Sticcero despeja de hotel operários que foram abandonados por Jirau
Sticcero comunica ao hotel que não mais efetuará o pagamento das diárias para os trabalhadores.
Porto Velho, Rondônia - Diretores do Sticcero - Sindicato dos Trabalhadores da Indústria da Construção Civil do Estado de Rondônia - comunicaram ao gerente do Hotel Guajará, Edmilson Gil, dia 27 de abril, que o sindicato não mais efetuará o pagamento das diárias para os operários abandonados da WPG/ESBR-Camargo Corrêa-Suez.
A comunicação feita através de papel timbrado da entidade é assinada pelo tesoureiro, Valderi da Costa Braga, e pelo conselheiro fiscal, Alcires Queiroz Benvindo Nazário. Na comunicação também é destacado que o Sticcero entregava passagens para os trabalhadores voltarem para suas casas, diga-se, só de volta e, sem sequer dinheiro para o lanche.
O Sticcero cortou também a alimentação dos trabalhadores que era fornecida em um restaurante próximo ao hotel. Alojados no hotel desde o mês de janeiro os operários aguardam a morosa solução do caso pela justiça. Eles estão sem receber os seus salários e com as carteiras em aberto desde setembro de 2011, quando foram abandonados na área de desmatamento da usina de Jirau.

"Os operários tiveram acesso ao documento e denunciam a atitude patronal, sem escrúpulos, pelega e antioperária da direção do Sticcero, entidade filiada a CUT. Os trabalhadores estão decididos a esperar a solução dos seus direitos e vão permanecer em Porto Velho até resolver a questão, mesmo que seja preciso dormir na rua ou passar fome", anunciou neste sábado a Liga Operária, entidade que apóia os operários.
Os trabalhadores querem esperar até a próxima quinta-feira, dia 3 de maio, quando sai a sentença do juiz federal do trabalho, Carlos Antônio Chagas Júnior, para saber o resultado e receber os direitos trabalhistas a que tem direito.
"Parece que os pelegos do Sticcero não querem que o caso tenha uma solução favorável para os operários, pois quer manda-los embora para casa sem direito a nada e sem o resultado concreto da ação judicial", diz a nota divulgada pela Liga.
Segundo a nota distribuída à imprensa pela entidade, "os pelegos concretizaram as ameaças feitas quinta-feira passada pelo vice-presidente, Altair Donizete, e o tesoureiro Valderi Braga, que disseram: 'À partir de amanhã, o sindicato não vai mais arcar com as despesas de hospedagem e alimentação. Os trabalhadores estão dando um prejuízo danado e tem que se virar! Acabou a audiência, tira as malas pra rua'. A instrução processual da ação que envolve os mais de 80 trabalhadores da Usina de Jirau foi concluída na manhã desta sexta-feira (27), na audiência da 1ª Vara do Trabalho de Porto Velho. Nesta audiência, os trabalhadores não puderam se manifestar, apenas uma testemunha escolhida pelo advogado do sindicato foi ouvida e o representante do Ministério Público do Trabalho (MPT) teve a palavra cortada na audiência. O MPT reforçou as denúncias sobre como está sendo conduzido o processo, que pode provocar prejuízo jurídico e material aos trabalhadores, além de também questionar a legitimidade do Sticcero. Destacou que em reunião no dia 12 de abril, no auditório do TRT, os trabalhadores manifestaram em documento assinado de próprio punho, que não concordavam com a continuidade da ação sob a condução do Sticcero, por entender que o sindicato agia contra os interesses dos trabalhadores".
"Segundo os trabalhadores a testemunha mentiu por duas vezes, quando disse que o patrão Júlio da WPG comunicou que não poderia pagar os salários, sendo que ele sumiu do canteiro sem falar com ninguém e quando falou que seriam apenas dois salários atrasados, sendo que na verdade são quatro meses e mais o período do abandono do ano passado até hoje. O empresário Anderson, da TPC também mentiu quando disse que a empresa dele não tem nenhum vinculo com a ESBR, sendo que a TPC era terceirizada da WPG, contratada pelo consorcio ESBR", relata a Liga no comunicado à imprensa.
.
Em outro trecho, a Liga acrescenta: "Os operários estão com a pulga atrás da orelha, pois conforme um declarou: “Aqui em Rondônia hoje eu acho que a Justiça do Trabalho atua mais em favor do patrão, porque no caso nosso nós estamos desde novembro esperando, tudo pai de família, a maioria de fora, e até agora não teve uma solução, então eu acho que a Justiça do Trabalho apóia mais pro lado do patrão. Este caso dos operários da WPG/ESBR é mais uma demonstração dos conluios dos pelegos do Sticcero e do desrespeito aos direitos dos trabalhadores. Esses pelegos estão a serviço do consórcio ESBR (Camargo/Suez) que quer os trabalhadores bem longe antes do anúncio da sentença judicial. Desde o ano passado, os operários denunciam o calote e reclamam da justiça do trabalho uma ação efetiva contra o consórcio ESBR (Camargo/Suez) que terceirizou e quarteirizou os serviços na usina de Jirau e deixou os trabalhadores abandonados pelos desonestos contratadores de mão-de-obra. Neste período a diretoria do sindicato se omitiu de denunciar com firmeza as arbitrariedades do consórcio ESBR e empreiteiras, além de não dar nenhum apoio para as manifestações e passeata realizadas pelos operários abandonados da WPG/ESBR. Mais uma vez, a diretoria do Sitccero (Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil de Rondônia), filiado a CUT, não defende os operários como deviam. O Sitccero se omite completamente de denunciar o roubo dos direitos trabalhistas cometido pela terceirizada WPG e pelas bilionárias empresas Camargo Correa, GDF-Suez e outras empresas do consórcio ESBR. Não foi à toa que os pelegos do Sticcero foram apedrejados pelos operários ao final da última e manipulada assembleia realizada no canteiro de obras da usina hidrelétrica de Jirau, no último dia 2 de abril".