Caerd vs prefeitura - onde está a verdade?

O que se faz com a população de Porto Velho, principalmente aqueles mais necessitados, no que se refere ao abastecimento de água, é um escárnio.

Valdemir Caldas
Publicada em 11 de abril de 2017 às 09:24

A discussão sobre o futuro do abastecimento de água na cidade de Porto Velho ganhou novos contornos. De um lado, a prefeitura lamenta a perda de quase setecentos e trinta milhões de reais, que seriam aplicados em obras de esgotamento sanitário e ampliação do sistema de distribuição de água e joga a culpa no governo do Estado. Do outro, a Companhia de Águas e Esgotos de Rondônia (Caerd), responsável pela execução dos serviços, desmente a prefeitura e garante que a capital terá cem por cento de água tratada até o final deste ano.

O que se faz com a população de Porto Velho, principalmente aqueles mais necessitados, no que se refere ao abastecimento de água, é um escárnio, uma demonstração de como atos politico-administrativos, tomados sem a devida responsabilidade e análises adequadas podem se constituir em grandes transtornos sociais. No caso específico, uma sequência de erros teria sido cometida e as autoridades públicas não se teriam dado conta da gravidade do problema, piorando ainda mais o sofrimento da população que reclama, com justiça, o acesso à água de qualidade.

À sociedade não importa de quem é a competência, se da Caerd ou da Prefeitura. Ela espera é que as medidas para enfrentar esse quadro sejam adotadas logo e os governos possam se entender e atuar juntos diante de uma situação que é grave. A expectativa da população é que o assunto seja encarado com a seriedade que merece, longe de apupos demagógicos e de interesses politiqueiros, porque ela não pertence a esse ou aquele partido, a esse ou aquele grupo político.

O acesso à água é um desafio para milhares de famílias que residem nesta cidade e um drama onde se misturam mais questões: riscos à saúde, exploração de consumidores e desrespeito a direitos básicos das pessoas. Enquanto as autoridades continuarem perdendo tempo com discussões inúteis, nada acontecerá. É preciso ter coragem para enfrentar o problema e oferecer à população água em condições de consumo. O resto é conversa para boi dormir.

Até quando os gestores públicos vão demorar a aprender que a resolução dos problemas que afligem à população depende da união dos governos federal, estadual e municipal? Há, como se vê, uma dissintonia entre Caerd e Prefeitura de Porto Velho, cada um querendo eximir-se de sua responsabilidade, enquanto a população, vítima direta da falta e/ou da escassez de água, clama providências. Caerd vs prefeitura. Onde está a verdade? Sinceramente? Ambos são mentirosos. Nessa história, quem acabou entrando pelo cano foi o povo, como sempre.

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