Arma de Bolsonaro é apreendida com Kid Preto

Enquanto a esquerda costuma repetir o bordão: “a luta continua”, a ultradireita tem um outro que procuram colocar em ação: “o golpe continua”

Fonte: Denise Assis - Publicada em 16 de junho de 2026 às 19:21

Arma de Bolsonaro é apreendida com Kid Preto

Jair Bolsonaro, em prisão domiciliar, em Brasília - 14/08/2025 (Foto: REUTERS/Adriano Machado)

Pistola de Bolsonaro é apreendida com Kid Preto, seu ex-segurança pessoal, na presidência

Enquanto a esquerda costuma repetir o bordão: “a luta continua”, a ultradireita tem um outro que procura colocar em ação: “o golpe continua”. 

A pistola 9 milímetros encontrada com o militar durante uma blitz em Taguatinga, o segundo sargento Estácio Leite da Silva, era do ex-presidente Jair Bolsonaro, conforme informou o próprio portador, que a princípio tentou esconder o verdadeiro proprietário. Porém, diante da falta de registro da pistola em seu nome, foi obrigado a confessar ser de Bolsonaro a arma que transportava no piso do carro que conduzia. 

A Polícia Civil do Distrito Federal, que fez a apuração levantou que Leite da Silva era oficial do GSI. Segundo fontes da área militar consultadas pelo 247, o segundo sargento Estácio Leite da Silva fez cursos de combate e possui registro como integrante do Comando de Operações Especiais do Exército brasileiro, conhecido como Kids Pretos. Seus cursos são classificados como sigilo militar. 

Ele pertence ao Quadro Especial - conhecido no jargão militar como QE –, e entrou no Exército como soldado, progredindo até o posto de sargento. Duante o tempo em que Jair Bolsonaro esteve na Presidência ele era seu segurança pessoal, tendo recebido para isso, segundo o Coaf, gratificação por exercer o cargo entre maio de 2022 e julho de 2023. 

Estava lotado no GSI, o que é totalmente ilegal – não faz parte da boa prática do meio militar -, e transitava livremente entre o Palácio da Alvorada e o Palácio do Planalto, mesmo na gestão do presidente atual, Luiz Inácio Lula da Silva. 

Pela atividade que exercia recebia diretamente da conta do então presidente Jair Bolsonaro para a sua conta, uma gratificação da ordem de R$ 13.300,00 mensais e ainda recebia um “plus” do presidente Bolsonaro, de R$ 1900,00 por mês. O superior imediato de Estácio Filho era o coronel Marcelo Câmara – hoje condenado pela tentativa de golpe de 8 de janeiro, com a pena de 21 anos -, e o superior geral era o general Augusto Heleno, que também foi condenado pelo mesmo motivo, com pena de 24 anos, que cumpre em prisão “domiciliar humanitária”.

O flagrante de apreensão da pistola 9 milímetros que vem a ser de Bolsonaro acontece às vésperas do encerramento do período de sua prisão domiciliar, previsto para o dia 25. A história contada pelo segundo sargento é a de que Bolsonaro teria solicitado um “reparo no armamento”. 

De acordo com uma fonte do Ministério Público, que avaliou rapidamente a situação, “à luz da Lei de Execução Penal, o porte de arma de fogo durante o cumprimento de condenação criminal, constitui falta gravíssima, o que torna passível a regressão de regime. Ou seja, se o condenado estiver em regime de prisão no semiaberto ou no aberto, a regressão de regime para o fechado seria imediata”.

Essa mesma fonte fez a seguinte ressalva: “ocorre que ele estava em regime especial por conta dos problemas de saúde e, por conta disso, o Alexandre de Moraes notificou a defesa antes de qualquer providência”. Segundo o integrante do Ministério Público “o fato é gravíssimo, não só pelo que conversamos, mas demanda também uma investigação sobre a chegada dessa arma de fogo até às mãos do condenado”.

De acordo com as observações dessa mesma fonte, Bolsonaro deve assumir a posse da arma, mas “vai apresentar um monte de justificativas dizendo que era militar, ex-presidente etc., o que não justifica nada, pois a situação jurídica principal é que está condenado e cumprindo pena”.

Denise Assis

Jornalista e mestra em Comunicação pela UFJF. Trabalhou nos principais veículos, tais como: O Globo; Jornal do Brasil; Veja; Isto É e o Dia. Ex-assessora da presidência do BNDES, pesquisadora da Comissão Nacional da Verdade e CEV-Rio, autora de "Propaganda e cinema a serviço do golpe - 1962/1964" , "Imaculada" e "Claudio Guerra: Matar e Queimar".

Arma de Bolsonaro é apreendida com Kid Preto

Enquanto a esquerda costuma repetir o bordão: “a luta continua”, a ultradireita tem um outro que procuram colocar em ação: “o golpe continua”

Denise Assis
Publicada em 16 de junho de 2026 às 19:21
Arma de Bolsonaro é apreendida com Kid Preto

Jair Bolsonaro, em prisão domiciliar, em Brasília - 14/08/2025 (Foto: REUTERS/Adriano Machado)

Pistola de Bolsonaro é apreendida com Kid Preto, seu ex-segurança pessoal, na presidência

Enquanto a esquerda costuma repetir o bordão: “a luta continua”, a ultradireita tem um outro que procura colocar em ação: “o golpe continua”. 

A pistola 9 milímetros encontrada com o militar durante uma blitz em Taguatinga, o segundo sargento Estácio Leite da Silva, era do ex-presidente Jair Bolsonaro, conforme informou o próprio portador, que a princípio tentou esconder o verdadeiro proprietário. Porém, diante da falta de registro da pistola em seu nome, foi obrigado a confessar ser de Bolsonaro a arma que transportava no piso do carro que conduzia. 

A Polícia Civil do Distrito Federal, que fez a apuração levantou que Leite da Silva era oficial do GSI. Segundo fontes da área militar consultadas pelo 247, o segundo sargento Estácio Leite da Silva fez cursos de combate e possui registro como integrante do Comando de Operações Especiais do Exército brasileiro, conhecido como Kids Pretos. Seus cursos são classificados como sigilo militar. 

Ele pertence ao Quadro Especial - conhecido no jargão militar como QE –, e entrou no Exército como soldado, progredindo até o posto de sargento. Duante o tempo em que Jair Bolsonaro esteve na Presidência ele era seu segurança pessoal, tendo recebido para isso, segundo o Coaf, gratificação por exercer o cargo entre maio de 2022 e julho de 2023. 

Estava lotado no GSI, o que é totalmente ilegal – não faz parte da boa prática do meio militar -, e transitava livremente entre o Palácio da Alvorada e o Palácio do Planalto, mesmo na gestão do presidente atual, Luiz Inácio Lula da Silva. 

Pela atividade que exercia recebia diretamente da conta do então presidente Jair Bolsonaro para a sua conta, uma gratificação da ordem de R$ 13.300,00 mensais e ainda recebia um “plus” do presidente Bolsonaro, de R$ 1900,00 por mês. O superior imediato de Estácio Filho era o coronel Marcelo Câmara – hoje condenado pela tentativa de golpe de 8 de janeiro, com a pena de 21 anos -, e o superior geral era o general Augusto Heleno, que também foi condenado pelo mesmo motivo, com pena de 24 anos, que cumpre em prisão “domiciliar humanitária”.

O flagrante de apreensão da pistola 9 milímetros que vem a ser de Bolsonaro acontece às vésperas do encerramento do período de sua prisão domiciliar, previsto para o dia 25. A história contada pelo segundo sargento é a de que Bolsonaro teria solicitado um “reparo no armamento”. 

De acordo com uma fonte do Ministério Público, que avaliou rapidamente a situação, “à luz da Lei de Execução Penal, o porte de arma de fogo durante o cumprimento de condenação criminal, constitui falta gravíssima, o que torna passível a regressão de regime. Ou seja, se o condenado estiver em regime de prisão no semiaberto ou no aberto, a regressão de regime para o fechado seria imediata”.

Essa mesma fonte fez a seguinte ressalva: “ocorre que ele estava em regime especial por conta dos problemas de saúde e, por conta disso, o Alexandre de Moraes notificou a defesa antes de qualquer providência”. Segundo o integrante do Ministério Público “o fato é gravíssimo, não só pelo que conversamos, mas demanda também uma investigação sobre a chegada dessa arma de fogo até às mãos do condenado”.

De acordo com as observações dessa mesma fonte, Bolsonaro deve assumir a posse da arma, mas “vai apresentar um monte de justificativas dizendo que era militar, ex-presidente etc., o que não justifica nada, pois a situação jurídica principal é que está condenado e cumprindo pena”.

Denise Assis

Jornalista e mestra em Comunicação pela UFJF. Trabalhou nos principais veículos, tais como: O Globo; Jornal do Brasil; Veja; Isto É e o Dia. Ex-assessora da presidência do BNDES, pesquisadora da Comissão Nacional da Verdade e CEV-Rio, autora de "Propaganda e cinema a serviço do golpe - 1962/1964" , "Imaculada" e "Claudio Guerra: Matar e Queimar".

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