Banco Pleno busca comprador após queda do Master

Liquidação do Banco Master impacta percepção de risco do Banco Pleno, ex-Voiter, ligado ao banqueiro Augusto Lima, enquanto investidores e reguladores acompanham sinais de estresse de liquidez

Fonte: Painel Político - Publicada em 27 de janeiro de 2026 às 14:59

Banco Pleno busca comprador após queda do Master

A liquidação do Banco Master trouxe novos desdobramentos para o mercado financeiro e reacendeu preocupações em torno do Banco Pleno, antigo Voiter, instituição associada ao banqueiro Augusto Lima, ex-sócio do Master. Segundo apuração do Pipeline, o Pleno busca atualmente um comprador e chegou a oferecer o ativo ao grupo J&F, que não demonstrou interesse na operação.

O contexto se tornou mais sensível após Augusto Lima ser afastado da administração do Pleno, em meio à Operação Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal. O executivo chegou a ser preso e posteriormente liberado. Um depoimento que estava marcado para esta terça-feira foi cancelado, sem divulgação oficial do motivo.

Pressão sobre captação e liquidez

Plataformas de investimento como XP e BTG deixaram de oferecer títulos do Banco Pleno aos investidores, movimento que, segundo fontes de mercado, ocorreu após a operação da Polícia Federal. A retirada desses papéis do mercado primário dificultou a captação de recursos pela instituição.

No mercado secundário, a percepção de risco aumentou. As taxas dos títulos do Pleno chegaram a atingir 170% do CDI, sinalizando maior exigência de retorno por parte dos investidores diante das incertezas em torno da liquidez do banco.

Dados divulgados em setembro indicam que o Pleno mantinha um passivo de R$ 6,8 bilhões, sendo R$ 5,2 bilhões em depósitos a prazo, principalmente CDBs, em sua maioria com cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Além disso, havia R$ 759,7 milhões em letras financeiras. Uma fonte ouvida pelo Pipeline afirmou: “Quando Augusto vendeu sua participação no Master, ele levou cerca de 7,5% dos passivos”.

Venda de ativos e relação com o Banco Central

A venda do Voiter foi, até o momento, a única operação do conglomerado do Master autorizada pelo Banco Central do Brasil (BC). Outras transações, como a venda do Letsbank ao ex-sócio Maurício Quadrado e a negociação do próprio Master com o BRB – Banco de Brasília, não receberam aval do regulador.

Como condição para autorizar a operação envolvendo o Pleno, o BC exigiu a apresentação de um plano concreto para enfrentar uma eventual crise de liquidez. Segundo reportagem do Valor Econômico, em caso de quebra da instituição, o patrimônio pessoal de Augusto Lima, estimado em R$ 1 bilhão, poderia ser acionado.

Origem da operação e crédito consignado

A operação do Pleno é fortemente concentrada em crédito consignado, apoiada na estrutura do Credcesta. Em setembro, a carteira total do banco somava R$ 123 milhões. Especialistas apontam que, para manter o crédito aos servidores públicos, a instituição precisa seguir captando recursos no mercado.

Casado com Flávia Arruda, ex-ministra pelo PL no governo Jair Bolsonaro e ex-deputada federal pelo PL-DFAugusto Lima manteve interlocução tanto em gestões anteriores quanto no atual governo. Foi ele quem levou a operação de crédito consignado para o Master.

Em abril de 2018, o então governador da Bahia pelo PT, Rui Costa, hoje ministro da Casa Civil, concluiu a privatização da Ebal – Empresa Baiana de Alimentos, estatal responsável pela rede Cesta do Povo, que operava o cartão de crédito consignado Credcesta. Na época, o Credcesta mantinha contrato com o governo baiano para atender cerca de 380 mil segurados.

A Ebal foi adquirida pela NGV SPE Empreendimentos e Participações, que, segundo documentos obtidos pelo Pipeline, cedeu os direitos de operação do Credcesta à PKL.

Ainda em 2018, o Banco Máxima — posteriormente rebatizado como Master sob comando de Daniel Vorcaro — comprou 50% da PKL One, empresa ligada a Lima e responsável pela operação do Credcesta, por R$ 22 milhões. Os outros 50% permaneceram com Augusto Lima.

No Master, Lima ampliou a carteira de crédito consignado e contratou Márcio Alaor, então vice-presidente do Banco BMG, para atuar como diretor do Departamento de Benefícios e Consignados. Em 2024, o cartão-benefício, principal produto do Credcesta, era oferecido em 24 estados e alcançava 176 municípios.

Posicionamento institucional

Procurado, o Banco Pleno afirmou, em nota, que “não é alvo de qualquer investigação, processo administrativo ou questionamento por parte dos órgãos reguladores, operando de forma regular e em total conformidade com a legislação vigente”. A instituição destacou ainda que a exposição ao FGC diminuiu desde o início das operações e que o plano de negócios aprovado pelo Banco Central “está sendo seguido à risca”.

Fundo Garantidor de Créditos informou que não comentaria o assunto.

Banco Pleno busca comprador após queda do Master

Liquidação do Banco Master impacta percepção de risco do Banco Pleno, ex-Voiter, ligado ao banqueiro Augusto Lima, enquanto investidores e reguladores acompanham sinais de estresse de liquidez

Painel Político
Publicada em 27 de janeiro de 2026 às 14:59
Banco Pleno busca comprador após queda do Master

A liquidação do Banco Master trouxe novos desdobramentos para o mercado financeiro e reacendeu preocupações em torno do Banco Pleno, antigo Voiter, instituição associada ao banqueiro Augusto Lima, ex-sócio do Master. Segundo apuração do Pipeline, o Pleno busca atualmente um comprador e chegou a oferecer o ativo ao grupo J&F, que não demonstrou interesse na operação.

O contexto se tornou mais sensível após Augusto Lima ser afastado da administração do Pleno, em meio à Operação Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal. O executivo chegou a ser preso e posteriormente liberado. Um depoimento que estava marcado para esta terça-feira foi cancelado, sem divulgação oficial do motivo.

Pressão sobre captação e liquidez

Plataformas de investimento como XP e BTG deixaram de oferecer títulos do Banco Pleno aos investidores, movimento que, segundo fontes de mercado, ocorreu após a operação da Polícia Federal. A retirada desses papéis do mercado primário dificultou a captação de recursos pela instituição.

No mercado secundário, a percepção de risco aumentou. As taxas dos títulos do Pleno chegaram a atingir 170% do CDI, sinalizando maior exigência de retorno por parte dos investidores diante das incertezas em torno da liquidez do banco.

Dados divulgados em setembro indicam que o Pleno mantinha um passivo de R$ 6,8 bilhões, sendo R$ 5,2 bilhões em depósitos a prazo, principalmente CDBs, em sua maioria com cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Além disso, havia R$ 759,7 milhões em letras financeiras. Uma fonte ouvida pelo Pipeline afirmou: “Quando Augusto vendeu sua participação no Master, ele levou cerca de 7,5% dos passivos”.

Venda de ativos e relação com o Banco Central

A venda do Voiter foi, até o momento, a única operação do conglomerado do Master autorizada pelo Banco Central do Brasil (BC). Outras transações, como a venda do Letsbank ao ex-sócio Maurício Quadrado e a negociação do próprio Master com o BRB – Banco de Brasília, não receberam aval do regulador.

Como condição para autorizar a operação envolvendo o Pleno, o BC exigiu a apresentação de um plano concreto para enfrentar uma eventual crise de liquidez. Segundo reportagem do Valor Econômico, em caso de quebra da instituição, o patrimônio pessoal de Augusto Lima, estimado em R$ 1 bilhão, poderia ser acionado.

Origem da operação e crédito consignado

A operação do Pleno é fortemente concentrada em crédito consignado, apoiada na estrutura do Credcesta. Em setembro, a carteira total do banco somava R$ 123 milhões. Especialistas apontam que, para manter o crédito aos servidores públicos, a instituição precisa seguir captando recursos no mercado.

Casado com Flávia Arruda, ex-ministra pelo PL no governo Jair Bolsonaro e ex-deputada federal pelo PL-DFAugusto Lima manteve interlocução tanto em gestões anteriores quanto no atual governo. Foi ele quem levou a operação de crédito consignado para o Master.

Em abril de 2018, o então governador da Bahia pelo PT, Rui Costa, hoje ministro da Casa Civil, concluiu a privatização da Ebal – Empresa Baiana de Alimentos, estatal responsável pela rede Cesta do Povo, que operava o cartão de crédito consignado Credcesta. Na época, o Credcesta mantinha contrato com o governo baiano para atender cerca de 380 mil segurados.

A Ebal foi adquirida pela NGV SPE Empreendimentos e Participações, que, segundo documentos obtidos pelo Pipeline, cedeu os direitos de operação do Credcesta à PKL.

Ainda em 2018, o Banco Máxima — posteriormente rebatizado como Master sob comando de Daniel Vorcaro — comprou 50% da PKL One, empresa ligada a Lima e responsável pela operação do Credcesta, por R$ 22 milhões. Os outros 50% permaneceram com Augusto Lima.

No Master, Lima ampliou a carteira de crédito consignado e contratou Márcio Alaor, então vice-presidente do Banco BMG, para atuar como diretor do Departamento de Benefícios e Consignados. Em 2024, o cartão-benefício, principal produto do Credcesta, era oferecido em 24 estados e alcançava 176 municípios.

Posicionamento institucional

Procurado, o Banco Pleno afirmou, em nota, que “não é alvo de qualquer investigação, processo administrativo ou questionamento por parte dos órgãos reguladores, operando de forma regular e em total conformidade com a legislação vigente”. A instituição destacou ainda que a exposição ao FGC diminuiu desde o início das operações e que o plano de negócios aprovado pelo Banco Central “está sendo seguido à risca”.

Fundo Garantidor de Créditos informou que não comentaria o assunto.

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