Empresa de Mário Português é multada em quase R$ 90 milhões por sonegação

A empresa Coimbra, responsável por todas as doações da campanha do candidato Mário Português, foi autuada pela Receita Estadual em quase 90 milhões de reais.

Publicada em 04/10/2012 às 12:18:00

O candidato Mário Português, durante todo o período eleitoral, sempre fez questão de dizer, em alto e bom som, que banca toda sua campanha com recursos próprios.

Paradoxalmente, analisando suas prestações de contas parciais, no site do TSE, constata-se que toda a receita de sua campanha tem origem em doações feitas por uma única entidade, ou seja, a empresa Coimbra Importadora e Exportação Ltda., instituição esta administrada por seus familiares, conforme levantamento junto a JUCER – Junta Comercial do Estado de Rondônia.

Em suas falas, o candidato se autointitula como um grande pagador de impostos no Estado de Rondônia e se autoelogia por haver sido agraciado com o prêmio de maior empresário atacadista da região norte, tendo ainda sido considerado o nono atacadista no ranque nacional.

Diz sempre, em seus discursos, que, sendo eleito, vai acabar com a roubalheira e a sonegação fiscal que hoje impera na administração municipal.

Mário Português passa a imagem de um homem auto-suficiente, íntegro, probo e, sobretudo, altruísta, uma vez que diz, nos quatro cantos do município, que é candidato porque quer retribuir ao povo de Porto Velho um pouco de tudo aquilo que o município lhe deu.

Os dados, a seguir, mostram que a empresa Coimbra Importadora e Exportadora Ltda., única doadora da campanha de Mário Português, foi autuada pela A SEFIN – Secretaria de Estado das Finanças, mais especificamente a filial de Guajará Mirim, na bagatela de R$ 86.527.680,51, quase 90 milhões de reais (Auto de Infração nº 20112701200018), que pode ser consultado no site da SEFIN: http://www2.sefin.ro.gov.br/sap/asp/consulta.asp ).

Dinheiro que, segundo os números apresentados pelo próprio candidato Mário Português - quando de sua participação no debate realizado pela TV RECORD - daria para construir 3 (três) Hospitais Municipais com 200 leitos ou fazer 100 (cem) quilômetros de asfalto.

O candidato Mário Português declarou que pretende gastar, nesta campanha a fortuna de 10 milhões de reais.
Outro fato que chama atenção é que o auto de infração se refere a ilícito fiscal perpetrado no período em que seu vice de chapa, José Genaro, era Secretário de Estado das Finanças no Governo do senador Ivo Cassol (PP), hoje o principal cabo eleitoral de Português. . E mais, os presidentes regionais dos partidos da coligação de Mário Português, PPS e PP, eram, nada mais nada menos que Governador e Vice Governador do Estado, no mesmo período, respectivamente, atual Senador Ivo Cassol (PP-RO) e o ex-governador e ex-vice-governador João Cahulla (PPS-RO).

O esquema funcionava assim: como todos os comerciantes sabem, as compras feitas fora do Estado de Rondônia têm seus impostos lançados na entrada do Estado de forma antecipada, de modo que , após o pagamento dos valores cobrados, a empresa se credita desse montante, a fim de abater o débito existente quando da efetiva saída das mercadorias.
No caso da Distribuidora Coimbra, os lançamentos gerados pelas entradas de mercadorias eram pagos parceladamente e a empresa se creditava do valor de face de cada guia e não do valor efetivamente quitado. Isto é: supondo-se uma guia a ser paga no valor de R$ 1.000.000,00, esta era quitada parcialmente no valor de R$ 200.000,00. No entanto, como o valor de face era de R$ 1.000.000,00, o contribuinte utilizava-se desse valor para se creditar em sua escrita fiscal, o que lhe rendia a importância de R$ 800.000,00 indevidamente.

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Candidato a prefeito de Porto Velho confessa escancaradamente no site da Distribuidora Coimbra que sempre fugiu da fiscalização municipal de uma cidade onde era comerciante.