Sindicalistas respondem a Hermínio e dizem que não são frouxos
Presidente da Assembleia Legislativa de Rondônia afirmou que os sindicatos são frouxos e não têm moral para exigir nada.
Da reportagem do Tudorondonia
Porto Velho, Rondônia – A declaração do presidente da Assembleia Legislativa, deputado Hermínio Coelho (PSD-Porto Velho), repercutiu mal perante os dirigentes sindicais que representam servidores públicos. Ele chamou de “frouxos” e de sem moral entidades sindicais como o Sinjur, Sintero, Sinsepol, Sigeperon, Sindur, Sindsaúde, Senge, Sindeprof, Aspometron, Sintraer, Sindler, Sinpec, Sintec, Sinporo e CUT.
Hermínio criticou a forma como o governo federal está tratando a transposição dos servidores contratados em Rondônia desde 87 para a folha de pagamento da União, e também a negativa em beneficiar os contratados até 91. Assim, afirmou que os sindicatos confiam em conversa fiada, são “frouxos” e não têm moral para exigir nada em Brasília.
Oficialmente os dirigentes sindicais não devem responder a Hermínio Coelho, que usou a assessoria de imprensa da Assembleia Legislativa para criticar os sindicatos, o prefeito de Porto Velho, Roberto Sobrinho (PT) e o ex-governador.
Apesar disso, o presidente do Sindsaúde, Caio Marin, decidiu reagir. “Aqui não tem nenhum frouxo. Estamos lutando desde o começo pela transposição. O problema é que agora não é o momento para a União assumir mais despesas, com a greve nas universidades e no fisco por melhores salários”, destacou.
Caio Marin disse que o procurador geral da Advocacia Geral da União (AGU), Fernando Albuquerque, disse na reunião realizada na última segunda-feira (6), em Brasília, que serão beneficiados com a transposição somente os servidores contratados até 87, e com o salário atual, classificados como pertencentes ao quadro em extinção.
“Acontece que esse é um entendimento particular dele. Muitos juristas têm um outro entendimento. O que percebemos é que o problema do governo federal é financeiro. A ministra do Planejamento, Mirian Belchior, nos perguntou como ela poderia enquadrar os servidores de Rondônia como federais, com todas essas greves”, acrescentou Caio Marin.
O presidente do Sindsaúde disse ter estanhado a declaração de Hermínio Coelho. “O presidente da Assembleia Legislativa é um ex-sindicalista e sempre se mostrou disposto a nos ajudar. Mas de súbito, chama os colegas de frouxos. Ele precisa rever seus conceitos. Nós sempre mantivemos um bom relacionamento com ele”, afirmou.
Caio Marin disse entender a indignação de Hermínio, mas acrescentou que sua declaração não é propícia. “Talvez, em um momento de raiva, ele tenha falado com a emoção e não com a razão”, detalhou.