Valdir Raupp afirma que hidrelétrica de Jirau ficará pronta no próximo ano
Valdir Raupp acredita que, com energia barata e farta das usinas da região, Rondônia poderá se transformar em um centro industrial capaz de atender a Região Norte e países vizinhos.
Depois de ter visitado as obras das hidrelétricas de Santo Antônio e Jirau, no Rio Madeira, em Rondônia, o senador Valdir Raupp (PMDB-RO) comunicou ao Plenário que a usina de Jirau ficará pronta em 2011, quase um ano antes do programado. Ele acompanhou visita que o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, e dirigentes da Eletrobrás, Eletrosul e Furnas fizeram às duas obras, na quinta-feira (18). As duas usinas produzirão quase 7 mil megawatts.
Durante a visita, acrescentou o senador, foi inaugurada em Porto Velho (RO) uma fábrica de componentes de geração de eletricidade do grupo francês Alstom, associado ao brasileiro Bardella, que atenderá às usinas do Rio Madeira e outras hidrelétricas da região central da América do Sul. O senador disse que essa é a maior indústria de Rondônia, acrescentando que anteriormente já havia sido inaugurada uma fábrica de cimento.
- Rondônia vive uma verdadeira revolução. São 10 mil homens trabalhando em Jirau e outro tanto em Santo Antônio. São 300 máquinas em cada uma das usinas. A fábrica da Alstom dará 400 empregos. Só os investimentos em saneamento, neste momento, somam 800 milhões de reais - afirmou.
Valdir Raupp acredita que, com energia barata e farta das usinas da região, Rondônia poderá se transformar em um centro industrial capaz de atender a Região Norte e países vizinhos. Observou que a energia elétrica das usinas do Rio Madeira deverá ser vendida em Porto Velho com um preço 20% menor, comparando-se com a mesma eletricidade ofertada no Centro-Sul.
Para ele, a recuperação da BR-364, que liga Rondônia ao resto do país, dará um novo impulso ao estado. Observou que Porto Velho fica em um entroncamento, com várias saídas rodoviárias para a Bolívia, o Chile, a Venezuela, além dos estados vizinhos da região Norte e Centro-Oeste. Valdir Raupp acredita ainda que serão fundamentais as quatro Zonas de Processamento de Exportações (ZPEs) que poderão ser implantadas no estado - projeto de sua autoria. Elas se localizarão em Porto Velho, Ji-Paraná, Vilhena e Guajará-Mirim.
O senador voltou a reivindicar da Petrobras a construção do gasoduto Urucu-Porto Velho. Na sua opinião, o gás de Urucupropiciará a instalação de várias indústrias em Rondônia.
Pude sair daqui de Brasília com o Ministro das Minas e Energia, Edison Lobão. Já é a segunda vez que o Ministro Edison Lobão visita o Estado de Rondônia.
A primeira vez, no ano passado, acompanhado do Presidente Lula – ou melhor, nós acompanhamos o Presidente Lula na visita a Rondônia, na época do início de duas grandes obras, que são as usinas do Rio Madeira, Santo Antonio e Jirau, um complexo de hidroelétricas que vão gerar quase 7 mil megawatts, Senador Cassol, naquele Estado, que vai fornecer energia para o Brasil.
Rondônia vai sair da situação de um Estado deficitário na área de energia elétrica – carente de energia elétrica que foi no passado – para a de exportador. Hoje nós consumimos algo em torno de 400 megawatts e vamos gerar quase 7 mil megawatts. E ainda há mais algumas usinas no Estado, como a de Samuel, de 220 megawatts, que foi a primeira usina, e outras pequenas centrais hidrelétricas de 19, de 10, de 8 megawatts.
Agora estamos para inaugurar mais uma de 74 megawatts, que é a Rondon 2, em Pimenta Bueno, do Grupo Eletrogoes, da Bahia, que já está praticamente pronta – faltam 1,5% para ela ser concluída; deve ser inaugurada daqui a três, quatro meses –; e mais uma usina de biomassa, também na cidade de Pimenta Bueno, agregada à de 74 megawatts, o que soma quase 100 megawatts.
Ainda há mais uma para lançar. Na próxima sexta-feira, vamos fazer uma audiência pública em Machadinho d’Oeste, para lançar mais uma usina de 350 megawatts no Rio Machado. Seria uma usina de 1,5 mil megawatts, mas, como se ia atingir uma reserva indígena, ela foi diminuída até atingir 350 megawatts, para não haver agressão nenhuma ao meio ambiente.
É apenas uma pequena dificuldade com a reserva nacional Campos Amazônicos, que já está sendo resolvida, desafetando-se uma pequena área de oito quilômetros quadrados, ampliando-se o parque para o outro lado, para se poder construir essa usina de 350 megawatts.
Mas, Sr. Presidente, nessa última visita do Ministro Lobão, pudemos ver as obras já a todo vapor. A primeira usina visitada foi a de Jirau, com aproximadamente 10 mil homens trabalhando e mais de 300 máquinas, já com previsão de início de geração para 2011, antecipando-se em praticamente um ano o início da geração de energia elétrica.
A segunda usina visitada foi a de Santo Antônio, cuja obra está, inclusive, mais adiantada do que a da usina de Jirau, até porque começou um pouco antes. Mas estão praticamente do mesmo tamanho as duas usinas; está sendo empregado, também, algo em torno de 10 mil trabalhadores, com mais de 300 máquinas.
É uma verdadeira revolução. É uma coisa muito bonita ver obras como essas, das usinas de Santo Antônio e Jirau, principalmente porque não irão agredir o meio ambiente. Foram projetos modernos, que visaram a não impactar negativamente o meio ambiente. São pequenas represas. Como o rio é muito grande, as cachoeiras são muito grandes, então cada usina dessas vai gerar três mil e trezentos e poucos megawatts, com pouco impacto ao meio ambiente.
E o Brasil, sabemos, é um dos países do mundo que tem o maior potencial hidroelétrico e que gera a maior quantidade de energia em hidroelétrica – que é menos poluente que as usinas termoelétricas fósseis, como é o caso das usinas da China e dos Estados Unidos, duas superpotências cuja fonte energética é baseada na geração termoelétrica.
Na esteira dessas usinas, Sr. Presidente, Srªs e Srs. Senadores, estão indo outras indústrias. Foi inaugurada, nesta quinta-feira, com o Ministro Lobão, em Porto Velho, que estava acompanhado também do Presidente da Eletrobrás, do Presidente da Eletrosul, do Presidente de Furnas e de outros diretores de empresas estatais na área de energia elétrica, uma metalúrgica que vai produzir parte dos componentes das turbinas. A parte de fora das turbinas vai ser construída em Porto Velho. E não só para Porto Velho, para as usinas do rio Madeira: a metalúrgica vai ficar lá produzindo para a usina de Belo Monte, no Pará, e está empregando cerca de 400 trabalhadores já de início; é uma sociedade da Alstom francesa com a Bardella brasileira, a primeira grande indústria de Porto Velho.
Espero, com essa geração de energia farta e já nessa fase de construção das usinas, que se possa atrair outras indústrias. Aliás, não foi apenas essa a indústria que foi inaugurada em Porto Velho. Recentemente, foi inaugurada a fábrica de cimento da Votorantim, que está empregando mais de 400 trabalhadores. Então, começa um novo ciclo, uma nova era na cidade de Porto Velho, a nossa capital do Estado, e, por que não dizer, em todo o Estado de Rondônia.
Concedo, com muito prazer, o aparte ao nobre Senador Cassol, do Estado do Tocantins.
O Sr. Sadi Cassol (Bloco/PT – TO) – Quero aproveitar a oportunidade, mais uma vez, para parabenizar o Ministro Edison pelo brilhante trabalho que vem desempenhando à frente do Ministério das Minas e Energia.
Informamos o Ministro Edison Lobão de alguns ajustes que precisariam ser feitos no que diz respeito aos impactados do lado do Tocantins, e S. Exª, em menos de 15 dias, convidou-nos, pessoalmente, para irmos às obras e vermos de perto o que estava acontecendo com a direção da Ceste, a empresa investidora. Em menos de uma semana depois, a própria empresa investidora lá também apresentou um plano de ação, para corrigir algumas falhas que havia junto aos impactados lá do Tocantins. Durante a viagem daqui para Imperatriz do Maranhão, tivemos a oportunidade – eu e mais um Deputado – de uma conversa muito agradável com o Ministro. Ele me dizia de todas essas usinas a serem construídas, que estão sendo construídas, que estão sendo inauguradas e que logo, logo suprirão as necessidades de todo País na demanda da energia elétrica. Quero aproveitar, nobre Senador Valdir Raupp, para parabenizar novamente o Ministro pela ação rápida, objetiva. S. Exª vem empenhando esse trabalho em todo o País, para não haver mais os tais apagões, que tivemos a infelicidade de ter em nosso País. Então, parabéns a Rondônia e ao Ministro, mais uma vez, por esse brilhante trabalho que vem fazendo à frente do Ministério de Minas e Energia. Obrigado.
O SR. VALDIR RAUPP (PMDB – RO) – Obrigado, nobre Senador Cassol, pelo aparte. Parabenizo V. Exª pelos empreendimentos também desse Governo no Estado do Tocantins. Não me lembro de algum período na história do Brasil em que houvesse tantos investimentos, em que estivessem acontecendo tantas obras de infraestrutura, como as que estão acontecendo neste momento, em nosso País.
Voltando a falar no complexo das usinas do Rio Madeira, não tenho nenhuma dúvida de que Porto Velho, a nossa capital, e também o interior do Estado vão iniciar uma nova fase, que é a da industrialização. Então, não me preocupo muito com a ressaca do final da construção das usinas, em que vão sair aproximadamente 20 mil trabalhadores, que poderão ficar sem seus empregos nessas usinas. Até lá, haverá um parque industrial formado em Porto Velho. Com uma energia farta, estamos trabalhando, para que cada usina dessas possa instalar três turbinas a mais, para gerar, principalmente no período das cheias, além daquilo que já está contratado, energia mais barata, em torno de 400, 500 megawatts, uma energia 20% mais barata, porque não se vai precisar pagar o transporte para São Paulo e para outros Estados, podendo-se fornecer essa energia para Rondônia, para as indústrias de Rondônia.
Acredito muito na industrialização do meu Estado, a partir já da construção das usinas do Rio Madeira, principalmente na fase final, quando já se estiver gerando energia elétrica.
Aprovei também, aqui no Senado, uma Zona de Processamento de Exportação, que é um modelo que existe na China, nos Estados Unidos e em outros países. No Brasil, aprovamos no Congresso, recentemente, para serem instaladas em alguns Estados brasileiros. Aprovei quatro Zonas de Processamento de Exportação para Rondônia: Porto Velho, Guajará-Mirim, Ji-Paraná e Vilhena, dividindo o Estado em quatro grandes regiões. Mas Porto Velho talvez seja a primeira, por sua geografia, porque já tem um porto organizado. Então, essa primeira Zona de Processamento deve ser instalada em Porto Velho.
Depois, poderiam ser instaladas subzonas em Guajará-Mirim, Ji-Paraná e Vilhena, para proporcionar geração de emprego e acomodar os trabalhadores das usinas de Jirau e de Santo Antonio, quando estiverem concluídas essas usinas.
Então, espero sinceramente que o nosso Estado possa viver uma nova fase, uma nova era: a era da industrialização, da geração de emprego e renda.
Da mesma forma, eu quero agradecer, assim como já agradeci ao Ministro Edison Lobão e ao Presidente Lula, à Ministra Dilma Rousseff, que já esteve também em Rondônia no ano passado, lançando obras do PAC na cidade de Porto Velho, anunciando mais de R$800 milhões de investimentos em saneamento básico, em redes de água e esgoto.
E não é apenas promessa. São obras que estão em construção. Já estão em fase final de construção, obras de infraestrutura, principalmente na área de saneamento básico em Porto Velho.
Da mesma forma, ela também anunciou obras pela Prefeitura, de construção de viadutos, de asfalto, de drenagem, de casas habitacionais. Porto Velho está, portanto, vivendo um verdadeira revolução.
Na quarta-feira próxima, depois de amanhã, a Ministra Dilma estará indo lá bem próximo a Rondônia, à cidade de Humaitá, que fica a apenas 170 quilômetros de Porto Velho, para inaugurar trechos de obras da BR-319 e lançar outras obras. Ela vai assinar ordem de serviço, junto com o Ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento, das obras de construção da ponte sobre o Rio Madeira, em Porto Velho.
Esta ponte é um sonho antigo. Lá, existe uma balsa, e a demora é de quase uma hora para atravessar, dependendo da fila, e é a estrada que liga Porto Velho a Manaus, que está sendo toda restaurada. Já tem um trecho de 200 quilômetros de Porto Velho a Manaus; outro, de Manaus, no sentido Humaitá/Porto Velho. Resta apenas o meio, que necessita alguns ajustes na licença ambiental, para que ela seja também restaurada.
Mas já será lançada a obra da ponte.
Como essa obra demora cerca de 2 anos para ser concluída, até lá, acredito que todo o percurso da BR-319 já esteja restaurado.
Então, quero já antecipadamente agradecer à Ministra Dilma, que está indo mais uma vez à nossa região, ali entre Porto Velho e Manaus, inaugurar trechos de restauração da BR-319 e lançar essa obra tão importante para Porto Velho, que é a ponte do Rio Madeira.
Da mesma forma, queria agradecer ao Diretor-Geral do Dnit, Dr. Luiz Pagot, que esteve em Vilhena também lançando obras: lançando a restauração da BR-364, de Vilhena a Porto Velho, uma obra de R$600 milhões, também no PAC. Será todo recapeada com asfalto usinado, asfalto quente, como a gente chama, que é o melhor asfalto que existe, com terceiras faixas, acostamento, viadutos em algumas passagens de cidades e travessias urbanas. Então, é uma obra também que vai engrandecer o nosso Estado e melhorar o tráfego, diminuindo os acidentes na BR-364.
Então, quero aqui encerrar meu pronunciamento dizendo do meu otimismo, da minha convicção, de que o Brasil está vivendo um bom momento e que Rondônia, o meu Estado, vive um ótimo momento da sua história.
Estive recentemente na China, Srªs e Srs. Senadores, e pude ver a revolução que a China está fazendo na área de transportes, principalmente na área de ferrovias. E, em Vilhena, recentemente, quando esteve lá o Diretor-Geral do Dnit, também discutimos numa audiência pública a ferrovia transcontinental. Essa ferrovia nasce na Bahia e no Rio de Janeiro, e passa por Uruaçu, aqui no Estado de Goiás. Passa por Minas Gerais, primeiramente, depois vai ao Mato Grosso, aos Estados de Tocantins, Goiás, passa por Mato Grosso e chega a Rondônia por Vilhena.
E, lá em Vilhena, isso foi discutido nessa audiência pública... O Senador Gilberto, que preside neste momento esta sessão, é do Estado de Mato Grosso. Essa ferrovia vai cortar todo o Estado de Mato Grosso – Lucas do Rio Verde; Sapezal, a região da soja; entra em Vilhena e vai a Porto Velho. Eu fui o Relator, aqui no Senado Federal, da medida provisória que tratava do plano ferroviário nacional e pude estender esse projeto de Vilhena a Porto Velho, de Porto Velho a Rio Branco, de Rio Branco a Cruzeiro do Sul, Boqueirão, no Acre, que se liga ao Peru, interligando essa ferrovia às ferrovias peruanas, para ficar uma ferrovia transcontinental, ligando o Oceano Atlântico ao Oceano Pacífico.
Então, a nossa malha de transportes está melhorando. Rondônia, Porto Velho, fica num entroncamento com várias saídas, para Bolívia, Chile, Acre, Peru, Manaus, Caribe, Venezuela. É um entroncamento de logística, de transportes, de vias de integração. Por isso, acredito que vai nascer em Porto Velho um grande polo industrial.
Não vou dizer que será igual ao Polo de Manaus, de que temos muita inveja, mas uma inveja saudável, pois também apoiamos aqui, no Senado Federal, no Congresso Nacional, a renovação para ampliar o prazo do Polo Industrial de Manaus, a Zona Franca de Manaus. Queremos, talvez, em Porto Velho, uma mini Zona Franca, um mini Polo Industrial de Manaus, para gerar emprego e renda para aquela população.
Por último, eu queria falar rapidamente, Sr. Presidente, Srªs e Srs. Senadores, de uma outra obra que tenho reivindicado desde que cheguei aqui nesta tribuna. Temos o projeto pronto, temos a licença ambiental aprovada há mais de três anos, mas essa obra não sai do papel. Infelizmente, a Petrobras nunca quis construir o nosso gasoduto Urucu-Porto Velho, Sr. Presidente. É uma obra importante. Temos uma térmica de 400 MW em Porto Velho, queimando óleo diesel – queimava muito, e agora queima um pouco menos, pois está no sistema interligado e entra de vez em quando. Mas, se o Brasil continuar a crescer 5%, 6% do PIB nos próximos anos, essa térmica poderá ter de ser acionada novamente.
E ai nós teremos o nosso gasoduto Urucu/Porto Velho.
Então, venho aqui cobrar da Petrobras e das empresas envolvidas nesse projeto que tirem esse projeto do papel. Agora que o gasoduto Urucu/Manaus já está pronto, já está funcionando, está saindo mais prospecção de petróleo na Bacia do Juruá e na Bacia do Solimões, para onde vai esse gás? Esse gás tem que sair por Rondônia, talvez, um dia, não interligando apenas Urucu/Porto Velho, mas interligando Porto Velho a Cuiabá, pois já tem uma térmica ali com gás da Bolívia, interligando o Gasbol, que vem para o sudeste do País, para o grande centro industrial do País. Vamos interligar esses nossos gasodutos e aproveitar o nosso gás. Enquanto o Brasil compra gás caro, a preço de dólar da Bolívia, nós estamos jogando gás fora, queimando na atmosfera ou reinjetando no solo lá na bacia do Urucu e daqui a pouco na Bacia do Juruá e do Solimões também.
Então, eu quero reivindicar junto ao povo de Rondônia o nosso gasoduto, o gasoduto Urucu/Porto Velho.
Muito obrigado, Sr. Presidente.