em 2007, quando acusou Roque, não foi completo, pois estaria com medo de sofrer represálias. Policiais e um sobrinho do réu também foram ouvidos.
Depois o próprio réu foi interrogado pelo juiz Luís Sanada. Ele negou que tenha participado do crime e disse que deixou o sítio de uma das vítimas (Sandro), onde ocorria uma festa regada a bebidas e churrasco, antes da chacina e que só teria tomado conhecimento do fato no dia seguinte por meio da imprensa. Ele confessou ser traficante de drogas e afirmou que após saber que estava sendo acusado pelas mortes em São Felipe, escondeu-se e passou alguns meses no Rio de Janeiro. Depois foi morar na Bolívia, de onde chefiava carregamentos de cocaína para o Brasil. Lá, segundo ele, por meio de suborno a autoridades do país vizinho, se manteve como empresário, até ser preso e mandado de volta ao Brasil.
O Ministério Público demonstrou aos jurados diversas provas colhidas pela polícia, como fotos feitas no dia da festa e no local do crime, em que estão Roque e outros três acusados. Há também uma gravação feita num celular de diálogo em que a vítima (Sandro) e o réu falam sobre atividades criminosas. Na segunda parte do tarde, iniciada por volta das 16h30, começou a sustentação oral por parte da defesa. A previsão é de que até a noite desta terça-feira seja conhecido o resultado do julgamento.
Assessoria de Comunicação Institucional