Deputado fala em esquema para favorecer Egea e diz ter sido ameaçado após denúncia contra governo Marcos Rocha
Durante o discurso, Rafael Fera afirmou que, depois de tornar pública a denúncia, passou a sofrer intimidação
O deputado federal Rafael Fera elevou o tom contra o governo de Rondônia ao denunciar, da tribuna da Câmara dos Deputados, a existência de uma suposta articulação para entregar os serviços de saneamento básico do Estado à empresa Egea. Segundo o parlamentar, haveria um jogo de cartas marcadas em curso, com possível participação do governador Marcos Rocha (PSD), para favorecer a companhia, que já apareceu em denúncias de pagamento de propina a autoridades e agentes políticos em diferentes estados do país, inclusive em Rondônia.
Durante o discurso, Rafael Fera afirmou que, depois de tornar pública a denúncia, passou a sofrer intimidação. Segundo ele, um secretário ligado ao governo Marcos Rocha teria feito ameaças após a manifestação na Câmara. O deputado reagiu em público e disse que não pretende recuar. “Mas eu não tenho medo de cara feia”, afirmou, em recado direto ao núcleo político do Palácio Rio Madeira.
A fala do parlamentar joga nova pressão sobre o governo estadual num tema de alto impacto, porque envolve o futuro da concessão do saneamento em Rondônia e levanta suspeitas sobre eventual direcionamento em favor de uma empresa cercada por denúncias graves em âmbito nacional. A Egea já foi associada a acusações de pagamento de vantagens indevidas para obtenção e manutenção de contratos no setor, em casos revelados por investigações e delações tornadas públicas.
No centro da denúncia feita por Rafael Fera está a suspeita de que o processo do saneamento em Rondônia não estaria sendo conduzido com lisura, transparência e disputa real entre interessados, mas sim dentro de uma engrenagem previamente ajustada para beneficiar um grupo empresarial específico. Ao citar o nome do governador Marcos Rocha, o deputado leva o caso do campo administrativo para o centro da crise política.
A repercussão aumentou ainda mais nesta quarta-feira, quando passou a circular nas redes sociais um vídeo do deputado estadual Luizinho Goebel também dirigido ao governador. Sem citar detalhes do caso, Luizinho fez um alerta público e afirmou que Rondônia pode estar às vésperas de ver revelado o que chamou de “talvez o maior escândalo da história” do Estado. Em tom de aviso, o parlamentar mandou um recado direto ao chefe do Executivo: “Vigia, governador”.
A manifestação de Luizinho ampliou o peso político da denúncia feita por Rafael Fera. Isso porque o alerta partiu de um deputado da base política estadual, em fala pública e direcionada ao próprio governador, sugerindo que fatos de grande gravidade podem estar ocorrendo dentro da estrutura administrativa sem a devida contenção ou conhecimento pleno do chefe do Executivo.
O caso ganha dimensão ainda maior porque envolve um dos setores mais sensíveis da administração pública, o saneamento básico, que movimenta contratos bilionários e afeta diretamente milhares de consumidores. Diante das acusações lançadas da tribuna da Câmara e reforçadas no ambiente político local, cresce a cobrança para que o governo de Rondônia esclareça se há tratativas em andamento, quem conduz esse processo e quais interesses estão por trás da modelagem em discussão.
As declarações de Rafael Fera e Luizinho Goebel colocam Marcos Rocha no centro de uma nova frente de desgaste. De um lado, pesa a denúncia de suposto favorecimento à Egea. De outro, ganha força a narrativa de que o entorno do governo estaria reagindo com ameaça a quem resolveu expor o caso publicamente. Nesse cenário, o silêncio oficial ou respostas genéricas tendem a ampliar ainda mais a crise.
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