Um governo confuso

Por Valdemir Caldas

Publicada em 17/05/2012 às 07:19:00

As hesitações do governo Confúcio Moura, especificamente no que concerne às mudanças na sua equipe de colaboradores, vêm causando no seio da opinião pública os maiores receios de que as esperanças depositadas por muitos rondonienses no advento de dias melhores, possam ser mais uma vez atropeladas pelo desenrolar dos acontecimentos.

Causa estranheza que um partido político da envergadura de um PMDB, que foi capaz de unir forças às mais diferentes correntes ideológicas, para promover o afastamento de um presidente da República, acusado de confundir o público com o privado, não encontre consenso para compor um simples secretariado de estado.

E sabe por quê? Pela ambição desmedida de alguns de seus lideres, que parecem agir vinte e quatro horas do dia com o pensamento posto na busca frenética de cargos e privilégios, em vez de emprestarem ao governador Confúcio todo o apoio necessário de que precisa para que dos seus resultados benéficos a todos não surja mais uma decepção a juntar-se às muitas outras já sofridas pela população.

Causa pena que isso esteja acontecendo, pois não eram esses, por certo, os pensamentos dos cidadãos que foram às urnas e escolheram Confúcio Moura comandante-em-chefe de Rondônia. O governo está confuso. Ora o governador deseja uma coisa; ora seus aliados, na Assembléia Legislativa, intencionam outra; ora, ainda, líderes partidários querem outra, enquanto a sociedade aguarda por providências que contribuam para, pelo menos, minimizar o seu sofrimento, sobretudo nas áreas da saúde, segurança pública e educação, mas elas não chegam.

O que os milhares de rondonienses que foram as urnas esperavam era que, uma vez anunciado o resultado final da votação, todos se juntassem, naturalmente num trabalho de alta elevação cívica, esquecidas até mesmo temporariamente as conotações de natureza política, para ajudar a recolocar Rondônia nos trilhos, numa ação conjugada de interesse de todos.

Mas, infelizmente, o que se está vendo não é exatamente isso, pois a dança na escolha de secretários, feita de modo a contentar este ou aquele grupo (enquanto outros vacilam e se esquecem à responsabilidade que tiveram na elaboração do atual estado de coisas), leva a descrença ao seio da opinião pública, que já não sabe mais o que pensar diante da pequenez cívica de certas lideranças políticas.

Já passou da hora de o governador Confúcio Moura adotar a postura que a liturgia do cargo exige e, com a sua tão decantada energia e força de vontade, partir para a adoção de uma prática de governo que seja capaz de resolver alguns dos graves problemas que afligem a nossa gente, especialmente os segmentos mais carentes da população.