Servidora que denunciou ameaças de juizes responde a inquérito por fraude
Ela era amante de magistrado e gabava-se de ter tido um caso com outro juiz que denunciou ao CNJ.
Da reportagem do Tudorondonia
Porto Velho, Rondônia - Mantida no programa de proteção à testemunha, a servidora Débora Moreira Leite Ferreira responde a um inquérito na Polícia Civil acusada de usar o cartão de crédito e documentos de um juiz do trabalho para fazer compra de equipamento sem autorização ou conhecimento do magistrado.
Débora é a servidora que denunciou, por suposta corrupção, o juiz do trabalho Domingos Sávio Gomes dos Santos e o desembargador Vulmar de Araújo Coelho Júnior, ambos afastados de suas respectivas funções no Tribunal Regional do Trabalho da 14a Região pelo Conselho Nacional de Justiça.
Vulmar e Domingos Sávio são acusados de envolvimento no escândalo dos precatórios e estão sob investigação do CNJ.
A servidora Débora, por sua vez, acusou os dois magistrados de ameaçá-la de morte, principalmente Domingos Sávio. Eles negam.
Evangélica, Débora era amante do juiz Rui Barbosa de Carvalho Santos, então presidente da Associação dos Magistrados do Trabalho , que também se diz ameaçado de morte; a servidora se gabava no TRT de também ter sido amante do juiz Domingos Sávio, o mesmo que ela acusa de ameaças e corrupção. Foi Débora quem disse na PF ter visto o advogado Hélio Vieira, presidente da OAB-Rondônia, supostamente entregando dinheiro a Domingos Sávio.
Ela foi acusada na polícia de ter efetuado compra de um aparelho "frequencímetro para corrida" , via internet, com os dados do cartão de crédito do juiz federal do Trabalho Delano Serra Coelho, substituto da 7a Vara do Trabalho de Porto Velho.
O magistrado registrou ocorrência na Polícia Civil, que instaurou inquérito para apurar estelionato/fraude. O aparelho foi comprado em nome, CPF e endereço de Débora, com o cartão do juiz, tendo sido entregue na casa dela pelos Correios.
Segundo consta do processo no CNJ, Débora teve um relacionamento amoroso com o magistrado Rui Barbosa, que é casado.
Uma outra servidora do TRT, Magna Regina Alves Ferreira, em depoimento na Polícia Federal, afirma que a colega "tem a mania de dramatizar os acontecimentos e se apresenta como uma atriz,depois chora com facilidade e no momento seguinte já está sorrindo".
Em depoimento na PF, Débora contou pelo menos uma mentira, admitida por ela mesmo: a de que tinha sido orientada pela ministra do CNJ, Eliana Calmon, sobre a forma como deveria proceder no caso das supostas ameaças que dizia vir sofrendo. A servidora contou à polícia que nunca esteve nem se comunicou com a ministra, desmentindo o que havia afirmado antes.
Via e-mail, Débora fez um desabafo ao juiz Rui Barbosa, acusando-o de não sair em sua defesa no caso da acusação de fraude com o cartão de créditodo juiz Delano. Ela se diz ressentida e magoada com o amante.
Admite também que esteve apaixonada pelo magistrado e deixa claro que se sentiu usada por ele, que a teria "jogado" contra os colegas magistrados.
Rui Barbosa, por sua vez, se sentiu chantageado pela ex-namorada e ameaçou mandar o e-mail dela para a Polícia Federal.
E-mail de Débora para Rui Barbosa
Transcrição de e-mail entre a servidora Débora e seu então amante, o juiz federal do trabalho Rui Barbosa.
Outro e-mail de Débora para Rui Barbosa

E-mail de Rui Barbosa para Débora
Outras transcrições de e-mail trocados entre Débora e o juiz Rui Barbosa.