Sindicalista diz que Confúcio mentiu para servidores públicos
"Os servidores estão totalmente falidos, na UTI, à espera de que um dia, o senhor Confúcio se lembre das promessas que fez".
O Governador Confúcio Moura mentiu para a classe de servidores públicos, passando o que chamamos de verdadeiro “171”. A declaração foi dada ontem pelo diretor administrativo do Sindicato dos Trabalhadores no Poder Executivo do Estado de Rondônia (Sintraer), Paulo Durand, ao lembrar-se das promessas de assumidas em campanha pelo atual chefe do Executivo.
Em tom de desabafo e decepção, o sindicalista citou algumas ocasiões em que o governador, então candidato, discutia com a categoria a situação calamitosa da saúde, gerando daí promessas até hoje não cumpridas. “Ele sabia das dificuldades dos servidores públicos, e nada fez até hoje. Os servidores estão totalmente falidos, na UTI, à espera de que um dia, o senhor Confúcio se lembre das promessas que fez”, destacou.
Paulo Durand mais uma vez bateu na tecla da situação financeira do Estado e diz que o Estado não dá aumento se não quiser. “Os Cofres do Estado estão de vento em popa, e a cada ano que se passa a arrecadação aumenta substancialmente. Até hoje nosso PCCS está engavetado, sendo que na campanha ele havia prometido que enviaria o plano para votação nos 100 primeiros dias de mandato”, esclareceu.
Para o sindicalista, Confúcio enganou a todos os servidores da saúde com a falsa promessa do PCCR, somente para auferir dividendos políticos. “Como sindicalista e filiado ao PMDB, acreditei na pessoa do Dr. Confúcio. Achei que ele seria capaz de fazer um excelente trabalho à frente do Poder Executivo do Estado, mas me decepcionei. Quero pedir desculpas aos eleitores e aos servidores a que pedi voto e, confessar que também fui enganado”, comentou.
REUNIÃO
No início desta semana, houve mais uma reunião com o Secretário de Administração Rui Vieira, e nada de concreto foi resolvido sobre o PCCS. “Fui até a reunião com a expectativa do ouvir uma proposta decente por parte do representante do Governo, até a efetiva implantação dos PCCS, mas o Governo foi evasivo e nada objetivo”, disse Paulo.
O Executivo editou Decreto de um fluxograma detalhando, de como vai caminhar as tramitações dos PCCS. Rui Vieira disse que o Governo está trabalhando e quer a participação dos sindicatos nessas ações. Ele disse ainda que irá fazer a progressão dos servidores, e liberar a insalubridade com pagamento dos retroativos.
“Queríamos obter a resposta da proposta apresentada com relação aos salários, até a efetiva implantação dos PCCS, buscando uma igualdade salarial dos servidores, com base na Lei Complementar nº 580 (SEJUS) que está em vigor e o Governo não quer implantar. Estamos pedindo o que está na Lei, nenhum centavo a mais”, declarou.
Segundo o sindicalista, a categoria está pedindo apenas a Isonomia dentro do próprio Poder Executivo, bem como o reajuste de 40% na GAE, assim como foi dado para os servidores da Educação. “O Governo nem se preocupou em verificar a nossa proposta, ou fazer qualquer tipo de contraproposta”, ressaltou.
PODERES
Paulo Durand também criticou a concessão de benefícios para os Procuradores do Estado, que igualaram os salários a de Ministros, ou seja, para algumas categorias vale a Isonomia entre os poderes (TJ-RO, TCE-RO, MP-RO e ALE-RO), enquanto para os demais servidores não pode haver a isonomia, dois pesos e duas medidas.
Na questão orçamentária os Poderes ultrapassam os limites estabelecidos, ignorando completamente a Lei de Responsabilidade Fiscal, e depois é que aquele corre-corre para fazer a suplementação. Ficando apenas constatado o fato de que é merecido melhorar apenas os salários de quem já ganha muito bem.
De acordo com o sindicalista, existe caixa (financeiro e orçamentário) para o Estado atender as necessidades dos servidores, sobretudo para aqueles que estão passando literalmente fome com toda a sua família.
“Gostaria que o Governador, Secretários, Desembargadores, Juízes, Promotores e Procuradores e Deputados Estaduais, fosse passar apenas um mês como os míseros salários que esses servidores sobrevivem para sentir na pele o sofrimento que esse povo esta passando, inclusive com as condições de trabalho, totalmente precárias, diferentemente dos espaços nos luxuosos Gabinetes com toda infraestrutura. Faço um desafio a qualquer um deles a passar por esta situação de ter de trabalhar sem condições e estar feliz”.
QUESTIONAMENTO
Na opinião do sindicalista, o Governo não tem coragem de bater de frente com os Poderes, que estão com os percentuais ultrapassados no limite da Lei de Responsabilidade Fiscal. “Porque será? No ano passado fizeram suplementação Orçamentária e este ano novamente será feito a mesma coisa. Filme que se repete”, questiona.
Paul Durand vai mais além: tem uma pergunta que não quer calar: Não é estranho o Governador do Estado, sair do Palácio para ir ao Tribunal de Justiça e manter reunião com o Presidente daquela Corte e com os Dirigentes do Sindicato dos Servidores da Justiça, para atender os reclames dos servidores do Judiciário? Até onde temos informações, não temos certeza, o motivo da reunião foi a concessão sobre o Auxilio Alimentação ou alguma Ação judicial.
Colabora para a concretização dos fatos, continuou o sindicalista, a visita do Secretário da pasta responsável pelo Orçamento e Finanças do Estado, ao Tribunal de Justiça na sexta-feira passada para finalizar os acordos iniciados pelo Governador do Estado, que contou com a participação do Chefe da Casa Civil. “Isso é muito estranho, visto que o Judiciário limita o número de percentual para a Greve na área da Saúde em 80% para inviabilizar a mesma. E ainda neste ano impõem multa pessoal aos professores que permanecessem em greve”, complementa.
Desde o inicio deste Governo, o Sintraer já fez cinco ofícios solicitando audiência para discutir os assuntos dos interesses dos servidores públicos, e não obteve nenhuma resposta. O governador sequer sentou com os Sindicatos do Poder Executivo para discutir o assunto. “Enquanto isso, Sindicato do Judiciário é atendido imediatamente. Como é forte o Poder da caneta!!!”, disparou.
“Todos os servidores do Poder Executivo deveriam se conscientizar da importância do pleito e participar maciçamente da greve, pois nenhuma autoridade está preocupada com a nossa situação. Eles estão tranquilos, seus salários são polpudos e utiliza aquele famoso ditado “Farinha pouca? Meu pirão primeiro!”, finalizou.
Qualquer projeto que é enviado para a Assembléia é votado imediatamente, se aprovam tudo o que o Governo encaminha, quase que de forma unanime, literalmente. Então fica a pergunta: Todos os Deputados (ou quase todos) tem alguma preocupação em ajudar, pressionar o Governo para resolver a situação dos servidores públicos? O que se vê é a preocupação dos Deputados em resolver seus próprios interesses pessoais. Infelizmente, e isso acontece nos demais seguimentos. Como diz Boris Casoy “Isso é uma vergonha”.
Assessoria